Carvão: um beco sem saída?
sexta-feira, 12/12/08 - 15h10
por Gustavo Faleiros
O cientista americano James Hansen, conhecido como um dos
pioneiros na pesquisa do aquecimento global, tem repetido
constantemente em seus artigos que o verdadeiro nó
górdio para o meio ambiente não é interromper
o uso do petróleo como tantas vezes se ouve por aí.
Quando se fala em reduzir o consumo de combustíveis,
frisou Hansen em uma carta pública enviada ao primeiro
ministro da Inglaterra, o problema verdadeiro se chama carvão
mineral. Toneladas do carburante que moveu a revolução
industrial ainda são queimadas todos os dias gerando
41% das emissões globais de carbono - 11 bilhões
T/CO2 por ano.
Nesta semana em que as negociações da Convenção
da ONU entram em momento decisivo aqui em Poznan, na Polônia,
as atenções estarão voltadas para União
Européia. O bloco nos próximos dias vai debater
o chamado Pacote de Energia e Mudanças Climáticas,
que compreende uma série de medidas concretas em setores
como transporte, habitação e indústria
para que seja possível cumprir a meta de reduzir 20%
das emissões de carbono em 2020.
O que acontencer em Bruxelas, sede da Comissão Européia,
vai influenciar em grande parte o que ocorrerá em Poznan.
A Europa lidera entre os países ricos as iniciativas
de redução de emissões. É ela
quem tem as metas mais ambiciosas e também quem mais
defende cortes drásticos até 2050. Se Europa
não fizer o seu dever de casa, será difícil
que os Estados Unidos o façam, afirmam os especialistas.
Entretanto, a própria anfitriã da Conferência
da ONU, a Polônia, é um dos países mais
relutantes em aceitar medidas concretas. A dependência
da energia gerada pelo carvão mineral está por
trás de sua resistência; 93% do suprimento do
país provém do combustível. “A
Polônia é a China da Europa”, define uma
ativista do Greenpeace ao lembrar das poluentes termoelétricas
do país asiático.
No interior da Polônia
O Eco visitou no último dia 03 de dezembro, na cidade
de Konin (140 quilômetros de Poznan), a área
onde são extraídos há 60 anos 11 milhões
de toneladas/ano de carvão para abastecer termoelétricas
que fornecem pelo menos 5% da energia do país. Ali
o Greenpeace montou acampamento de sua campanha mundial 'Carvão
Não!'.
Gustavo Faleiros está em Poznan a convite do Climate
Change Media Partnership.
Fonte: O Eco (http://www.oeco.com.br/reportagens/37-reportagens/20475-carvao-um-beco-sem-saida)