Os miseráveis
amam? E eles também comem!
sexta-feira, 29/06/07– 17h08
Pasmem! Os homens poderosos, aqueles
que carregam nas canetas deles o poder de mandar fazer
e desfazer. Acreditam durante o dia e a noite, que os
miseráveis só sabem praticar violência.
Não é por aí, a veia jugular é
mais para a esquerda, se procurar e encontrar pode furar
que ela não vai sangrar. Viver uma vida de miséria
é fazer malabarismo de várias formas. Quando
o dia amanhece o sujeito dá pinote para tudo quanto
é lado, amanhece em um cubículo de madeira
apelidado de barraco, ele e a família dormindo
no chão. Deitados grudados uns nos outros, cobertos
por molambos fedorentos. Digamos que a família
do referido seja formada por: mulher, dois adolescentes
e duas crianças. Depois que toda família
estiver acordada e de pé no meio do barraco, o
pensamento será um só: o que vamos comer
hoje? Não! Eles não pensam nada diferente
disto! Qualquer outro tipo de reflexão será
inútil imaginar para eles. Pois se revelará
inadmissível para os estômagos deles! Sim,
eles pensam com os estômagos, porque é lá
que está doendo a necessidade deles! Nada é
mais importante para eles do que matar a fome, pelo menos
comer qualquer coisa, eles não exercem o prazer
da escolha! Em nenhum momento eles se dedicam a detectar
a diferença de uma coisa para outra, do tipo: o
feio e o bonito, o limpo e o sujo, a alegria e a tristeza,
o conforto e o desconforto, o bem e o mal, o certo e o
errado.
Depois de horas pensando a mesma coisa
e sem encontrar uma resposta, eles então partem
para um segundo pensamento, precisamos arranjar comida
de qualquer jeito, custe o que custar! Este é o
momento crucial! É aí que reside o perigo,
o nascedouro da violência, onde tudo começa.
E neste momento o Governo deveria estar preparado para
responder a primeira pergunta do indivíduo e da
família dele. O Governo carrega nas costas, a responsabilidade
de sanar os problemas e proteger todo cidadão.
Sem exceção, do miserável ao milionário.
E o caminho mais curto seria suprir suas principais necessidades.
O Governo não pode se escusar dos seus compromissos,
não deve tirar da lembrança, que foi ele
de livre e espontânea vontade que escolheu ser Governo.
Também não deveria deixar as resoluções
nas mãos dos seus Ministros, a responsabilidade
não é deles, eles não escolheram
ser Governo, foram escolhidos e convidados para assumirem
suas pastas, alguns deles assumem a contragosto, por vaidade,
sem nenhum sentimento cívico ou social, acreditando
que só devem gratidão ao Presidente e ao
Partido. E o Povo que se lixe! Ele – o Ministro
– não precisou do Povo para assumir a pasta.
É por tudo isto que o Governo deve corresponder
aos anseios de cada uma das duas classes, se fizer isto
estará combatendo a violência. O sujeito
miserável necessita de comida, então o responsável
pela pasta que engloba o abaste-cimento deveria oferecer
meios para o dito-cujo se alimentar. Porque se tiver o
alimento, ele não chega a formalizar o terceiro
pensamento, vamos praticar assaltos, e vamos dispostos
para matar, se alguém tem que morrer, que morra
os do lado de lá! O cidadão que vai ser
assaltado e assassinado será exatamente o que acreditou
no homem que pediu para ser Governo, mas que infelizmente
não correspondeu com suas expectativas, porque
transferiu obrigações que seriam dele, para
os seus nomeados, que assumiram as pastas da Segurança,
da Comilança, da Comiseração, da
Suscitação, da Argumentação.
Por outro lado o milionário necessita de condições
favoráveis para investir. Ele clama por juros baixos.
Porque afirma e reafirma, que no momento em que for atendido
em suas pretensões surgirão investimentos
e vagas no mercado de trabalho. Com empregos disponíveis
no país, muitos dos delinqüentes irão
trabalhar e não terão mais os três
primeiros pensamentos do dia. E a violência cairá
assustadoramente, desaparecerá a necessidade de
praticar assaltos com mortes.
A fórmula para baixar os juros
e para fornecer gêneros alimentícios, eu
tenho convicção que o Governo conhece, com
certeza melhor do que eu, mas mesmo assim, não
vou me esquivar de apontar o meu jeito de fazer. Ele é
simples demais, só precisa de: dinheiro, decisão
de Estadista e disposição para acabar com
a violência. O fornecimento seria feito através
de grandes galpões que seriam construídos
a toque de caixa, construções pré-moldadas,
eles seriam supermercado do povo, poderiam receber o nome
de “Bolsões”. Com a simples intenção
de facilitar o controle, iniciariam fornecendo apenas
vinte itens. Para adquirir os produtos do Bolsão,
o necessitado, só precisaria se cadastrar juntamente
com toda família, e imediatamente conquistaria
o direito de receber um quilo – para cada uma das
pessoas residentes na mesma casa - de quatro itens escolhidos
entre os disponíveis no Bolsão, com isso,
eles poderiam exercer o direito de escolha entre vinte
opções. O fato de poder escolher faria com
que não se sentissem constrangidos. A oferta dos
produtos teria que ser feita com dignidade, em lojas apresentáveis,
confortáveis e com atendimentos respeitosos e dedicados.
Aí sim, diante da existência da possibilidade
de receberem atendimentos adequados e com a certeza de
que comeriam todos os dias, nunca mais os esfomeados teriam
os três primeiros pensamentos do dia.
Bom! Agora só falta responder
se os miseráveis amam ou não. Sim! Eles
amam os familiares deles! E é por isto que praticam
assaltos e cometem crimes bárbaros, em troca de
quantias irrisórias. Mas veja bem: a importância
só será insignificante para quem estiver
cheio do dinheiro e sem a preocupação de
querer saber o que irá comer no presente dia? O
miserável quando se coloca diante das vias de fato:
a execução do assalto. Correndo o risco
de morrer e decidido a matar! Não está preocupado
em saber quanto roubará? Qualquer valor serve.
O importante é que seja suficiente para ele e os
familiares dele comerem naquele dia do assalto. Depois
do terceiro pensamento. Logo em seguida eles vão
para a rua assaltar e matar novamente. Não é
o roubo que está em jogo, de maneira nenhuma! Ele
sozinho ou em companhia dos membros da família
em condições de apoiá-lo no assalto
criminoso, não o praticam com a intenção
de trazerem rios de dinheiro para casa, só querem
o necessário para o dia! Não estão
preocupados com o outro dia, acreditam de boa-fé,
que o crime o proverá. Quem tem intenção
de angariar envelopes cheios de dinheiro são os
Ministros. Principalmente o da pasta da energia! E eles
são exigentes, o dinheiro tem que ser entregue
no escritório, em espécie e livre de impostos!
Entre os dois ladrões, qual dos dois comete maior
violência contra o país? Esta é uma
resposta difícil, só um homem íntegro,
acima de qualquer suspeita poderá responder! Que
tal o presidente do Senado? Não! Não é
aconselhável perguntar para ele? Então quem
deverá apontar os culpados pela violência
no país? Sim, este que estamos pensando é
bem provável que aponte, ele tem um jeitão
de povo, caneta poderosa, linguajar sofrível, muitos
podres já explodiram perto dele, mas nem ao menos
o respingaram! Se ele continuar assim e agregar um pouco
mais de boa vontade, vai desbancar grandes nomes da história
e sem a menor cerimônia sentará nos assentos
deles! Faço votos que ele se encha de boa vontade,
e ao invés de apontar o culpado, ele resolva amenizar
a violência transformando os Bolsões em realidade!
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