A humanidade vencerá
terça-feira, 17/02/09 - 08h40
Ouvi uma música, a letra falava
que a fraternidade e solidariedade são apenas cartões
postais de políticos em homenagem às festas
de fim de ano. Não me lembro o nome do autor. Estava
sintonizado na Rádio Cultura de Brasília,
uma das minhas preferidas, por tocar cantores desconhecidos
e, sempre, boas músicas. Não concordo com
o autor da canção.
Ao longo de minha vida o que mais tenho
conhecido são pessoas solidárias e fraternas.
Quantas vezes pessoas desconhecidas agiram solidariamente
comigo. Quantas vezes recém conhecidos também
demonstraram esse comportamento. Claro, os amigos antigos
são os que mais provam a existência dessa
qualidade nos seres humanos. Sem dúvida, vivi em
muitos momentos o oposto disso. Há os utilitaristas,
os quais aproximam-se apenas enquanto tentam preservar
seus objetivos. Conservam apenas relações
oportunistas e úteis aos seus interesses. Quantos
não agem assim? No entanto, entre o conjunto de
meus conhecidos, incluindo parentes, aderentes e parceiros
de lutas, sonhos, noites, choros e alegrias, amigos e
companheiros, a grande maioria sempre foi solidária.
Há aqueles conhecidos de longa data que sustentam-se
na inveja e na traição. Felizmente são
minoria.
A humanidade, como disse Milton Santos,
precisa ser construída. Sem dúvida. Nunca
vivemos um período em que a fraternidade e a solidariedade
fossem a ação determinante das pessoas.
Seja no mundo primitivo, feudal ou capitalista antigo,
moderno ou conteporâneo. A exceção
ao longo da história foi o período das comunidades
primitivas em seus clãs e aldeias. Certamente chegamos
em uma encruzilhada. Ou construimos relações
efetivamente humanas ou retornaremos ao tempo em que o
homem também era caça e caçador.
O capital, seus agentes e asseclas, atuam, infelizmente,
ainda assim. Sobrevivência. Mas isso passará.
Acredito.
Recentemente devido meu trabalho com
meu mais recente livro visando resgatar a memória
de um combatente da luta do povo brasileiro, o qual era
meu irmão, soube que sua viuva acusa-me de aproveitador.
Dizia ela que quero vender livros, nada mais. Ao mesmo
tempo ela está aliada a um dos suspeitos de ser
um dos mandantes do assassinato de seu ex-marido. Imagino
como o morto deve estar se sentindo no túmulo.
Oxalá ao menos possa se mexer. Mas pessoas assim,
como essa viúva, são minoria. Felizmente.
Tenho comprovado o alto nível de solidariedade
e fraternidade da espécie humana, mesmo com a busca
desesperada por status, poder, prebendas do Estado e mordomias.
A maioria ainda é solidária e fraterna.
O autor da canção que escutei,
a qual tem uma bela melodia, é de Brasília,
cidade bela, livre e encantada aos que tem bom emprego,
bom salário ou boas redes. A maioria do povo da
cidade certamente não caminha no eixão aos
domingos, nem vai aos clubes, nem tem acesso aos bons
cinemas, continua explorada e servindo à aqueles
que deveriam servir ao público, no entanto sustentam-se
na exploração do homem pelo homem. Ultilizam
para isso o estado, instrumento de dominação
das classes dominantes, a quem servem. Assim mesmo ainda
acredito que viveremos um novo tempo, onde todos serão
felizes, poderão sorrir ao caminhar com seus filhos
ou sonharem em estar ao lado de suas amadas, mesmo distantes.
Esse tempo virá.
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