A Divisão do Pará
sábado, 20/02/10 - 11h40
É lamentável que o cacique do PMDB, Jader
Barbalho, que já declarou que o povo do Pará
tem por ele uma "benquerença" e, segundo
sua emissora informa, ser ele o mais cotado para voltar
a governar o Estado, tenha se posicionado a favor do
plebiscito, porém, quanto ao seu resultado se
abstém. Isso realmente é uma postura lamentável
para quem já governou por duas vezes a Nação
Pará... Uma posição não
digna de um bom parauara. Deveria ser contra, pois tenho
certeza que é a vontade da maioria dos paraenses.
Acredito que até tenha interesse na divisão,
pois vem investindo nas duas cidades que seriam as capitais
dos dois novos Estados, Marabá (Carajás)
e Santarém (Tapajós). E eu, não
tenho nenhuma sombra de dúvida que se houver
a separação, Jader Barbalho será
o primeiro governador do futuro Carajás. Que
o diga o tempo.
A separação está subliminada desde
que o PT assumiu a governança do nosso Estado,
pois sua logomarca nada mais é de que a bandeira
do Pará fatiada em cinco pedaços, só
que dois são vermelhos. Pensando nos fatos que
vêm acontecendo, para avivar mais a memória
de quem não se preocupa com a divisão,
o grupo RBA de Comunicação vem efetuando
grandioso investimento no sul do Pará, a exemplo
em Marabá, onde o sistema de comunicação
(broadcasting) de sua propriedade, TV RBA Canal 2, foi
recentemente instalada.
Lamentavelmente! Palavra sempre usada pelo dep. Federal
Jader Barbalho em seus pronunciamentos, discursos e
entrevistas. Só que os paraenses ainda não
se deram conta que o Pará é o Estado mais
rico da nação, local onde é explorado,
e levado através do vizinho estado do Maranhão,
milhões de toneladas de minério, e que
daqui a pouco estarão exauridos. É só
voltar ao passado e lembrar Serra Pelada e o buraco
que ela deixou no meio ambiente, pois, por lá
muitos saíram ricos.
O ‘cabo de guerra’ a favor e contra a
divisão territorial do Pará está
em andamento, mas numa surdina que até dá
medo à Matinta Perera. De um lado, o Dep. Fed.
Zenaldo Coutinho redobra o trabalho contra a divisão
e envia ofício a todos os parlamentares pedindo
que não votem a favor do plebiscito. Do outro
lado, Giovani Queiroz (o importado), e Lira Maia (mocorongo
da nata) estão à frente para que se realize
a divisão, e atuam junto ao presidente Michel
Temer.
Para quem não sabe, a divisão trará
imensuráveis prejuízos para a Nação
Pará em todos os sentidos, o que devemos na realidade
é evitar que esses ‘importados’ se
elejam e fiquem a representar nosso povo. O que falta
mais é a presença do Estado nos 144 municípios
do Pará, com investimentos em todos os segmentos.
E que não mudem a constituição,
pois todos os paraenses, por dever de ofício,
possuem direito a voto e não somente os que moram
nessas regiões, no oeste e no sul do Pará.
Na realidade se a separação do Estado
do Pará ocorrer só posso lamentar e dizer:
Venho somar aos poucos deputados estaduais anti-separatismo
e a todos os que empunham a bandeira de que, ao invés
de democratizar riquezas, a divisão territorial
só irá aumentar a pobreza do Estado.
Como bem foi postado por Ciane Mufarrej em um blog.
“A divisão do Pará pode representar
a repartição só da pobreza para
a grande maioria, e a concentração de
mais riquezas nas mãos de poucos, através
de uma espécie de “loteamento” dos
recursos naturais renováveis e não renováveis
ainda existentes. O Pará já é dividido
administrativamente em Municípios, o que precisamos
é mais seriedade, eficiência e menos desperdício
na aplicação de recursos públicos.
Se criarem os Estados de Tapajós e Carajás,
o Pará vai ficar só com a parte degradada
do nordeste paraense e com a faixa de população
mais pobre, ou seja, com um gigantesco passivo ambiental,
social e econômico, enquanto as imensas riquezas
florestais, minerais e faunísticas, ou seja,
bióticas e abióticas, que não rendem
eficientemente aquilo que deveriam ao Pará, irão
todas definitivamente “pelo ralo”.
Em vez de dividir, está mais que passada a hora
de se fazer, com seriedade e eficiência, uma revisão
histórica do processo de desenvolvimento do Pará.
E nessa análise, necessariamente, tem que ser
incluída uma revisão crítica das
relações com os mega exploradores dos
nossos recursos naturais. Essa revisão se faz
necessária, sobretudo, pela razão de ser
o Pará detentor não apenas das maiores,
mais importantes e diversificadas jazidas minerais e
reservas florestais do Brasil, mas por abrigar potencialmente
no seu território aquele que é também
o insumo básico para todo e qualquer projeto
na área da indústria de transformação:
a capacidade hídrica de geração
de energia.
Portanto, sou contra a divisão do Pará
(criação de outros Estados), a menos que
provem o contrário, através da apresentação
de estudos técnicos responsáveis dos impactos
econômicos, tributários, sociais e ambientais
da pretensa divisão, mostrando os ativos e passivos
nos diferentes cenários, e me convencer de que
estamos equivocados”.
Sabe o que querem? Um governador, três senadores,
‘trocentos’ deputados... Só não
dizem quem vai pagar a conta, ao se ‘espichar’.
Era só o que faltava... Mutilar o Pará
para aumentar o número de políticos salafrários.
Daqui a pouco o Sarney se engraça de ser senador
por Santarém. Como pode uma cidade ter pretensão
de ser capital de um estado numa região de PIB
menor que o de Guarulhos? Se a moda pegasse lá
por São Paulo, forneceria mais viabilidade para
se fragmentar em mais de 600 estados. Se Estado pequeno
fosse garantia de desenvolvimento, o de Sergipe seria
a superpotência brasileira, mas não é!
Coitadinho do Pará, nossa terrinha será
lotada por brasileiros de todos os rincões da
Pátria, considerando que o paraíso é
aqui mesmo, ‘terra de ninguém’, ou
‘terra de todos’, terra farta de onde tudo
se leva ‘no queixo’ sem deixar nada ou muito
pouco, que o diga a Vale, Eletronorte, Alcoa, Imerys
RCC entre outras instaladas em solo paraense. Coisa
pior será a construção da UHE de
Belo Monte, já apelidada de Belo ‘Monstro’
pois distribuirá Brasil afora 80% de sua geração
de energia e os 20% que ficarem será somente
para o uso próprio, ou seja, gerar a propulsão
de suas turbinas, e por isso mesmo, oremos a oração
VERDE E AMARELA:
“Pará nosso que está um céu
/ Santificado seja o NOSSO nome / Venha a NÓS
o vosso reino / Seja feita a NOSSA vontade / Assim na
terra como um céu / O pão nosso de cada
dia é dos DAÍ hoje / Perdoai as nossas
ofensas / Assim como NÃO PERDOAMOS a quem nos
tenha ofendido / Não nos deixeis cair em COMPENSAÇÃO
/ Livrai-nos do mal... Amém!”.
Peço a Deus que proteja o Pará da sanha
dos mutiladores geográficos.
E tenho dito...!