25 de outubro, 91 anos depois o sonho
está presente
segunda-feira, 27/10/07– 19h50
Em 25 de outubro de 1917 os operários,
soldados e marinheiros russos ousaram romper um tempo
de escuridão e sofrimento para aquele povo e a
humanidade. Conseguiram iniciar a implantação
de um novo modelo de Estado a serviço dos trabalhadores
e do povo, o socialismo.
Dirigidos por Lênin, Wladimir Ilich,
e organizados pelo Partido Operário Social Democrata
da Rússia – POSDR em toda a vastidão
do território russo, mobilizados tomaram de assalto
o poder do Czar e do governo provisório, implantando
um novo governo sustentado na organização
dos Sovietes (Conselhos). Enfrentaram o maior dos impérios
para conquistar a liberdade do jugo do capital e iniciar
a construção de um novo tempo.
Sofreram ataques militares, sabotagens
e a feroz propaganda dos vizinhos e inimigos internos
por muitos anos. Mesmo assim consolidaram a implantação
da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
– URSS. Um estado socialista que incomodou e amedrontou
os governos do ocidente, assustados com nova forma de
governo, democrática e de massas. A política
e a economia foram colocadas a serviço da maioria
do povo. Os governos capitalistas ficaram preocupados
com o fascínio exercido aos trabalhadores de todo
o mundo que passaram a ter como palavra de ordem a consigna
da Associação Internacional dos Trabalhadores,
fundada por Karl Marx, “Trabalhadores de todo mundo,
uní-vos”.
“Fustiguemos a carroça da
história. À esquerda, à esquerda,
à esquerda”, escreveu Maiakovski. “A
trombeta dos bravos já soou o alarme. Nossos estandartes
aos milhares avermelham o céu. Só a rota
dos traidores é que conduz à direita. À
esquerda, à esquerda, à esquerda”.
O poeta da revolução escreveu isso em 1918,
em seu poema Á esquerda. Iniciava-se uma nova fase
na história da humanidade. Os burgueses e imperialistas
ficaram desesperados e passaram a atacar ferozmente a
nova pátria dirigida pelos operários, soldados
e marinheiros. Estes resistiram e venceram muitas batalhas.
Destruíram a chaga da fome, da ignorância,
da miséria e da exploração do trabalho
pelo capital.
A revolução Russa foi uma
luz na escuridão que a humanidade vivia. Resistiu
por muitas décadas. Mais acertou que errou. Isso
fortaleceu as lutas dos trabalhadores que passaram a acreditar
que seria possível conquistar um novo mundo. Acreditaram
que seria possível enfrentar o capital e fortalecer
o trabalho, assegurando os direitos que os produtores
mereciam. O mundo foi outro depois de 25 de outubro de
1917.
Certamente os erros praticados custaram
um preço alto aos trabalhadores. Massacres foram
cometidos em nome da revolução. O enfrentamento
ao Soviete de Kronstadt, comandando por Leon Trotsky,
mostrou o que viria depois. Stalin e sua burocracia, depois
da morte de Lênin, mesmo tendo derrotado o nazismo
durante a segunda guerra mundial, passou a sufocar a criatividade
e a força das massas. A burocracia estatal tomou
conta de um estado que deveria ser dos trabalhadores.
Muitas conquistas foram obtidas pelos
trabalhadores, não somente os soviéticos,
mas de todos os países. A experiência de
implantação do socialismo foi cortada muito
tenra. Agentes a serviço do capital e contrários
à implantação do socialismo boicotaram
esse novo tempo que nascia. O trabalho de solapamento
e desarticulação executado pelos contra-revolucionários
conseguiu esse passo atrás. Para a história
da humanidade, que é composta por avanços
e retrocessos, isso é normal.
O que não pode ocorrer é
colocar na lata do lixo das sociedades essa grandiosa
experiência de construção de um Estado
a serviço dos trabalhadores e da maioria do povo.
O Estado Soviético foi uma semente que não
morreu, apesar de tudo ainda germina em mentes e corações
por todo planeta. Não se pode repetir um discurso
falso e reacionário que o socialismo morreu, muito
ao contrário. Um século significa um piscar
de olhos para a humanidade, a aspiração
por uma sociedade mais justa, sem explorados, nem exploradores,
não morreu.
Decorridos 91 anos depois da implantação
da primeira experiência esses ideais continuam vivos.
A memória dos revolucionários de 1917 não
será esquecida, muito menos as bandeiras por eles
defendidas, ainda no início do século passado.
Esse sonho não será apagado com as propagandas
de consumo e do individualismo, aliado ao distanciamento
de pretensas lideranças de esquerda do povo, especialmente
no momento atual com a crise de Wall Street, que comprovando
as afirmações feitas por Karl Marx de que
o próprio capitalismo é seu coveiro. Um
novo tempo há de brotar.
|