Entidades ligadas ao Judiciário
e cidadãos apontam problemas no Judiciário
tocantinense
quinta-feira, 02/07/09 - 18h59
Informatização precária, falta
de juízes, de funcionários e de defensores
públicos foram alguns dos principais problemas
apontados pelos representantes das várias instituições
ligadas ao Judiciário, como Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB), associações de magistrados,
Defensoria pública, entre outros, que participaram
da audiência pública realizada pela Corregedoria
Nacional de Justiça em Palmas (TO), na tarde
desta quinta-feira (02/07).
Cerca de 300 pessoas participaram da audiência,
que durou três horas e meia e foi realizada
no auditório do Tribunal de Justiça
do Tocantins (TJTO). Essas reuniões estão
sendo organizadas pelo CNJ em todo o país e
são sempre acompanhadas de uma inspeção
que tem como objetivo coletar denúncias, críticas
e sugestões sobre o funcionamento da Justiça
local.
“Não podemos trabalhar mais sem números,
sem estatísticas”, afirmou o corregedor
nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp.
Após ouvir críticas e contribuições
de dezenas de pessoas, entre representantes do Ministério
Público, da OAB, da Defensoria Pública,
além de advogados e cidadãos em geral,
ele foi taxativo: “Eu tenho visto neste Brasil
que as corregedorias estaduais não têm
atuado com eficácia”.Uma prévia
da inspeção que está sendo realizada
no Estado já permitiu mapear que há
algumas varas judiciais que proferem pouquíssimas
sentenças e contam com processos muito antigos.
Segundo Dipp, esse problema pode ser resolvido com
o acompanhamento da corregedoria local. “Não
são problemas que dizem respeito ao excesso
de processos. O que precisa é que esses processos
que estão lá sejam decididos”,
completou.
O presidente da seccional do Tocantins da OAB, Ercílio
Bezerra, afirmou que os problemas do Judiciário
local são pontuais e solúveis. Ele destacou
a necessidade de que o princípio da impessoalidade
seja efetivamente seguido para a indicação
de juízes para o Tribunal e disse que muitas
vezes o nome desses juízes somente é
referendado após o magistrado já estar
em exercício. O representante da Procuradoria
Geral do Estado do Tocantins, Hércules Martins,
chamou atenção para a falta de gestão
no cumprimento de diligências, que, segundo
ele, com soluções simples podem ser
realizadas de maneira mais célere.
Já o presidente da Associação
dos Magistrados do Estado do Tocantins, Allan Ferreira,
afirmou que um dos principais problemas do Judiciário
local é a falta de melhores condições
de trabalho e a informatização precária.
Segundo ele, somente a formação de uma
força-tarefa permitirá que a Justiça
do Tocantins cumpra uma das metas do Conselho Nacional
de Justiça (CNJ) de julgar ainda este ano todos
os processos protocolados no Judiciário até
2005.
O presidente da Associação dos Magistrados
Brasileiros (AMB), Mozart Valadares, destacou que
o Judiciário funciona como um “sistema”
e “se uma das peças falhar, isso tem
impacto na Justiça”. Para ele, o mínimo
e fundamental a se garantir é “que todas
as comarcas tenham a presença de um promotor,
de um defensor e de um magistrado”.
Com informações da Assessoria de Comunicação
do Conselho Nacional de Justiça