A crise americana é apenas um panariz
segunda-feira, 27/10/07– 14h39
Nos rincões do Brasil em um passado não
muito distante, o setor imobiliário conviveu durante anos
com a maior das penúrias que qualquer tipo de indústria
poderia conviver e suportar. O descumprimento das responsabilidades
contratuais dos financiamentos dos imóveis pipocou por
todos os lados, as grandes construtoras quebraram aqui, ali e
acolá, não restou pedra sobre pedra do que elas
eram; e por terem ficado em estado tão despedaçado,
também ninguém teve notícia de que as falidas
tivessem sido punidas. Ah! Houve uma premiada! Através
da justiça os futuros proprietários receberam centenas
de apartamentos em prédios que se encontravam com suas
construções adiantadas para que eles administrassem
e concluíssem as obras iniciadas. A mais prática
das soluções encontradas para evitar o agravamento
do prejuízo dos clientes que acreditaram nos construtores
descapitalizados.
Depois do ato do ressarcimento — em parte
— dos incautos compradores, o destrambelho pelos quatro
cantos do país ficou incontrolável. Edifícios
e mais edifícios prontos e acabados foram ocupados por
invasores e até mesmo os inacabados tiveram novos moradores
que os invadiram. Após a desorganização generalizada
no setor, as famílias começaram a padecer das conseqüências
da inadimplência: casas foram abandonadas, tomadas, invadidas
e depredadas. Lá para as bandas dos Estados Unidos da América
não foi visto ou noticiado nada parecido com isto. A seguradora
quebrou, mas não apareceram acusados ou culpados. Os bancos
quebraram e eles receberam como punição, uma grande
injeção de milhões de dólares. Foi
anunciada a redução de 1,4% nas vendas do comércio
em geral, 10% nos negócios dos veículos. E apontaram
as maiores das catástrofes: as oscilações
das bolsas que se apresentam em baixas em determinados dias e
em outros em altas ou normais. As instituições financeiras
seculares de repente se apresentam em processo de falência
com a cara mais cínica do mundo como se fosse uma coisa
natural! E o Henry Paulson, o secretário norte-americano
do Tesouro, aparentemente sem a exigência de um simples
demonstrativo financeiro por parte dos administradores dos bancos,
derrama dinheiro nos cofres deles com a singela explicação
de que é preciso saná-los! Mas saná-los de
quê? Se eles não tiveram nem tempo de gritarem por
socorro! Foram socorridos por antecipação, sem pelo
menos a pergunta que seria de praxe por parte de quem os remediava
ou do mundo financeiro “Como de repente eles ficaram sem
o capital que alegaram possuírem durante décadas?”
é muito mais do que suspeito a omissão desta indagação
que se fazia necessária!
A tensão que os Estados Unidos o todo-poderoso
emaranhou ou fabricou internamente e externamente interligou-se
com o fato de que ela fazia parte — estava no topo —
de uma entre tantas questões fechadas, era, e ainda vai
continuar sendo primordial a queda do preço do petróleo
e logo em seguida, muito próximo: cobrir ou remediar o
prejuízo dos bilhões de dólares torrados
na guerra que parece não ter fim! E de quebra, embora não
transparecessem tão claramente — igual aos países
que agiam de forma inequívoca — eles decidiram que
aproveitariam para forçar a saída dos estrangeiros
indesejados. Para a fertilidade de uma mente que não se
cansa de imaginar, voltar no tempo até o momento em que
se possa conceber uma suposta reunião de cúpula
será apenas um leve exercício imaginativo. É
possível que o encontro dos poderosos, entre eles o presidente
Bush e os para quem ele deu voz tenha se desenrolado mais ou menos
assim:
— Henry fale das suas preocupações
como se fossem nossas também.
— Sim senhor presidente. O projeto alusivo
ao montante das centenas e centenas de bilhões de dólares
que se fortalecerá com o formato de prejuízo inexorável
no decurso da história dos EUA está aqui olhando
para todos nós. E eu não sei como referendá-lo
sem que os senhores o referendem comigo!
— Faz sentido a sua temeridade! E o que
você tem para nos dizer relacionado com a primeira das nossas
inquietações? O astronômico preço do
petróleo?
— Digo que o petróleo é a
luz no final do túnel para cobrirmos o déficit das
centenas de bilhões de dólares, que financiaram
a guerra maldita na esperança de que tomaríamos
posse daquele petróleo, que não era nosso e pelo
jeito jamais será, pois o conflito se arrasta sem perspectiva
de definição neste governo!
— Isto significa dizer que providenciaremos
a execução das medidas discutidas e decididas na
última reunião?
— Sim senhor! Trabalharemos com os índices
de queda do preço do petróleo, pois na mesma proporção
que eles caírem usufruiremos lucros reais na nossa conta
de importação do produto. E, além disso,
calaremos as besteiras do nosso desafeto que comanda a Venezuela!
Com pouco dinheiro entrando e o produto dele relegado a míseros
50% do que custava, acaba a valentia dele!
— Ótimo! Faremos isto! E como o
mundo olhará para nós?
— Não deixaremos que o mundo inteligível
perceba a nossa estratégia, esconderemos o olho inflamado
do panarício econômico, que provocará a quebradeira
das nossas instituições financeiras. Espremeremos
as economias emergentes pelas adjacências, elas passarão
a conviver sem o conforto do crédito internacional, as
torneiras serão fechadas! Vamos derramar rios de dinheiro
sobre os Bancos Hipotecários, empresas de Securitização,
Bancos de Investimentos e começaremos por uma grande seguradora,
a AIG. Logo em seguida o Departamento do Tesouro anunciará
um pacote de socorro aos bancos no montante de US$ 700 bilhões
para salvá-los de supostas dificuldades. Precisamos causar
um impacto na produção, no comércio, no financiamento
e no consumo. No primeiro momento surgirão os efeitos e
as conseqüências: a desconfiança do poupador,
do investidor, do produtor e do consumidor. Menos petróleo
será queimado pelos produtores com receio do que poderá
acontecer. O preço do barril do petróleo despencará
vertiginosamente; e se estivermos certos nos nossos cálculos
e nas nossas previsões ele se esborrachará em um
patamar abaixo da metade da cotação de hoje que
é de US$ 147,00 o barril!
— Mas isto será maravilhoso Henry!
Com cinqüenta por cento de redução na nossa
conta de importação do combustível —
durante seis ou doze meses — é tudo o que precisamos!
Recuperaremos o que foi perdido na guerra do Iraque; o que aplicarmos
no fortalecimento mascarado do nosso mercado financeiro e aumentaremos
o nosso estoque de petróleo para agüentar até
resolvermos esta incômoda dependência energética
dos medíocres países produtores! Eles não
agüentarão a redução do consumo, que
para eles será o presságio de uma crise mundial!
— Mas e se causarmos uma recessão
generalizada?
— Servirá para separar os fortes
dos fracos! Aqueles que tiverem condições de retesarem
os seus músculos financeiros para receberem o impacto,
continuarão de pé, com a condição
de financiarem as suas produções e exportações!
E quem sabe nos livraremos de muita gente de fora que está
aqui dentro e não serve para nada! Refiro-me inclusive
aos que estão na legalidade!
— Senhor Presidente vamos considerar agora
as variáveis! Digamos que o nosso estratagema se revele
eficiente e depois de um determinado período em que já
conquistamos tudo o que almejávamos, mas mesmo assim o
mundo financeiro se mantém recessivo! O que faremos?
— Usaremos os nossos esforços na
condição de maior economia do planeta, para que
tudo volte ao normal! Como era antes! Esta função
caberá aos nossos amigos Obama e McCain aqui presentes,
mas que infelizmente ainda não podem se pronunciar, pois
se trata de uma tarefa exclusiva do presidente eleito!
Atualmente o custo do barril do petróleo
oscila entre US$ 58 e US$ 60 e a crise anunciada está se
aproximando para fechar o terceiro mês da felicidade americana.
Não é uma felicidade que possa ser demonstrada,
até mesmo porque acaba sendo proibido decantá-la
no seu próprio solo. Para os que provocaram a ruptura do
equilíbrio financeiro, é mais importante a certeza
de que estão festejando em cima dos lucros e contabilizando
bilhões de dólares para os cofres do tesouro, do
que descobrir quem está sofrendo com o contentamento deles!
Não faz mal que sofram! Depois eles serão recompensados!
O que o mundo foi induzido a chamar de crise,
pasmem! Ela não existe de fato, foi colocada no
momento e no local certo, com o cuidado de não
deixar que ela se desvencilhasse de sua verdadeira serventia.
O capital das instituições financeiras,
dos bancos de investimentos e dos investidores não
desapareceu dos cofres equipados com os maiores e mais
modernos sistemas de segurança como se fossem as
águas dos rios que desaparecem nos mares, as moedas
conversíveis circulantes não são
simbiontes. Por causa desse detalhe irreversível,
os recursos monetários que os países e os
que investem possuíam antes do alarme falso, continuam
exatamente onde estavam anteriormente! As notícias
sobre as finanças, por mais estapafúrdias
que pareçam, nenhuma delas disse que os milionários
sacaram suas fortunas dos bancos e levaram para guardar
em suas casas! Também não foi anunciado
que as compras e vendas de ações pararam
por falta de dinheiro para transferir de um país
para outro! Está sendo anunciado, que cada um dos
mandatários ao redor do mundo, embarcou ou vai
embarcar na arca do Bush, pois nenhum deles está
preparado para cometer a tolice de contrariá-lo,
nem mesmo o estadista Lula, que recebeu uma descompostura
e calou a boca! Para eles é melhor que estejam
embarcados juntos na companhia da força monetária,
do que ficarem em terra, espalhados e protestando enquanto
permanecem na mira dos mísseis econômicos
teleguiados na direção dos discordantes!
Não procure a verdade nos olhos ou no tom da voz
dos Chefes de Nações, lance mão de
uma lupa e se esforce para enxergá-la nas entrelinhas
dos seus discursos encomendados!
|