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Pedro César Batista

pcbatis@gmail.com

 

A humanidade vencerá

terça-feira, 17/02/09 - 08h40

Ouvi uma música, a letra falava que a fraternidade e solidariedade são apenas cartões postais de políticos em homenagem às festas de fim de ano. Não me lembro o nome do autor. Estava sintonizado na Rádio Cultura de Brasília, uma das minhas preferidas, por tocar cantores desconhecidos e, sempre, boas músicas. Não concordo com o autor da canção.

Ao longo de minha vida o que mais tenho conhecido são pessoas solidárias e fraternas. Quantas vezes pessoas desconhecidas agiram solidariamente comigo. Quantas vezes recém conhecidos também demonstraram esse comportamento. Claro, os amigos antigos são os que mais provam a existência dessa qualidade nos seres humanos. Sem dúvida, vivi em muitos momentos o oposto disso. Há os utilitaristas, os quais aproximam-se apenas enquanto tentam preservar seus objetivos. Conservam apenas relações oportunistas e úteis aos seus interesses. Quantos não agem assim? No entanto, entre o conjunto de meus conhecidos, incluindo parentes, aderentes e parceiros de lutas, sonhos, noites, choros e alegrias, amigos e companheiros, a grande maioria sempre foi solidária. Há aqueles conhecidos de longa data que sustentam-se na inveja e na traição. Felizmente são minoria.

A humanidade, como disse Milton Santos, precisa ser construída. Sem dúvida. Nunca vivemos um período em que a fraternidade e a solidariedade fossem a ação determinante das pessoas. Seja no mundo primitivo, feudal ou capitalista antigo, moderno ou conteporâneo. A exceção ao longo da história foi o período das comunidades primitivas em seus clãs e aldeias. Certamente chegamos em uma encruzilhada. Ou construimos relações efetivamente humanas ou retornaremos ao tempo em que o homem também era caça e caçador. O capital, seus agentes e asseclas, atuam, infelizmente, ainda assim. Sobrevivência. Mas isso passará. Acredito.

Recentemente devido meu trabalho com meu mais recente livro visando resgatar a memória de um combatente da luta do povo brasileiro, o qual era meu irmão, soube que sua viuva acusa-me de aproveitador. Dizia ela que quero vender livros, nada mais. Ao mesmo tempo ela está aliada a um dos suspeitos de ser um dos mandantes do assassinato de seu ex-marido. Imagino como o morto deve estar se sentindo no túmulo. Oxalá ao menos possa se mexer. Mas pessoas assim, como essa viúva, são minoria. Felizmente. Tenho comprovado o alto nível de solidariedade e fraternidade da espécie humana, mesmo com a busca desesperada por status, poder, prebendas do Estado e mordomias. A maioria ainda é solidária e fraterna.

O autor da canção que escutei, a qual tem uma bela melodia, é de Brasília, cidade bela, livre e encantada aos que tem bom emprego, bom salário ou boas redes. A maioria do povo da cidade certamente não caminha no eixão aos domingos, nem vai aos clubes, nem tem acesso aos bons cinemas, continua explorada e servindo à aqueles que deveriam servir ao público, no entanto sustentam-se na exploração do homem pelo homem. Ultilizam para isso o estado, instrumento de dominação das classes dominantes, a quem servem. Assim mesmo ainda acredito que viveremos um novo tempo, onde todos serão felizes, poderão sorrir ao caminhar com seus filhos ou sonharem em estar ao lado de suas amadas, mesmo distantes. Esse tempo virá.

 

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