O Atrativo dos Museus
sexta-feira, 20/11/09 - 20h35
Não há visita que eu faça
a algum museu sem observar a reação dos
espectadores: as obras que mais lhes chamam atenção
e a maneira como se consomem objetos artísticos
e históricos. Qual é a função
do museu? A organização do acervo, o conhecimento
interdisciplinar, a museologia e o patrimônio alertam
sobre o caráter educativo deste espaço de
memória que, a exemplo do Museu da Língua
Portuguesa em São Paulo, não só expressa
o passado.
Se as sociedades são complexas,
por que a linguagem ou o conteúdo dos museus teriam
que ser simples? É um lugar de manifestação,
preservação e reconhecimento de nossas riquezas
culturais que merece uma consideração especial.
As visitas a museus no país são fortuitas,
porém é curioso que estes espaços
de cultura sejam prioridade de turistas brasileiros na
Europa ao contrário dos olhares apressados e negligentes
que percorrem os lugares correspondentes no próprio
país.
Dados do Anuário de Estatísticas
Culturais do País de 2009, do Ministério
da Cultura, indicam a existência de 1.496 museus
no Brasil, que se distribuem irregularmente entre os estados.
As unidades concentram-se em São Paulo (410), Rio
Grande do Sul (358), Minas Gerais (308) e Rio de Janeiro
(194). As regiões Sul e Sudeste possuem-nos em
maior número. Enquanto praticamente metade das
cidades gaúchas contam com museu, o estado todo
de Roraima só possui três.
Há formas variadas de manifestar,
preservar e difundir as culturas de uma região,
além da pergunta que surge sobre o que pode ser
objeto de museu devido ao que um grupo valoriza mais ou
menos de suas identidades. Ainda, qual é a diferença
entre apreciar uma pintura rupestre aborígine de
milhares de anos e visitar um museu em Brasília
sobre a curta história política da cidade?
Embora soem bem distintas, as duas experiências
são representativas do país.
O problema dos museus – que não
ocorre só no Brasil – é que costumam
demandar um orçamento público considerável
para a manutenção, a menos que sua reputação
ou algum outro atrativo convertam-nos numa fonte de renda
privada e lucrativa. Caso contrário, dependerão
de excursões escolares e visitantes que mal gastam
poucos segundos no usufruto de objetos de museus até
passar ao seguinte acervo ou à próxima sala
de exibição. O museu envolve estudo, labor,
lazer e interatividade.
A fim de estimular a visitação,
promover a diversidade cultural e defender a preservação
de identidades, deveria haver sempre alguma rotatividade
em parte das obras nos museus, além do emprego
de outros recursos que despertem o interesse mais amplo
da população nestes espaços de cultura.
O uso de novas tecnologias, a interação
entre o objeto e o espectador e a relevância de
entendê-los não só em função
da memória somam pontos a seu favor.
Velhas concepções sobre
o que é ou deveria ser objeto de museu corroem-se
diante da intensidade da brisa que sopra na direção
da importância da manifestação, preservação
e difusão das identidades para o desenvolvimento
do país, a diversão como aliada da função
educativa, e a referência histórica que revela
os contornos de quem, como, onde e por que somos. As vestes
atuais dos museus prometem fazer a moda de um mundo onde
se espera cultuar as diversidades.
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