Liderança forte
imuniza os liderados e os adversários
segunda-feira, 31/05/10 - 12h27
Em um importantíssimo evento
agropecuário do mês de março realizado
em uma área descampada da SAGRI na BR 316 em Ananindeua
por volta das 11:00 horas. A Excelentíssima Governadora
Ana Júlia convocou e reuniu em torno dela, os seus
liderados, interessados, chefes de departamentos, intermediários
políticos e adversários partidários.
Cada um deles se fez presente para receber ou presenciar
a entrega de um kit agrícola (uma patrol e demais
componentes) ao prefeito ou representante do município.
A elegância da governadora era
a de sempre, a dificuldade de subir escadas ainda reflete
o sofrimento físico da campanha, a facilidade de
reunir seguidores ao seu redor continua idêntica
ao dia que assumiu. É quase certo dizer que permanecerá
depois de assumir o segundo mandato, mas totalmente impossível
afiançar que ainda existirá tantos seguidores
depois que a Governadora se desvencilhar do poder. Mas
vamos deixar esta questão para o futuro.
O agora deixou para a governadora uma
marca fortíssima de verdadeira líder, os
negativistas se quiserem chamem de outra coisa, é
quase impossível que as poderosas se vejam livres
de comentários poucos elegantes e bastantes ofensivos.
O comportamento que ficou gravado na
memória visual de cada um dos presentes foi o fato
natural, próprio de uma governadora, porém,
gente igual a todos os que a admiravam em pé e
falante dirigindo a palavra de cima para baixo: a dona
da firme voz que discursava no meio dos que a acompanhavam
no palco estava gripada.
Mas cada vez que ela acabava de falar
(em diversas ocasiões precisou interromper o que
dizia para poder tossir e assoar o nariz com toda elegância
que lhe era permitido), senador, deputado, ex-governador,
secretários, prefeitos, vice-prefeito, vereador,
dirigente de partido e os interessados em aparecerem ao
lado da Governadora corriam em peso para abraçar-lhe,
apertar-lhe a mão e cumprimentar-lhe com beijinhos
e abraços ignorando totalmente a recomendação
nacional dos cuidados higiênicos para a não
contaminação da gripe H1 e N1.
Nada fazia com que ao menos um dos políticos
ou pretensos candidatos a alguma coisa se afastasse do
muco nasal que o ar do espirro expulsava pela narina mais
poderosa daquela manhã. Nem mesmo quando a mandatária
maior do estado, elegantemente e disfarçadamente
como qualquer pessoa comum do povo, pois a senhora de
pulso firme é povo. Visto que ela se preocupa com
os da classe baixa, mas não ficou preocupada se
passaria vexame lá do alto do tablado.
E de um jeito desembaraçado enxugou
a mão suja de secreção no vestido,
com o sorriso de quem não era culpada e completava
a ação esfregando uma mão na outra,
aparentemente simbolizando que a imunidade estava ativada,
todos poderiam pegar em sua mão: os corajosos e
os medrosos ansiosos para agradá-la, mesmo que
pegassem o resfriado governamental. E não deu outra,
as mãos robustas quase se cansaram de tantos afagos.
As costas femininas e delicadas da dona
do discurso inflamado serviram de base para tapinhas amigáveis
de mãos, que os donos torceram para no momento
dos abraços, eles se transformarem em uns felizardos
e levarem com eles a gripe que se gabariam durante os
próximos quinze dias. O contágio transmitido
pelo poder, não incomoda, revigora os contaminados
que ocupam a parte de trás do palanque.
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