sábado, 12/12/09 - 16h02
Idec solicita adiamento da votação
para garantir que a população participe
da decisão que afeta os consumidores
Está prevista para os próximos
dias, a votação no plenário
do Senado, do Projeto de Lei (PL) nº. 405-C,
de 2007, que dispõe sobre a formação
do cadastro positivo nos Sistemas de Proteção
ao Crédito. Por alterar o Código
de Defesa do Consumidor (CDC), o Instituto Brasileiro
de Defesa do Consumidor (Idec) enviou, ontem,
uma carta ao líder do governo na Casa,
senador Romero Jucá, ao ministro da Fazenda,
Guido Mantega, e ao presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, com pedido de
adiamento da votação do projeto
por 30 dias para que, neste prazo, as discussões
sobre o PL sejam revistas e contem com a participação
da opinião pública.
O cadastro positivo consiste em um banco de dados
com informações pessoais, incluindo
hábitos de consumo, e financeiras de consumidores,
as quais, o referido PL possibilita que sejam
utilizadas para a avaliação de risco
para concessão de crédito aos consumidores
e, segundo os seus defensores, o cadastro positivo
contribuiria para diminuição das
taxas de juros.
A existência desse cadastro como proposto
fere direitos da personalidade e a garantia da
dignidade do consumidor, que fica sem qualquer
controle sobre os dados que são informados,
a quem são informados e com qual finalidade.
O Idec considera que, por mais específico
que seja o projeto de lei nesse aspecto, é
muito difícil o controle do destino dessas
informações.
O PL ainda prevê alteração
no Código de Defesa do Consumidor e, portanto,
entre outras ressalvas, na carta, o Idec defende
que, por constituir-se em norma de ordem pública
e de interesse coletivo, deve-se considerar os
princípios norteadores do CDC e preservar
os direitos básicos conferidos à
parte reconhecidamente vulnerável.
Segundo Lisa Gunn, coordenadora-executiva do
Idec, o CDC traz disposições gerais,
capazes de, ainda que passados 19 anos, continuarem
atuais.
O Idec reconhece o interesse coletivo pelo principal
propósito do PL, que é o barateamento
do crédito ao consumidor e seu conseqüente
estímulo, no entanto, Gunn alerta: "exatamente
em razão da sua relevância é
que a discussão sobre o Projeto de Lei
deve ser amadurecida para não se transformar
em uma grande armadilha para todos os consumidores".
O Idec conclui a carta sugerindo que, caso o
prazo não seja acatado, as autoridades
avaliem a possibilidade de veto ao projeto, já
que, da forma como está, a proposta é
prejudicial aos consumidores.
Sobre o Idec: O Idec é
uma associação civil sem fins lucrativos,
totalmente independente de empresas, governo e
partidos políticos, que há mais
de 22 anos promove a educação, a
conscientização, a defesa dos direitos
do consumidor e a ética nas relações
de consumo. É membro do Fórum Nacional
de Entidades Civis de Defesa do Consumidor (FNECDC),
que congrega 23 entidades civis, de 14 Estados.