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Marcel Franco

Poeta, Professor de Comunicação e Ambientalista

marcelpa@hotmail.com

 

Ninguém te preguntou nada!

sábado, 02/05/09 – 10h40

Segundo Reginaldo Araújo, “a burguesia, através do controle dos aparelhos ideológicos do Estado impõe sua visão de mundo para os demais grupos sociais, levando-os a aceitar a dominação, vendo-a como algo natural.”¹. Diante do exposto, temos observado as imposições simbólicas que os aparelhos ideológicos fizeram por meio dos signos e que aqui merecem ser pautadas.

Recentemente, o Governo do Estado do Pará resolveu mudar a cor da farda da PM sem consultar a comunidade militar. Tal atitude gerou insatisfação entre os milites que fazem a nossa guarda e, além disso, cabe ressaltar a cor vexatória do fardamento dos nossos nobres policiais.

Ademais, não devemos olvidar a propaganda “sutil” que o Governo do Pará colocou nos uniformes, mochilas, cadernos e demais materiais escolares doados pela SEDUC. É claro que não desprezamos a importância da ação, mas ela seria louvável se não houvesse o logotipo do “governo popular” impresso nessas utesilagens. Não houve um senso para questionar se a comunidade escolar aprovaria ou não o marketing da gestão de Ana Julia Carepa. Eis aí, então, uma violência simbólica do aparelho repressor do estado.

Outro fato comum, ocorrido há poucos meses, foi a mudança do nome fantasia do ex-Shopping Iguatemi. Evidentemente, era necessário fazer a mudança nominal do ponto comercial devido à venda da rede para novos empresários. Mas, infelizmente, estes não tiveram a dignidade de perguntar a população belenense se queriam que o nome do local fosse “Pátio Belém”. Não houve um referendo, uma enquete ou um questionário para escolher uma designação para este estabelecimento, logo não se descartar esse outro tipo de violência simbólica que impôs um nome tão ridículo e imemorável ao nosso Patrimônio Comercial.

Certamente, visualizamos outras formas de imposições simbólicas não só em Belém, mas em todo estado do Pará, que favorecem ou atendem uma minúscula elite dominante, que, indubitavelmente, não representa o nosso povo, a maioria que trabalha, paga impostos, para manter essa gente no poder. Enquanto a comunidade não reagir contra esses atentados simbólicos, vamos continuar aquém dos nossos direitos de contribuintes sociais.

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¹ ARAÚJO, Reginaldo Alves de. Gramisc. 2006. Disponível em: http://www.outrahistoria.com.br/Arquivos%20pdf/Artigos/gramsci_rgalves.pdf. Acesso em: 2 Maio 2006.

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