Cidadão Pipoca ou salve-se
quem puder?
terça-feira, 16/03/10 - 13h08
Na Grécia antiga havia a Ágora,
local onde os cidadãos se reuniam para debater
política, filosofia e artes. As camadas subalternas
não participavam. Platão pensou na República,
elaborada por Montesquieu, implantada em quase todos os
países na atualidade. O sistema representativo,
ao contrário do que faziam os cidadãos romanos,
limitou a discussão aos escolhidos.
Quatro linhas sintetizando milhares de
anos. Ousadia inspirada nas palavras do ministro da cultura
Juca Ferreira. Recentemente foi pedido por seu partido
para se afastar do cargo para se dedicar a campanha da
candidata verde, Marina Silva, à Presidência
da República. Disse Ferreira que preferiu continuar
no governo e ser um “cidadão pipoca”.
Na Bahia, terra do ministro, aqueles que não têm
acesso aos blocos durante o carnaval, brincando do lado
de fora das cordas de segurança, são chamados
de “pipoca”. Como na Grécia quem não
pode comprar a abada fica de fora.
No Brasil atual parcelas enormes da população
não podem comprar abadas de várias espécies:
plano de saúde, boa educação, acesso
a cultura, viagens, segurança, moradia e, nem mesmo,
uma alimentação de qualidade. E lemos que
uma autoridade de Estado achincalha a realidade, dizendo
que agora vai ser “cidadão pipoca”.
A política é uma ciência
para buscar soluções coletivas de uma sociedade.
As classes a utilizam na defesa de seus interesses no
confronto com seus opositores. Ocorre que esse tema se
tornou assunto corriqueiro para indiciar criminosos e
auxiliar os que buscam ouro a ficarem rico mais rápido.
Para isso, partidos, ideologias e princípios tornaram-se
mercadoria sem interesse. Usa-se conforme o momento e
a necessidade.
A essência da democracia é
a garantia da participação na tomada de
decisões pelos governantes na condução
dos negócios do Estado. A sociedade para isso tem
alguns instrumentos: organização, debates,
eleições, conselhos, conferências,
etc. A internet trouxe novas ferramentas, as quais otimizam
os debates, podendo contribuir para uma relação
mais fraterna, solidária e revolucionária
para construção da humanidade. Infelizmente
não é isso que presenciamos. Prevalece-se
o sentimento do “cidadão pipoca” ou
o salvem-se quem puder no ritmo frenético desse
tempo que vivemos.
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