terça-feira, 01/12/09
- 22h05
por Rafael Limberger
O episódio envolvendo
o ator norte-americano Robin Willians é
apenas mais uma polêmica que ataca a nossa
nacionalidade, nosso orgulho enquanto brasileiros.
Contudo, por mais que as declarações
do comediante possam ser entendidas como depreciativas,
nós somos os que mais nos colocamos para
baixo, nos mais diversos setores da sociedade.
Em entrevista num dos programas mais populares
dos Estados Unidos, o Late Show, de David Letterman,
Robin Williams fez piada com a escolha do Rio
para sede das Olimpíadas. Ele lamentou
que a participação da apresentadora
Oprah Winfrey e da primeira-dama, Michelle Obama,
não tenha ajudado Chicago na escolha da
sede. “Espero que ela (Oprah) não
esteja chateada. Chicago enviou a Oprah e a Michelle.
O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó.
Não foi uma competição justa”,
disse.
Numa primeira análise, nosso orgulho deveria
ficar ferido pela piada feita em cadeia nacional
norte-americana. mas, apesar disso, porque um
ator estrangeiro deveria nos respeitar enquanto
nação se nós mesmos não
fazemos isso.
A Copa e as Olimpíadas estão aí,
são uma realidade. Em dois anos, a cidade
do Rio de Janeiro vai receber os dois eventos
mais importantes de todo mundo e, mesmo assim,
o conflito tráfico x poder público
está muito longe de acabar.
Por outro lado, enquanto o Rio de Janeiro, uma
cidade já conhecida mundialmente pelo seu
potencial turístico, vai receber investimentos
da ordem dos bilhões de reais, o resto
do país vai continuar "chupando o
dedo".
Enquanto isso, gravações feitas
por Durval Batista desnudam as relações
polítiacas nop distrito Federal. No Rio
Grande do Sul, uma CPI, prejudicada pelos próprios
parlamentares, tenta avaliar se existe ou não
corrupção no executivo estadual.
No Maranhão, a Fundação
Sarney, de um ex-presidente da república,
é apontada por estar envolvida em desvio
de dinheiro público. No Espírito
Santo, os níveis de corrupção
dentro do Poder Público são mundialmente
conhecidos e concorrem de perto com a Colômbia
nos seus "melhores dias".
Tudo isso é apenas uma pequena fração
do que poderia ser citado aqui. Assim, como é
que uma pessoa em sã consciência
pode ficar irritada com o Robin Willians? Ou com
o jogador francês Henry, que afirmou, durante
a Copa da França, que jogar contra o brasil
é injusto, afinal, os nossos jogadores
não "precisam treinar e estudar"?
O Brasil é uma farsa, é um arremedo
de democracia. E, por mais que eu ame esse país,
fica difícil defender a nossa imagem quando
nós mesmos somos especialistas em "queimar
o filme".
Fonte: Capital Gaúcha