Vazamento ilegal
quarta-feira, 01/09/10 - 11h07
Alvaro Dias quer explicações de
Mantega sobre quebras de sigilo
O senador Alvaro Dias (PR) apresentou nesta terça-feira
(31) à CCJ (Comissão de Constituição
e Justiça) do Senado requerimento que convoca
o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para esclarecer
a quebra e o vazamento de dados fiscais do vice-presidente
do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e de outras
três pessoas ligadas ao partido. “A
vulnerabilidade da Receita Federal é tão
grande que cabe, sim, pedir explicações
ao ministro”, explicou.
O documento, previsto para ser votado nesta quarta-feira
(1º), foi apresentado pelo senador paranaense
diante da recusa do corregedor-geral da Receita,
Antônio Carlos Costa D’Ávila,
para depor aos senadores sobre a sindicância
da instituição aberta para apurar
a violação dos dados fiscais do
vice-presidente tucano.
Dias cobrou uma postura séria no rumo
das investigações sobre a quebra
de sigilos fiscais. Para ele, não resta
a menor dúvida: as violações
têm caráter político. “Há
um sentimento de revolta nos funcionários
da Receita em razão da acusação
de que haveria um balcão de vendas de dados
sigilosos”, afirma. “Certamente, o
propósito do crime foi político.”
Na semana passada, o corregedor-geral da Receita
havia afirmado que as apurações
encontraram indícios da existência
de um “balcão de venda de dados fiscais
sigilosos” mediante propina. Na ocasião,
contudo, ele informou que não foi possível
encontrar vínculos políticos e partidários
nos vazamentos.
A Receita acusa as servidoras Antônia Aparecida
Rodrigues dos Santos Neves e Adeilda Ferreira
dos Santos como responsáveis pelas violações.
Antônia é a dona da senha usada para
acessar os dados em outubro de 2009. Adeilda,
a responsável pelo computador utilizado
para a consulta. Foram acessadas as declarações
de Imposto de Renda, além de Eduardo Jorge,
de Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo
Sérgio e Gregório Marin Preciado.
Além do corregedor, o ex-funcionário
do Palácio do Planalto Demetrius Sampaio
Felinto também cancelou o depoimento que
prestaria à Comissão. Técnico
em informática, ele foi convidado para
dar detalhes sobre um encontro, em 9 de outubro
de 2008, entre a candidata oficial à Presidência,
Dilma Rousseff (PT), e a ex-secretária
da Receita Lina Vieira. Em ofício encaminhado
ao presidente da CCJ, Demóstenes Torres
(DEM-GO), ele disse ter recebido pela internet
“ameaças veladas” e pediu que
o depoimento fosse adiado e tomado em sessão
secreta.
Demóstenes acatou a exigência e
vai tentar remarcar o depoimento ainda para esta
semana. “Alguns fanáticos estão
disseminando na internet ameaças veladas”,
diz o ofício. De acordo com a revista Veja,
Felinto teria provas que comprovam a reunião
entre a ex-ministra e a ex-secretária.
Porém, para abafar o caso, o governo federal
teria escondido as imagens das câmeras de
segurança.
No encontro, a petista teria pressionado Lina
a encerrar uma investigação do Fisco
sobre a família do presidente do Senado,
José Sarney (PMDB-AP). Na opinião
de Alvaro Dias, “o governo vai se consolidando
como uma gestão que abriga marginais no
seu subterrâneo.”
Fonte: Agência Tucana