Ninguém te preguntou nada!
sábado, 02/05/09 – 10h40
Segundo Reginaldo Araújo, “a burguesia, através
do controle dos aparelhos ideológicos do Estado impõe
sua visão de mundo para os demais grupos sociais, levando-os
a aceitar a dominação, vendo-a como algo natural.”¹.
Diante do exposto, temos observado as imposições
simbólicas que os aparelhos ideológicos fizeram
por meio dos signos e que aqui merecem ser pautadas.
Recentemente, o Governo do Estado do Pará resolveu mudar
a cor da farda da PM sem consultar a comunidade militar. Tal
atitude gerou insatisfação entre os milites que
fazem a nossa guarda e, além disso, cabe ressaltar a
cor vexatória do fardamento dos nossos nobres policiais.
Ademais, não devemos olvidar a propaganda “sutil”
que o Governo do Pará colocou nos uniformes, mochilas,
cadernos e demais materiais escolares doados pela SEDUC. É
claro que não desprezamos a importância da ação,
mas ela seria louvável se não houvesse o logotipo
do “governo popular” impresso nessas utesilagens.
Não houve um senso para questionar se a comunidade escolar
aprovaria ou não o marketing da gestão de Ana
Julia Carepa. Eis aí, então, uma violência
simbólica do aparelho repressor do estado.
Outro fato comum, ocorrido há poucos meses, foi a mudança
do nome fantasia do ex-Shopping Iguatemi. Evidentemente, era
necessário fazer a mudança nominal do ponto comercial
devido à venda da rede para novos empresários.
Mas, infelizmente, estes não tiveram a dignidade de perguntar
a população belenense se queriam que o nome do
local fosse “Pátio Belém”. Não
houve um referendo, uma enquete ou um questionário para
escolher uma designação para este estabelecimento,
logo não se descartar esse outro tipo de violência
simbólica que impôs um nome tão ridículo
e imemorável ao nosso Patrimônio Comercial.
Certamente, visualizamos outras formas de imposições
simbólicas não só em Belém, mas
em todo estado do Pará, que favorecem ou atendem uma
minúscula elite dominante, que, indubitavelmente, não
representa o nosso povo, a maioria que trabalha, paga impostos,
para manter essa gente no poder. Enquanto a comunidade não
reagir contra esses atentados simbólicos, vamos continuar
aquém dos nossos direitos de contribuintes sociais.
________
¹ ARAÚJO, Reginaldo Alves de. Gramisc. 2006. Disponível
em: http://www.outrahistoria.com.br/Arquivos%20pdf/Artigos/gramsci_rgalves.pdf.
Acesso em: 2 Maio 2006.