segunda-feira, 28/12/08 - 16h10
por Redação, com ABr - de Brasília
Outros projetos que estão no Conngresso
buscam mais controle
Até março do próximo ano
deve chegar ao Congresso Nacional o projeto de
lei do novo marco regulatório da internet.
Produzido pelo Ministério da Justiça,
o marco civil, como está sendo chamado,
deverá tratar de direitos fundamentais
dos usuários de internet, responsabilidades
desses usuários e deveres do Estado.
– A ideia é criar uma primeira camada
de interpretações para assuntos
legais relacionados à internet, lançando
pedras fundamentais para depois tratar outras
questões – explica o coordenador
do projeto, Paulo Rená da Silva Santarém.
Temas polêmicos como direitos autorais,
pedofilia e outros assuntos de direito penal,
contudo, devem ficar de fora do novo marco. De
acordo com Rená, esses assuntos já
estão com o debate mais estruturado socialmente
e já possuem projetos de lei específicos.
Antes de tratar deles, na opinião do coordenador,
é preciso criar um mecanismo para que as
decisões judiciais sobre o uso da internet
sejam uniformizadas.
– Atualmente você pode ter duas decisões
judiciais sobre um mesmo assunto completamente
diferentes. E as duas estarão embasadas
legalmente nos preceitos constitucionais. É
preciso criar diretrizes para guiar essas decisões
– explica.
O texto, que teve a primeira parte em consulta
pública até o último dia
17, vai ser focado em questões como anonimato,
privacidade e divulgação de dados
dos usuários. Sobre este último
tópico ainda não está decidido
o que exatamente a nova lei determinará,
mas já se sabe que a orientação
é para que as informações
sobre a movimentação do usuário
dentro de uma página não possam
ser compartilhada entre empresas livremente.
O projeto surge a partir de uma exigência
dos movimentos sociais ligados ao tema que cobraram
do governo federal um marco regulatório.
O texto vai na contramão de alguns projetos
que tramitam no Congresso Nacional que buscam
mais controle e restrição na rede.
Alguns desses projetos prevêem, por exemplo,
a necessidade de registro biométrico para
o uso da internet e a obrigatoriedade da instalação
de câmeras de vigilância em lan houses.
– A intenção do projeto é
não começar a regular internet pela
porta da cadeia, o objetivo é ampliar a
liberdade – afirma Rená.
Essa liberdade faz parte de um conjunto de diretrizes
lançadas pelo Comitê Gestor da Internet
(CGI) – órgão que cuida da
governança da internet no Brasil –
que prevê também a neutralidade da
rede, a inimputabilidade da rede pelas violação
de direitos que possam ser cometidas e ambiente
legal regulatório, entre outros.
Também devem ser incorporados ao projeto
os princípios do Plano Nacional de Banda
Larga, que será divulgado até o
fim de janeiro. Junto com a previsão do
plano de levar internet rápida e barata
para todo o país, universalizando o acesso,
o novo marco regulatório irá incluir
esse acesso como preceito constitucional.
– A ideia é transformar uma política
de governo em política de Estado. Como
direito fundamental do cidadão, isso passará
a ser um compromisso estatal – explica o
coordenador.
O novo marco civil deverá passar por uma
segunda consulta pública quando a minuta
do projeto estiver pronta, entre janeiro e fevereiro.
A primeira consulta ficou disponível na
internet durante 45 dias, quando recebeu média
diária de 1,3 mil visitas.
Fonte: Correio do Brasil