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Edvan Brandão

Escritor Ficcionista

edvan.brandao@gmail.com

Marituba - Pará

 

Os malefícios do futebol

quarta-feira, 29/11/06 – 08h46

O Técnico do profissional

A tábua de salvação quando ele chega no time, todo embrulhado em papel de presente para a torcida, o bom, o melhor, o cara que sabe tudo de futebol, com a técnica dele o time vai vencer e a torcida vai amansar. É este o pensamento do Cartola, mas ele só pensa assim porque ele já perdeu a cabeça, dentro da cachola dele não tem mais pensamento que se aproveite, quando ele troca o técnico é porque o time já afundou na lama, está só com a cabeça do lado de fora do lamaçal ou então o técnico anterior criou vergonha na cara pediu demissão e sumiu.

Todo e qualquer técnico de futebol é técnico? É realmente um sujeito que entende de futebol, que está preparado tecnicamente para treinar um time? Não! Não é mesmo! Tem muito técnico de futebol que de técnico não tem nada!

O técnico ruim, enganador, mascarado, posudo é fácil de identificar, quando o incompetente chega no novo clube que o contratou, com raríssimas exceções, faz tudo igual como ele fez no antigo clube onde ele treinava o time perdedor e que por isto ele foi demitido. Com as derrotas do time anterior, o técnico ruim não aprende nada, não tira delas nenhum aprendizado, o cabeça-de-bagre é burro de nascença, ele repete todos os erros porque não sabe fazer diferente, não sabe raciocinar e não sabe aprender. Quando o técnico chega no novo clube ele procura antes de qualquer coisa tomar conhecimento da relação do time titular que vinha jogando. Ele nunca, de forma alguma, nem mesmo em sonho, coloca o time para jogar um amistoso com qualquer time, até com um time da periferia valeria a experiência para ele conhecer o elenco jogando. A lógica diz que o meio de um técnico conhecer o jogador é vê-lo jogando, e um primeiro amistoso dirigido pelo novo técnico do time, sempre teve e sempre terá a tendência de transformar-se em um jogo disputado. Depois do jogo, aí sim, o técnico teria condição de escalar o time dele já conhecendo um pouco do futebol de cada um dos jogadores do elenco sem a preocupação de saber quem estava jogando no time antes dele chegar e quem não estava.

A segunda providência do técnico ruim é afastar a metade dos jogadores titulares que estavam jogando no time, do meio do campo para frente ele encosta todos, nenhum dos jogadores presta. O raciocínio do técnico ruim é simples: se eles prestassem o time estaria vencendo. Mas espera aí, o técnico a função dele não é ensinar, treinar e preparar os jogadores? Por que ele não ensina, treina e prepara os jogadores ao invés de afastá-los do elenco? A resposta é simples: técnico ruim não sabe ensinar, treinar e preparar jogadores. Na verdade ele não é técnico de futebol, não entende nada de futebol, não tem nem mesmo a capacidade de observação de distinguir a característica futebolística de cada um dos seus jogadores. O técnico ruim se diz técnico porque alguém lá atrás no passado dele, deu a chance para ele treinar um time qualquer e passou a chamá-lo de técnico e para o azar dos clubes, ele acreditou.

Técnico ruim sabe fazer muito bem, e como sabe! Ele coloca a bola no meio do campo, se reveste do poder recebido do presidente do clube, deixa os coletes descansarem sobre o gramado, para logo em seguida distribuí-los um por um para os jogadores, fazendo pose de homem poderoso. Mas a entrega dos coletes é uma loteria, ele nunca sabe o que está fazendo, no fundo ele só está torcendo para que os jogadores escolhidos entrem no jogo e façam tudo certinho, por eles mesmos. Que eles sejam aplicados em nome das carreiras deles. É por isto que o técnico ruim, todas às vezes antes do jogo começar, ele toca no ombro dos jogadores mais esforçados do grupo e diz “Vai lá joga o que tu sabes, coloca em prática tudo o que tu aprendestes ao longo da tua carreira” ele jamais diz “Vai lá e joga o que eu te ensinei” porque o técnico tem consciência que não ensinou nada para o jogador, tudo o que o jogador sabe aprendeu por sua própria vontade na adolescência. Ah! Mas tem um item que o técnico ruim se esmera e como ele se esmera, faz com tanta competência que chega a treinar em frente do espelho, é uma necessidade que ele carrega com ele dia e noite: provar que é ele que manda no time.

Todos os cartolas de times participantes de campeonatos nacionais e regionais deveriam em comum acordo com suas Federações Estaduais, discutirem baseados na inteligência e na democracia em nome da necessidade de ao menos conservarem a integridade financeira dos seus clubes contra esta malfadada figura do técnico que não é técnico de futebol. Pelo menos criar uma norma para separá-los em categoria nominativa de acordo com as suas realizações nos clubes por onde eles passaram. Os cartolas poderiam instituir pontuações para determinados itens da maior importância na qualidade do trabalho de um técnico de futebol. As pontuações teriam o poder realístico de colocá-los em categorias de acordo com os seus feitos de vitórias e derrotas. Categorias que poderiam ser parecidas com estas: super técnico, grande técnico, técnico, quase técnico, aspirante de técnico.

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Este tipo de coisa só poderá acontecer partindo da vontade dos cartolas, que encaminharão para as federações a idéia já triturada e passada no crivo. Junto com a idéia peneirada apresentarão o argumento de quanto será vantajoso para os clubes. A negociação com os técnicos será mais fácil; a arrogância de cada técnico ficará restrita à categoria que ele ocupar, nem mais nem menos; salário tabelado por categoria (é um sonho? Sim, pode até ser! Mas é um sonho realizável!) com tabela progressiva atrelada a permanência no clube e evolução do time. Só assim, o verdadeiro técnico de futebol poderá ser identificado.

 
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