Democracia, voto e direitos
sábado, 27/09/08– 10h30
A luta pelo direito ao voto no Brasil
é antiga. Muitas dificudades foram enfrentadas
para conquistar o voto universal e secreto. Primeiro não
se votava. Ainda viviamos como colonia, sob tutela do
imperio. Na republica velha votavam apenas os que possuiam
riquezas. Quem não possuia bens não tinha
esse direito. Hoje todos e todas podem votar, tornando-se,
inclusive, obrigatório esse ato que deveria ser
um direito e não um dever.
No período repúblicano,
antes dessa fase democrática e histórica
que a sociedade brasileira atravessa, foram poucos os
momentos que se vivenciou a liderdade e a democracia.
A história do país é repleta de ditaduras
e governos autoritários. Muitos, fascistas. Todos,
no entanto, sustentados pelo poder econômico, principal
beneficiado com a falta de liberdade e democracia.
O país saiu de uma ditadura feroz
e cínica. Foram mais de 20 anos. Atos arbitrários,
prisões, torturas, exílios e mortes. As
organizaçoes da sociedade civil foram desmontadas.
Seus dirigentes, perseguidos. Impuseram-se novos conceitos
políticos, morais e sociais, nas escolas, igrejas
e dentro da famílias, todos elaborados pelos detentores
do poder. Visaram desmotivar, desmobilizar e alienar a
população, antes atuante, crítica,
militante e contestadora. A ditadura cumpriu um papel
alienante e servil ao grande capital. Para isso não
economizou em sua ferocidade.
Chegou novos tempos. Os partidos comunistas,
antes perseguidos e proscritos, foram legalizados. Aos
movimentos sociais, proibidos pelo arbítrio, foi
assegurada a legalidade democrática. A sociedade
se mobilizou e passou a atuar de forma continuada e consistente.
O povo brasileiro viveu dois momento
cruciais logo após o fim da ditadura militar. Primeiramente,
de forma pacifica, destituiu o primeiro presidente eleito
após esse triste periodo ditatorial. Decorridos
pouco mais de uma década, colocou no principal
cargo eletivo do país um dos principais líderes
da resistência. Lula, dirigente sindical, líder
de grandes movimentos grevistas no final dos anos 70 e
fundador do PT, elegeu-se presidente. Cumpre o segundo
mandato, com uma aprovação do eleitorado,
segundo todas as pesquisas de opinião, de mais
de 70%.
Apesar de todo esse avanço democrático,
foram poucas as mudanças estruturais ocorridas,
especialmente no campo economico. Os ricos continuam controlando
a maior parte da riqueza, mesmo tendo havido um crecimento
da classe média e uma redução da
miséria, a riqueza continua concentrada nas mãos
de poucos.
Entretanto, o que mais indigna é
a adoção de certas práticas por todos
que se dispõe a disputar algum cargos eletivos.
Setores que antes combatiam o clientelismo e a existência
do voto de cabresto, passaram a utilizar a mesma prática
que antes apenas os mais reacionários - conservadores
- direitistas, representantes das oligarquias usavam.
Em 2008 serão eleitos prefeitos
e vereadores nos municípios brasileiros. Verifica-se
que apenas os candidatos com dinheiro para comprar votos
estão em melhores condições de conseguirem
vitorias nos pleitos. Pagam-se de R$20,00 a R$50,00 por
voto. Usam-se vários argumentos para burlar a legislação
que, em alguns aspectos, tornou-se mais rígida.
A eleição se tornou um leilão, disfarçado
de mercado de mão de obra. Contratam-se pessoas
para segurar bandeiras, paga-se para colocar propagandas
em veículos, em muros, residências e distribuir
materiais. É uma feira livre de votos. Há
candidatos que contratam o dobro de pessoas dos votos
que são necessários para serem eleitos.
Contam com uma quebra de 50%. Contam com sua eleição
assegurada. Essa prática se dá em todos
os partidos, com exceção dos considerados
de ultra esquerda, que ainda mantêm a prática
da militância e do debate com a sociedade. Partidos
que se dizem da esquerda tradiconal ou da velha direita
disputam a cada lance a compra do eleitado nas ruas, bairros
ou residências, como se fossem balcões ou
feiras.
Por outro lado, passa-se para a sociedade
que a população, por meio do voto, poderá
controlar o Estado, escolhendo livremente os governantes
e legisladores. Engano. Há um cinismo assustador
e uma cumpricidade suicida. Os candidatos sabem que estão
comprando votos e manipulado o pseudo processo "democrático".
A população faz de conta que tem consciência
e escolhe livremente. É um teatro histórico.
Enquanto isso a elite conserva seus privilégios
e se diz alheia a tudo isso. Como dizia Brecht, chega
a "estufar o peito e dizer que odeia a política",
enquando seus sicários, jornalistas de plantão
nos telejornais continuam repetindo um discurso alienador
e fortalecendo a ignorância e assegurando a miséria.
Onde vamos parar? Os movimentos sociais,
sindicatos e outras organizações de massa,
em sua maioria, nada fazem para mudar isso. Ao contrário,
muitos chegam a aproveitar a "boquinha".
Se o sonho de uma sociedade mais justa,
mais fraterna, onde não seja aceito a exploração,
onde os governantes corruptos, que tudo fazem para ter
acesso ao poder, sejam varridos e colocados em seu lugar
da história, o lixo, não for resgatado para
onde seguiremos? O vale-tudo que se torna uma regra no
jogo politico precisa ser combatido, sob o risco de o
fascismo prevalecer. A democracia direta e participativa
deve ser aprofundada, assegurando para toda a população
uma vida digna e respeitosa, onde cada cidadão
ou cidadã, nos períodos eleitorais ou não,
tenham discernimento de seus direitos e deveres, principalmente
o de assegurar um Estado democrático, repúblicano,
com uma sociedade justa, onde o trabalho seja o determinante
e não o capital.
O socialismo é o único
caminho para se contrapor a esse capitalismo contemporâneo
que torna as pessoas insignificantes e objetos nas mãos
de pretensos líderes, que na realidade não
passam de aventureiros em busca de poder e dinheiro. Só
o povo organizado poderá mudar o rumo da história.
|