Belém, com jeito de província
segunda-feira, 04/02/08– 17h56
A cidade está sempre maquiada com expressões
do glorioso passado histórico. Acorda Belém! Vivencia
o presente, deixa guardado o que você vivenciou em tempos
não muito distantes, nos cômodos soturnos na companhia
dos que já morreram, alguns deles se dizem vivos, respirando
e justificando que você é mantida olhando para trás
porque consideram que esta condição retrógrada
é um bem capitalizável. Tudo isso é mentira,
balela, só existe uma verdade verdadeira: você é
uma capital! Tratada sem o devido respeito, carinho ou consideração,
pois tratam-na como se fosse uma mulher feia que não merece
atenção. Os que a administram, alardeiam para os
quatro cantos do município a alegria do seu aniversário,
estampam por toda cidade os seus 392 anos, decantam com a força
máxima das suas verbas publicitárias que estão
trocando as suas roupas, transformando-a em mais formosa do que
era antes. Não fica claro se o antes a que eles se referem
é um ano atrás, ou 390 anos longínquos que
estão esquecidos e sem memória viva para comparar
as duas belezas: a de agora e a de antigamente.
Os titulares dos departamentos competentes; e
os secretários das pastas encarregadas do estudo do assunto,
são cegos de visões embaciadas não enxergam
as desordens — de uma quase quatrocentona que anseia tornar-se
uma metrópole — que estão por toda parte,
não, não tenho a intenção de enumerá-las,
vou discutir apenas uma delas: o congestionamento do trânsito.
Faço questão de especificar o perímetro desastroso,
que está localizado da Lomas até o viaduto da BR,
que dá acesso para a Cidade Nova no trecho da rodovia federal,
pertencente a também provinciana Ananindeua tão
maltratada quanto você, que vive ressentida por não
conseguir galgar o patamar de grande cidade.
Mas, como a aniversariante pode transformar-se
no que ela deseja, se os que lidam com o tráfego, aparentemente
nunca viajaram para lugares de imenso fluxo de veículos!
Não! Com certeza não tiveram oportunidades de realizarem
viagens culturais, que os esclarecessem no quesito: carros congestionados.
As sinalizações da Av. Almirante Barroso (AB) e
da BR até o ponto crucial em que acontecem os engarrafamentos
provocam ataques de risos em qualquer viajante que tenha extensa
quilometragem rodada em grandes centros urbanos. Os lugares onde
são feitos os retornos e as entradas das ruas transversais
na pista de rolamento do trânsito da AB e da BR, são
motivos de piada. Eles estão próximos uns dos outros.
Uma distância equivalente a quinhentos, mil e mil e quinhentos
metros. Brincadeira! Com tamanha proximidade, não é
aconselhável chamá-los nem mesmo de retorno para
bicicleta, os ciclistas rodam estas lonjuras com uma mão
e um pé amarrados nas costas. As cidades que tiverem a
pretensão de evoluírem na escala da modernidade,
só poderão conquistar o que almejam se contarem
com administradores competentes e desbravadores, que não
tenham medo do progresso e que não estejam comprometidos
com qualquer tipo de facção política ou ramificações
empresariais. Partindo-se desse perfil dos que ocupam os cargos
de mandatários da cidade pretensiosa, caberá a eles
mudarem radicalmente todos retornos existentes ao longo da AB
e da BR, sem a preocupação ou receio de desagradar
empresários, comunidades e classes sociais. Porém,
não poderão esquecer da necessidade de investimentos,
se não puderem executar projetos de grandes viadutos, pois
que executem projetos de pequenos viadutos, que viabilizarão
melhorias visionárias para a trafegabilidade dos que entram
e dos que saem desta futura metrópole que aniversaria.
As adaptações práticas,
inteligentes e de urgentíssima necessidade, que serão
executáveis independentes de investimentos — nos
pequenos viadutos que ficarão para depois — se forem
vistas apenas de relance parecerão difíceis, na
verdade são fáceis. Ficariam assim:
— Do viaduto ao entroncamento desapareceriam todos os retornos,
eles são inviáveis, dão a impressão
de fachada de cidade tupiniquim feiarrona. São eles os
grandes causadores daquele engarrafamento desnecessário
existente no perímetro acima citado, fica sempre parecendo
que eles estão ali para beneficiarem empresas, entidade
de classe, conjunto residencial ou pessoas influentes.
— Os detentores do poder para determinar essas modificações
radicais, precisam conscientizar-se, que o sujeito proprietário
de um veículo tem como sua primeira obrigação
possuir condições financeiras de conduzi-lo devidamente
abastecido pelas vias de trânsito obrigatório da
cidade que ele estiver trafegando. Qualquer um entre eles, que
não corresponder a esta obrigatoriedade, não estará
apto a circular motorizado por ruas de cidade grande. Ele então
que ande de ônibus, pois assim não atrapalhará
o fluxo de tráfego em rodovia dos que estão adequados
a trafegarem nela sem se preocuparem com o combustível.
— Diante da retirada dos retornos prejudiciais. Os carros,
que trafegarem no sentido Ananindeua/Belém, retornarão
no entroncamento tendo uma única parada no semáforo
do shopping center Castanheira. E os que estiverem rodando no
rumo de Belém/Ananindeua só farão uma parada
na travessia do shopping e irão retornar no viaduto. Quando
a rodovia estiver livre dos empecilhos que proliferavam o seu
leito, adeus engarrafamento! E palmas para os que vierem a executar
a missão modernista e corajosa!
— Se a questão for bem analisada. É possível
que os poderosos consigam perceber, que a missão poderá
ser executada sem a necessidade de coragem, pois parece evidente,
que os motoristas gastarão menos, rodando livremente em
uma pista desimpedida em comparação com ficar parado
durante horas queimando combustível. A economia pode até
não acontecer, mas que ele vai economizar tempo e estresse!
Ah, isso ele vai!
Os problemas que se repetem a partir do entroncamento
até a Lomas, com a mesmíssima precisão dos
citados e detalhados com as propostas de resoluções
deverão receber os mesmos cuidados daqueles que foram solucionados
em tese. Acrescentando nas eliminações os acessos
das ruas transversais que desembocam na AB com o direcionamento
de atravessá-la ou apenas acessá-la fazendo o uso
de semáforo.
— Os quatro sinais que funcionam atualmente na AB para permitirem
a entrada e a saída do aeroporto servem para afirmarem
categoricamente, que os especialistas lotados nas pastas do tráfego,
não são tão peritos como deveriam ser. E
também ajudam a provocarem a lentidão do trânsito
e a transformá-lo em um caos. Mediante o investimento de
uma pequena monta, quase irrelevante se for considerado o benefício
que será alcançado: a eliminação do
engarrafamento. O cruzamento em questão funcionará
com apenas um semáforo.
Parabéns minha querida Belém! Este
é o presente que eu lhe dou, além de sempre engrandecê-la
nas orelhas dos meus romances.
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