Para o Haiti, tudo o que o Brasil não tem
segunda-feira, 01/02/10 - 20h37
Isto é o que pode ser chamado
de caridade esdrúxula para encher os olhos do mundo.
No tempo dos meus avôs a sabedoria deles estava
sempre repetindo “quem não pode com o pote
não pega na rodilha”. E eles também
diziam “não se descobre um santo para cobrir
outro”. Mas, infelizmente o grande Estadista Global
(antes que o mundo o reconhecesse como Estadista, eu o
reconheci por diversas vezes) não se recorda dos
dizeres dos avôs dele, porque se recordasse perceberia
que o país mesmo com a economia andando com seus
próprios pés (segundo o Ministro da Fazenda)
não é esta potência que se esmera
em ser. Não tem a costa tão larga que suporte
pagar a conta dos outros, se ainda não correspondeu
com a conta dos seus necessitados do atendimento do SUS.
O brasileiro miserável periférico
está morrendo à míngua, pois não
consegue sequer uma consulta com um médico em um
Posto de Saúde, ao menos para ouvir de viva voz,
que ele vai morrer porque não pode comprar o remédio
receitado, pois as farmácias públicas não
possuem no estoque nem mesmo os genéricos para
salvá-los da morte certa. É verdade! O coitado
do doente para conseguir marcar uma consulta nos hospitais
de Urgência e Emergência da rede pública
precisa ficar na fila, das cinco horas da manhã
até as quinze horas, para receber uma senha dizendo
que ele deve voltar naquela unidade de saúde no
prazo de seis meses, nove meses ou um ano. Depende da
sorte do pobre azarado. Geralmente 50% dos infelizes não
voltam. Eles morrem antes.
Aparentemente o Ministro da Saúde
e os que liberaram os 135 Milhões de Reais para
enviar para o Haiti, não estão sabendo que
o SUS está passando por esta situação
caótica. Nos hospitais faltam médicos, medicamentos,
leitos, enfermeiros, pessoal administrativo de apoio,
comida para os doentes e ambulâncias.
A bendita farmácia popular não
tem a cara do BRASIL, ela é muito sofisticada como
poucas farmácias particulares. Instalações
caras, o conforto do ar-condicionado, funcionários
atendendo diretamente nos computadores para verificar
os estoques dos remédios que estão sempre
em falta. A venda só é feita mediante a
apresentação da receita médica (que
o coitado do pobre e necessitado doente só consegue
depois de meses de espera) isto é um achincalhe
para o miserável necessitado de tomar o remédio
para adiar o dia da sua morte. A farmácia basicamente
está atendendo os menos necessitados, aqueles que
pagam consulta particular. Aparentemente elas são
farmácias de primeiro mundo, não merecem
o nome de popular.
Bem que poderia ter sido reservado (para
contratar médicos plantonistas nas farmácias,
que fariam consultas relâmpagos) um percentual dos
milhões de reais que foram enviados ao custo da
morte de milhões de miseráveis, que não
conseguem sequer ver a cara do médico em um Posto
de Saúde. A possibilidade de comprarem uma medicação
barata e prescrita pelo doutor clínico geral, associada
com a fé de que o medicamento vai curá-los,
salvaria a vida de milhares de brasileiros que morrerão
na penúria mesmo sem um terremoto na periferia
onde eles moram. É complicado entender esta caridade
extravagante em que o Ministro da Saúde fomenta
através de um projeto, a proposta de remeter para
o HAITI valores elevadíssimos que seriam da maior
importância se fosse utilizados aqui mesmo dentro
do país nos postos de urgência e emergência
do setor público.
No dia 27 de janeiro de 2010, com o título
de COOPERAÇÃO INTERNACIONAL o Ministério
da Saúde informou com o tom de vitória estas
coisas mirabolantes e absurdas, que serviriam muito mais
para serem escondidas do que anunciadas, já que
as medidas representaram a usurpação de
bens de saúde que beneficiariam os miseráveis
desta pátria, para beneficiar os seus iguais daquela
outra pátria.
“MP autoriza recursos para reestruturação
da saúde no Haiti, R$ 135 milhões serão
utilizados em ações como a construção
de 10 Unidades de Pronto Atendimento.”
“O governo federal abriu nesta
quarta-feira (27) crédito extraordinário
no valor de R$ 135 milhões para o plano de auxílio
e reestruturação de saúde do Haiti.
O projeto, apresentado no último dia 21 pelo Ministério
da Saúde, prevê a construção
de 10 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e o envio
de 50 ambulâncias para o país atingido por
terremotos. A proposta inclui a organização
da atenção básica, capaz de atender
cerca de 80% dos agravos de saúde, e o apoio aos
trabalhos da Pastoral da Criança no Haiti. Entre
as ações, o Ministério da Saúde
prevê o aumento de R$ 3,5 milhões no repasse
para a Pastoral da Criança, fundada por Zilda Arns
Neumann na década de 80, com o objetivo de que
a entidade possa continuar o seu trabalho no Haiti”.
“SUPORTE – O plano prevê
ainda o suporte de equipes de profissionais de saúde
para assistência imediata à população,
serviços de saúde temporários e atividades
de prevenção e controle de doenças
transmissíveis, uma média de 30 profissionais
por mês”.
“A UPA será enviada em partes
pré-fabricadas no Brasil. Os módulos serão
encaminhados por navios e montados no Haiti por brasileiros.
O custo das dez unidades será de R$ 50 milhões.
Outros R$ 60 milhões serão utilizados para
custear o trabalho dos profissionais da saúde que
atenderão nessas unidades. As UPAs são do
tipo 3, com até 20 leitos e capacidade para atender
até 450 pessoas por dia, cada uma. E cada unidade
terá consultórios de pediatria, clínica
médica, odontológica e de ortopedia, além
de laboratório clínico e salas de raios-x,
gesso, sutura, medicação e nebulização”.
“As 50 ambulâncias do Serviço
de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) a
serem doadas ao Haiti serão equipadas com a aparelhagem
de UTI móvel (Unidade de Tratamento Intensivo).
O serviço será uma ferramenta de integração
entre o atendimento ao cidadão, UPAs e hospitais.
O custo total é de R$ 10 milhões”.
“O plano também prevê
o atendimento dos agravos mais comuns, além da
promoção de saúde e medidas de prevenção
de doenças. Para isso, consultores devem estruturar
um programa de Saúde da Família local. A
partir da atenção básica, cerca de
80% dos problemas de saúde podem ser solucionados,
desafogando o atendimento de urgência e emergência”.
"Cada equipe de Saúde da
Família é composta por um médico,
um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e entre cinco
e seis agentes comunitários. O grupo tem por missão
fazer o acompanhamento básico da população,
o que envolve o atendimento, a recuperação,
a reabilitação e a manutenção
da saúde da comunidade”.
“O Ministério da Saúde
encaminhou, no último dia 22, para a Base Aérea
do Rio de Janeiro, cerca de 150 toneladas de medicamentos
e insumos para as vítimas do terremoto no Haiti.
Os medicamentos são doações da Farmaguinhos/Fiocruz
(40 toneladas) e arrecadações da Secretaria
de Estado de Saúde de Goiás, que entrou
em contato com diversos laboratórios do estado
(aproximadamente 110 toneladas). Na remessa, estão
incluídos antiinflamatórios antibióticos
e anti-hipertensivos, entre outros medicamentos”.
Se esta inacreditável fortuna
em dinheiro chegasse um dia diretamente nas mãos
dos Diretores dos Hospitais de Urgência e Emergência
de um dos dois estados: norte ou nordeste. Milhares de
vidas seriam salvas, um número incalculável
de doentes seria consultado e outro tanto de crianças
deixariam de crescer raquíticas e mortas de fomes,
se as entidades filantrópicas de lá recebessem
o aumento de R$ 3,5 milhões no repasse idêntico
ao que foi concedido para a Pastoral da Criança,
fundada por Zilda Arns Neumann.
Continuando no terreno da hipótese
de que seria encaminhada cerca de 150 toneladas de medicamentos
e insumos para um destes dois estados, o povo de lá
se tornaria visionário ou acenderia as superstições
dele, de que o fim do mundo estava chegando, por este
motivo ele tomaria remédios sem precisar pagar
e viveriam felizes e sadios até o fim dos tempos.
O informativo deveria carregar o título
sugestivo de: COOPERAÇÃO EM BUSCA DE AFIRMAÇÃO
NO MUNDO FINANCEIRO.
E o país verde e amarelo que possui
milhões de doentes para ajudar (no norte e no nordeste
principalmente) deveria ter deixado que as dezenas de
Nações Resolvidas Economicamente PEGASSEM
SUAS RODILHAS, PARA CARREGAREM SEUS POTES, CHEIOS DE OSTENTAÇÕES
E FALSAS CARIDADES DE CUNHOS PROMOCIONAIS!
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