terça-feira, 01/12/09
- 18h49
Nova edição da
pesquisa Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf)
realizada pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria
com a ONG Ação Educativa mostra
o impacto positivo da maior escolarização
dos brasileiros, mas também alerta para
a necessidade da melhoria de qualidade no ensino.
O Instituto Paulo Montenegro e a Ação
Educativa acabam de concluir a sexta edição
do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf).
Apurado desde 2001, o Indicador mensura os níveis
de alfabetismo funcional da população
brasileira entre 15 e 64 anos de idade, residente
em zonas urbanas e rurais de todas as regiões
do país.
Dividido em quatro níveis, de acordo com
a tabela abaixo, o Inaf classifica a população
brasileira de acordo com suas habilidades em leitura/escrita
(letramento) e em matemática (numeramento).

Os resultados de 2009 revelam importantes
avanços no alfabetismo funcional dos brasileiros
entre 15 e 64 anos: uma redução
na proporção dos chamados “analfabetos
absolutos” de 9% para 7% entre 2007 e 2009,
acompanhada por uma queda ainda mais expressiva,
de seis pontos percentuais no nível rudimentar
amplia consideravelmente a proporção
de brasileiros adultos classificados como funcionalmente
alfabetizados. O nível básico continua
apresentando um contínuo crescimento, passando
de 34% em 2001-2002 para 47% em 2009.
Já o nível pleno de alfabetismo
não mostra crescimento, oscilando dentro
da margem de erro da pesquisa e mantendo-se em,
aproximadamente, um quarto do total de brasileiros,
conforme a tabela abaixo:

Escolaridade
De acordo com o Inaf, chama a atenção
o fato de 54% dos brasileiros que estudaram até
a 4ª série atingirem, no máximo,
o grau rudimentar de alfabetismo. Mais grave ainda
é o fato de que 10% destes podem ser considerados
analfabetos absolutos, apesar de terem cursado
de um a quatro anos do ensino fundamental.
Dentre os que cursam ou cursaram da 5ª a
8ª série, apenas 15% podem ser considerados
plenamente alfabetizados. Além disso, 24%
dos que completaram entre 5ª e 8ª séries
do ensino fundamental ainda permanecem no nível
rudimentar. Dos que cursaram alguma série
ou completaram o ensino médio, apenas 38%
atingem o nível pleno de alfabetismo (que
seria esperado para 100% deste grupo).
Somente entre os que chegaram ao ensino superior
é que prevalecem (68%) os indivíduos
com pleno domínio das habilidades de leitura/escrita
e das habilidades matemáticas.
Para uma das responsáveis pela análise
do Inaf 2009, Vera Masagão, coordenadora
de programas da Ação Educativa,
o aumento da escolaridade também implica
numa nova realidade para uma população
que antes não tinha acesso ao ensino, gerando
novos desafios: “À medida que o ensino
fundamental se universaliza, pessoas com menos
recursos vão à escola, enfrentando
maiores desafios para aprender, por conta tanto
de condições de vida mais precárias
como de um ensino empobrecido. Têm sido
necessários tempo e esforços dos
sistemas de ensino para que a ampliação
do acesso se reverta também em ampliação
da aprendizagem”, comenta.
Faixas Etárias
No tocante ao desempenho das diferentes faixas
etárias da população estudada,
é possível observar o impacto da
universalização do acesso a escolarização:
cerca de 1/3 dos brasileiros de 15 a 34 anos atingem,
em 2009, o nível plano de alfabetismo.
Para as gerações mais velhas, no
entanto, só se enquadram neste nível
23% dos brasileiros entre 35 e 49 anos e 10% dos
que têm entre 50 e 64 anos.
Por outro lado, observa-se que a evolução
entre 2001-2002 e 2009 foi bem maior entre as
faixas com mais de 25 anos (entre 14 e 15 pontos
percentuais), enquanto para os jovens de 15 a
24 a melhora foi de somente sete pontos, conforme
mostra a tabela abaixo:

A íntegra deste estudo com
todas as tabelas do levantamento está disponível
no site: www.ipm.org.br
Sobre o Instituto Paulo
Montenegro
Em 2000 o IBOPE criou o Instituto Paulo Montenegro,
organização sem fins lucrativos
que atua de maneira focada e com prioridade definida
no campo da educação. O Instituto
desenvolve e dissemina projetos que têm
como base o know-how em pesquisa das empresas
do Grupo e a credibilidade conquistada ao longo
de seus 67 anos de atividade.
Sobre a Ação Educativa
A Ação Educativa é uma
organização não governamental
fundada em 1994, com a missão de promover
os direitos educativos e da juventude, tendo em
vista a justiça social, a democracia participativa
e o desenvolvimento sustentável no Brasil.
A capacidade de realização da Ação
Educativa resulta do alto empenho de sua equipe
e da confiança e colaboração
de uma ampla rede de parceiros nacionais e internacionais.
Para outras informações, visite
o site: www.acaoeducativa.org.br