Usina de Belo Monte é tema
de palestra na UFPA
terça-feira, 22/06/10 - 21h50
por Moenah Castro
Nesta terça, 22, às 9h30, ocorreu o
Seminário "Belo Monte: conflitos sociais,
destruição ambiental e crise constitucional".
O evento faz parte do calendário de atividades
do Programa de Pós-Graduação
em Serviço Social, o PPGSS. O Programa organiza,
mensalmente, debates sobre diversos temas e ocorre
sempre no auditório do Instituto de Ciências
Sociais Aplicadas (ICSA). Mais de 50 pessoas participaram
do evento.
Vera Lúcia Gomes, coordenadora do projeto,
explica que a ideia é promover o debate, na
comunidade universitária, sobre temas de interesse
social, como a construção da Usina Hidrelétrica
de Belo Monte. O projeto da usina prevê a construção
de sua barragem no Rio Xingu, próximo ao município
de Altamira. Se construída, será a maior
usina do País e deverá gerar mais de
11.000 MW, que podem abastecer, por exemplo, a Região
Metropolitana de São Paulo. O projeto está
sendo feito há mais de 30 anos e o IBAMA já
aprovou a obra, mas grande parte da opinião
pública teme os impactos ambientais e sociais
que sua construção trará.
"Movimento Xingu Vivo" e "Greenpeace"
são algumas das organizações
sociais que se opõem à construção
da Hidrelétrica. A professora Sônia Magalhães,
ligada a esse movimento de resistência foi quem
ministrou a palestra. Há mais de 20 anos, a
antropóloga e professora da UFPA estuda os
impactos que a obra trará para a região
e para as populações que moram no entorno,
como índios, ribeirinhos e outros. Sua principal
crítica é ao Estudo de Impactos Ambientais
da obra, os quais deixam de lado várias questões,
como novas possibilidades e cenários possíveis
para áreas que ficarão secas com o desvio
do rio.
O EIA-Rima mais atual estima em 26.000 o número
de pessoas que serão deslocadas de suas casas.
Mas, segundo a pesquisadora, serão cerca de
35.000 habitantes que perderão seu lar e, acima
de tudo, seu modo de vida. “O número
de pessoas atingidas é subestimado nesse estudo.
Eles não levam em consideração
que, em três anos, a população
aumenta, seja por geração de filhos,
seja por migração, nem que havia pessoas
que não estavam em casa no momento da pesquisa”,
explica a antropóloga.
Em sua fala, Sônia Magalhães criticou
os discursos que defendem a construção
da Hidrelétrica. “O governo diz que a
obra trará milhões de empregos diretos
e indiretos, mas, na estimativa do projeto, haverá
a oferta de até 17.000 empregos no quarto ano
de obra e depois haverá uma queda vertiginosa
nesse número e terá apenas 1.000 postos
de trabalho, o que não vai suprir todos os
migrantes que serão atraídos.”,
questiona Sônia, que ainda completa: “É
um evento que vai tirar várias populações
de seu lugar e não trará benefícios
nenhum, por isso pode ser comparado a uma guerra”.
Apesar das várias contradições
nos discursos sobre a Usina Hidrelétrica de
Belo Monte, os governos federal e estadual seguem
com os trâmites para o início da obra
e os leilões de ações. Enquanto
isso, vários movimentos sociais protestam e
tentam impedir. Em enquete realizada no site da Assessoria
de Comunicação, mais de 75% da comunidade
acadêmica mostrou-se contrária à
construção da Hidrelétrica .
"Os seminários do PPGSS trazem temas relevantes
para serem discutidos. Isso favorece o ambiente acadêmico
e contribui para aprofundar o estudo", justifica
Vera Lúcia. Ao final do seminário, os
participantes puderam fazer perguntas para a antropóloga,
que lhes respondeu e comentou algumas.
Fonte: Assessoria de Comunicação da
UFPA