terça-feira, 15/12/09
- 22h05
Terminou no último domingo,
o maior debate sobre Cultura no Estado do Pará.
A II Conferência Estadual de Cultura (II
CEC), que discutiu os rumos da política
cultural, com participação de representantes
de 103 municípios, que apresentaram propostas
relacionados às questões econômicas,
políticas e sociais envolvidas na área
cultural e elegeram os 50 delegados que representarão
o Pará na Conferência Nacional de
Cultura, que acontece no mês de março
de 2011, em Brasília.
Durante quatro dias, de 08 a 11 de dezembro,
no Hangar Centro de Convenções,
foram realizadas várias mesas temáticas,
que discutiram a criação de políticas
públicas partindo dos diversos territórios
amazônicos formados ao longo da História,
seminários com temas como Economia da Cultura
e a Territorialidade Amazônia e a plenária
final, que votou as propostas escolhidas.
E é partindo dessas propostas que um novo
modelo de investimento baseado na diversidade
cultural é criado. “A primeira conferência
de cultura, realizada em junho de 2007, serviu
para atender nossas demandas e planejar os três
anos de governo”, explica o secretário
de Cultura Edilson Moura. “A conferência
estabelece os rumos para o futuro. É a
partir dela que daremos prosseguimento às
políticas de editais e as parcerias com
o Governo Federal”.
Foi a partir das discussões da I CEC que
foram criados novos projetos, como o Circuito
Cultural Paraense e os Salões do Livro,
além do estabelecimento da política
de editais, descentralização dos
recursos para uma área da cultura e a inclusão
de grupos historicamente excluídos, como
indígenas, quilombolas e LGBT, no processo
de construção dessa política.
Projetos consagrados também foram reestruturados,
como a Feira Pan-amazônica do Livro e o
Festival Internacional de Ópera da Amazônia.
E segundo a Governadora Ana Júlia Carepa,
a política de governo, desde então,
foi pautada nas diretrizes democráticas
nascidas nos debates da conferência. “Hoje
temos uma política cultural para todo o
Estado do Pará, democratizando o acesso
às manifestações culturais”,
reiterou. “Hoje fazemos a política
de todos, antes era de poucos”.
Uma das discussões mais importante da
CEC II é sobre a Proposta de Emenda Constitucional
150 (PEC 150/2003), de autoria do deputado federal
Zezéu Ribeiro (PT-BA), que ainda aguarda
votação sem Congresso Nacional.
A proposta eleva o patamar do Orçamento
Vinculando da Cultura para 2% do Orçamento
da União, 1,5% dos estados e dos municípios
1%. A aprovação da proposta é
defendida por Representantes dos segmentos artísticos
e pelos Dirigentes municipais e estaduais, pois
aumentará os Recursos Destinados aos investimentos
em políticas públicas na área.
A PEC 150 – que prevê o estabelecimento
de 2% do PIB brasileiro para Cultura – está
cada vez mais próxima de ser aprovada pelo
Senado. Para poder captar a verba que será
disponibilizada pela esfera federal, os governos
estaduais e os municipais precisam se organizar,
compreender e participar do funcionamento e direcionamentos
do Sistema Nacional de Cultura.
Para isso, todos os anseios e expectativas dos
grupos - divididos em 17 Grupos de Trabalho e
5 eixos temáticos - que participam da Conferência
serão ouvidos, condensados e transformados
no regimento da Conferência Estadual de
Cultura que encerra hoje (11), e que será
levado para a Conferência Nacional de Cultura
– em março de 2011, em Brasília.
Os delegados locais também foram definidos
hoje.
Para o delegado que representa os povos indígenas
de Jacundá, Almires Guarani, uma das propostas
que deve ser encaminhada para a Conferência
Nacional em Brasília é de uma política
de fomento e proteção do patrimônio
paraense. Patrimônio imaterial, principalmente,
ressalta o indígena.
Guarani também é artesão
e defendeu a proposta, no eixo Economia criativa
e Desenvolvimento Sustentável, de que os
direitos de criação dos povos tradicionais
paraenses devem ser mais preservados. Por exemplo,
grandes marcas que se utilizam dos grafismos indígenas
e não repassam nada para os povos, que
são os criadores e detentores do conhecimento
tradicional.
O anseio que parece específico de um grupo
se transformou em políticas e sugestões
coletivas no grupo de debate. “A proteção,
o fomento, a integração, a divulgação
e inventário da nossa cultura são
pontos em comum, que interessam a todo o povo
paraense. Mesmo as particularidades devem refletir
até certo ponto as necessidades coletivas,
até para uma melhor aceitação
a nível nacional”, afirmou Almeris.
O coordenador da Conferência Nacional de
Cultura e representante do Ministério da
Cultura, Joãozinho Ribeiro, elogiou a iniciativa
paraense. “O Pará está dando
um exemplo grande para o Brasil. Não conheço
nenhum outro estado que tenha uma composição
de delegados tão importante e diversa,
com um olhar para a cultura tradicional”,
sublinhou. “Tenho certeza que está
foi uma das maiores, senão a maior, conferência
feita no Brasil”.