Fundação Maurício Grabóis
Lança DVD com Documentário sobre Guerrilha
do Araguaia
Depoimentos e imagens são impressionantes
quarta-feira, 08/12/10 - 08h38
A Fundação Maurício
Grabois acaba de lançar o documentário
“Camponeses do Araguaia - a Guerrilha vista
por dentro”, que resgata a mais importante resistência
armada ao regime militar. O filme traz depoimentos
de pessoas que foram vítimas da truculência
da ditadura e hoje lutam para que o Estado reconheça
plenamente os crimes cometidos.
O episódio, protagonizado pelo Partido Comunista
do Brasil (PCdoB), é uma das marcas das lutas
populares que estão gravadas na história
do Brasil de forma indelével. Não se
trata de episódio passageiro, um mero choque
de paradoxos decorrente de visões conjunturais.
Havia ali, condensados, dois veios cujas nascentes
remontam aos primórdios de nossa existência
como nação. Pode-se dizer que o ocorrido
no Araguaia foi uma etapa do fio da história
da qual participou a Inconfidência Mineira com
sua clareza de objetivos; a conspiração
dos Alfaiates, na Bahia, que nos legou quatro mártires
da forca; Canudos e Contestado, revoltas populares
impiedosamente esmagadas. Essa lógica repressiva
demonstra mais do que qualquer palavra a importância
desses movimentos. Os repressores sabiam perfeitamente
o que faziam — ao punir com rigor os revoltosos
tinham consciência do que estava em questão.
A truculência do Estado no Sul do Estado do
Pará — o local dos combates — e
na base de apoio à Guerrilha em São
Paulo e no Rio de Janeiro — onde foram assassinados
Carlos Danielli, Luiz Guilhardini, Lincoln Oest e
Lincoln Bicalho Roque — mostra que havia uma
decisão criminosa deliberada com a finalidade
de defender os interesses poderosos que manipulavam
a ditadura. Os criminosos se apartaram da tradição
das Forças Armadas para dar um banho de sangue
e estancar a marcha progressista no país.
O documentário “Camponeses do Araguaia
- a Guerrilha vista por dentro” mostra que os
guerrilheiros contavam com amplo apoio popular. Os
que cometeram crimes durante o regime discricionário,
portanto, estavam contra o povo. Contra a própria
história das Forças Armadas, que não
formam algo à parte na sociedade nem tampouco
em relação ao poder político.
Se nas duas décadas pós-1964 a função
principal das instituições militares
foi a de executar o serviço sujo determinado
pelos altos interesses econômicos que estavam
em jogo, no movimento abolicionista o Exército
desempenhou um papel sumamente importante ao recusar-se
a caçar escravos fugidos.
Ideal.
Aquela decisão da oficialidade do Exército
foi uma verdadeira insubordinação, mas
foi sobretudo uma atitude digna — essencialmente
progressista. E se podemos buscar características
para as Forças Armadas do Brasil, principalmente
do Exército, ela é precisamente esta:
militância política. Se alguns altos
mandatários militares ao longo da história
procuraram fazer a política das oligarquias,
o mesmo não se pode dizer da massa do Exército.
Em todos os movimentos revolucionários do
nosso país, das fileiras das Forças
Armadas surgiram personagens que são verdadeiras
legendas das lutas populares. Maurício Grabois,
o principal comandante da Guerrilha do Araguaia, por
exemplo, tem origem militar. Assim como Tiradentes,
Pedro Ivo e Luiz Carlos Prestes — para lembrar
alguns. A luta dos guerrilheiros do Sul do Pará
e dos demais democratas que deram a vida pela ideal
democrático continua hoje por outros meios.
É, a rigor, a mesma luta de Tiradentes, Frei
Caneca, Cipriano Barata e tantos outros valentes que
tinham um ideal político muito bem definido.
O documentário é um registro fundamental
sobre a ligação desse ideal com a luta
do povo brasileiro.
Serviço:
Camponeses do Araguaia - a Guerrilha vista por dentro
O documentário pode ser adquirido na Fundação
Maurício Grabois ou na Editora Anita Garibaldi
pelo preço de R$ 10,00.
Acima de 20 unidades, desconto de 30%.
E-mail: fmg@fmauriciograbois.org.br
Fonte: Editora Anita
Garibaldi