XII Encontro Nacional das Entidades
Médicas
quarta-feira, 28/07/10 - 17h25
Começam os debates sobre Formação
Médica
A Formação Médica no Brasil
está sendo o tema central dos debates do primeiro
dia do XII Encontro Nacional das Entidades Médicas,
que teve início na manhã desta quarta-feira
(28), na sede da Associação Médica
de Brasília, em Brasília.
O evento foi aberto pelo 2º vice-presidente
do Conselho Federal de Medicina, Aloísio Tibiriçá,
que apresentou informações gerais sobre
o mecanismo de funcionamento do Enem – neste
primeiro dia, pela manhã, foram apresentadas
três palestras pelos representantes da AMB,
CFM e Fenam, todas tendo como eixo o tema central
“Formação Médica”.
AMB apoia exame único para residência
médica
Durante a sua palestra no período da manhã,
José Luiz Gomes do Amaral, presidente da AMB,
defendeu a adoção de um modelo único
de exame para selecionar os candidatos à residência.
“Propomos a realização de uma
prova única, como a conduzida pela Associação
Médica do Rio Grande do Sul, mas expandida
para uma fase prática e nacional”.
O presidente da AMB também pediu cautela na
adesão de doutrinas generalistas. ”A
necessidade não pode fazer do médico
refém do gestor de saúde”.
Em relação à revalidação
médica, Gomes do Amaral atentou para uma particularidade
que pode causar danos à população.
“Apenas nos países do mundo em desenvolvimento
é possível graduar-se e exercer a profissão
médica. Nos outros, para atuar como médico,
é essencial a especialização”.
Ele concluiu pedindo que o texto final fosse resumido
com um número pequeno de propostas fortemente
alicerçadas, pois essas podem trazer resultados
mais eficazes.
CFM defende o fim da abertura indiscriminada
de escolas médicas
O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM),
Roberto Luiz d’Avila, defendeu o fim da abertura
indiscriminada de escolas médicas, o aumento
do número de vagas de residência e a
revalidação obrigatória de diplomas
médicos obtidos no exterior.
Para o presidente do CFM, a abertura de uma nova
escola médica deve ser condicionada à
oferta de um currículo adequado, à necessidade
social e à existência de hospital universitário
próprio e de vagas para residência. “Há
mais de dez anos lutamos para o fim da abertura indiscriminada
de escolas – e nesses dez anos o número
de escolas foi dobrado”, afirmou.
O presidente do CFM também afirmou que as
entidades médicas devem exigir das autoridades
competentes a oferta de residência médica
para todos os egressos de cursos de medicina.
“A residência é muito importante
para a formação do médico; por
isso, a Comissão Nacional de Residência
Médica deve ser fortalecida e seu funcionamento
adequado deve ser garantido”, disse.
Por fim, defendeu a participação das
entidades médicas no exame nacional unificado
de revalidação de diplomas obtidos no
exterior – exame este que deve ser composto
por provas práticas e teóricas.
Fenam quer o fechamento das péssimas
escolas de medicina
O presidente da FENAM, Cid Carvalhaes, enfatizou
que esta edição do ENEM oferece o encaminhamento
de soluções concretas, mais bem planejadas,
mais bem definidas, de tal maneira que tenhamos condições
de soluções concretas, em termos de
avanço e posições mais sólidas,
que sejam positivas tanto para os médicos como
para a população em geral.
“Os três temas, como a formação
médica, o mercado de trabalho e remuneração,
e as políticas de saúde e relação
com a sociedade são de grande relevância
e interdependentes uns dos outros".
A palestrante da Fenam, Maria do Patrocínio,
chamou a atenção sobre a carreira de
docente na área médica, dizendo que
não basta ser médico para ser docente,
e, cada vez mais, é necessário que os
profissionais dedicados à carreira docente
se aperfeiçoem com didática e cursos
específicos. ”Para ser docente não
basta ser médico, fazer uma pós, é
preciso investir em metodologia de ensino”,
completa.
Após as palestras e antes da abertura dos
debates, Carvalhaes apresentou a posição
da FENAM, defendendo o fechamento das escolas médicas
que não atendem os critérios necessários
para a boa formação profissional, dizendo
ainda que “as seleções não
podem se constituir em estímulo para cursinhos
caça níqueis e privilégios ou
perseguições”, afirmou.
Representatividade
O XII ENEM reúne cerca de 500 lideranças
médicas de todo o país, representando
as áreas associativa, conselhal e sindical,
e discutirá, de 28 a 30 de julho, as prioridades
das entidades médicas nacionais e o rumo de
suas ações em defesa da saúde
em geral e do fortalecimento do movimento médico
nacional.
Três eixos temáticos orientarão
a agenda de debates: nesta quarta-feira pela manhã
aconteceram as discussões sobre formação
médica; na quinta-feira, o assunto central
será mercado de trabalho e remuneração.
O tema SUS, políticas de saúde e relação
com a sociedade está reservado para o último
dia.
O resumo das discussões do evento será
condensado no documento “Carta de Brasília”,
que será distribuído à sociedade
e encaminhado aos candidatos às eleições
2011, como forma de contribuição do
movimento médico ao aperfeiçoamento
e consolidação do sistema de saúde
nacional.
Transmissão ao vivo
Uma das novidades do XII Encontro Nacional das Entidades
Médicas, organizado pela Associação
Médica Brasileira, Conselho Federal de Medicina
e Federação Nacional dos Médicos
é a transmissão ao vivo pela internet.
Além disso, o ENEM também tem um site
exclusivo, onde serão disponibilizadas todas
as informações do evento (http://medico.cfm.org.br/enem).
Abertura oficial
A solenidade de abertura do XII ENEM está
prevista para às 19h00, no auditório
principal da AMBr. A presença do Ministro da
Saúde, José Gomes Temporão, já
está confirmada. Além dele, participarão
também o representante do MEC e os presidentes
da AMB, CFM, Fenam, Academia Nacional de Medicina
e Associação Nacional dos Médicos
Residentes.