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Índios do Amapá e norte do Pará concluem curso de Formação de Gestores

quarta-feira, 14/04/10 - 19h05

por David Telles, Cláudia Moreira e Larissa Leite

A iniciativa teve início em novembro de 2008 e integra o Projeto Indígenas - uma realização da Associação dos Povos Indígenas Apitikatxi, em parceria com a Fundação Banco do Brasil e Ministério do Meio Ambiente. O encerramento da Formação acontece nesta quinta e sexta, dias 15 e 16, com um Seminário Integrador no qual os alunos irão apresentar o que elaboraram durante a qualificação, além de debates e a escolha de um dos projetos para implantação em comunidades indígenas.

Cerca de 30 jovens e cinco ouvintes participaram da Formação, representando, principalmente, os povos Palikur, Karipuna, Tiriyo, Galibi, Marwomo, Wayana, Kaxuyana, Apalai e Wajãpi. A formação foi organizada em seis módulos presenciais, em Macapá, e em trabalho de campo, que aconteceu nas comunidades. "Na aldeia, o aluno pesquisa alternativas que possam ser viabilizadas no futuro", explica a pedagoga Rita Floramar de Melo.

O primeiro módulo (novembro/2008) trabalhou a realidade indígena local, legislação e elaboração de projetos sociais. O segundo módulo (fevereiro/2009) aprofundou conteúdos teóricos e, tendo como base um mapeamento realizado pelos alunos nas aldeias, iniciou a prática de elaboração dos projetos. O terceiro módulo, foi realizado em maio de 2009 e, além de aprofundar conteúdos anteriores, aborda temas como formulação, apresentação e negociação. O quarto módulo (agosto/2009) trabalhou a implantação, acompanhamento e avaliação; e no quinto módulo (outubro/2009), os alunos fizeram um balanço das lições apreendidas e perspectivas dos gestores de projetos.

Jorge Streit, diretor de desenvolvimento social da Fundação Banco do Brasil, explica que, desde 2003, a Instituição prioriza ações voltadas para assentados da reforma agrária, catadores de materiais recicláveis, quilombolas e povos indígenas. Para ele, protagonismo e sustentabilidade são as palavras-chaves do curso de formação de gestores sociais indígenas, que conta com o investimento social da Fundação de R$ 85 mil. "O projeto cria condições para que esses povos caminhem com as próprias pernas", avalia.

Na opinião de Juventino Pesirima Kaxuyana, presidente da Apitikatxi, a formação responde aos anseios do movimento indígena local e nacional. "É uma oportunidade de apreender as ferramentas complexas do mundo dos não-índios e adaptar isso para nossas realidades. As comunidades indígenas se tornam menos dependentes e aos poucos conquistam autonomia", declara a liderança. Ele acredita que, apesar das dificuldades provocadas pela multiplicidade de idiomas e dialetos, o curso tem sido bem aceito e aproveitado pelos jovens. Para o índio galibi marwomo Jorginho Macial dos Santos, de 24 anos, o curso foi muito importante. "O meu desafio foi chegar até o fim. Agora, vou trabalhar a favor da minha comunidade sempre", promete o rapaz que quer fazer um mini-hospital.

A Associação dos Povos Indígenas Tiriyo, Kaxuyana e Txikuyana (Apitikatxi) foi fundada em 2004, com finalidade de congregar indígenas para estudar, pesquisar e resgatar a cultura. Além disso, a entidade realiza parcerias com instituições para desenvolver projetos para melhorar a qualidade de vida das etnias representadas. Atualmente, elas somam aproximadamente 1.300 indígenas, distribuídos em vinte e seis (26) aldeias. A Apitikatxi é uma das mais novas das associações indígenas do Amapá e Norte do Pará. No entanto, já vem desenvolvendo alguns projetos e convênios desde sua criação, como o Fortalecendo Novas Aldeias do Tumucumaque Oeste.

Serviço

Formação de Gestores Indígenas / Seminário Integrador e Exposições de Trabalhos
Dias: 15 e 16 de abril
Horário: a partir das 9h
Local: Centro Vida Nova – Rodovia JK – Macapá/ AP

Mais informações
Fundação Banco do Brasil - Gerência de Comunicação e Mobilização Social
Portal: www.fundacaobancodobrasil.org.br
Twitter: www.twitter.com/fundacaobb

 

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