A Lei Maria da Penha faz 3 anos
quinta-feira, 06/08/09 - 16h00
Em 1893 o professor universitário Marco Antonio
Herredia por duas vezes tentou matar sua mulher, a biofarmacêutica
Maria da Penha Maia, que tinha 38 anos e três
filhas, entre 6 e 2 anos de idade. Na primeira vez deu
um tiro e ela ficou paraplégica, na segunda,
tentou eletrocutá-la. A partir daí lutou
durante aproximadamente 20 anos para ver seu agressor
e algoz condenado. Entretanto a investigação
começou em junho do mesmo ano, mas a denúncia
só foi apresentada ao Ministério Público
Estadual em setembro de 1984. Oito anos após
o crime, Antonio Herredia foi condenado a oito anos
de prisão, porém entre os recursos jurídicos
que foram efetuados para protelaram o cumprimento da
pena.
Quando o caso chegou à Comissão Interamericana
dos Direitos Humanos da Organização dos
Estados Americanos (OEA), foi acatado de pronto, ou
seja, pela primeira vez, uma denúncia de um crime
de violência doméstica. Herredia, foi preso
em 28 de outubro de 2002 e cumpriu dois anos de prisão.
Hoje, está em liberdade.
A Lei de Violência Doméstica e Familiar
contra a Mulher foi sancionada pelo presidente Lula,
no dia 7 de agosto de 2006, e recebeu o nome de Lei
Maria da Penha Maia. “Essa mulher renasceu das
cinzas para se transformar em um símbolo da luta
contra a violência doméstica no nosso país”,
afirmou o presidente.
A nova lei altera o Código Penal e permite que
agressores sejam presos em flagrante ou tenham a prisão
preventiva decretada. Também acaba com as penas
pecuniárias, aquelas em que o réu é
condenado a pagar cestas básicas ou multas. Altera
ainda a Lei de Execuções Penais para permitir
que o juiz determine o comparecimento obrigatório
do agressor a programas de recuperação
e reeducação.
A lei também traz uma série de medidas
para proteger a mulher agredida, que está em
situação de agressão ou cuja vida
corre riscos. Entre elas, a saída do agressor
de casa, a proteção dos filhos e o direito
de a mulher reaver seus bens e cancelar procurações
feitas em nome do agressor. A violência psicológica
passa a ser caracterizada também como violência
doméstica.
Hoje, no seu terceiro ano, a Secretaria Especial de
Políticas para as Mulheres comemorou data, no
Auditório da SPM (Via N1 Leste S/nº, Pavilhão
das Metas, Praça dos 3 Poderes - Zona Cívica
-Administrativa informando o balanço da Central
de Atendimento à Mulher - Ligue 180 - e lançamento
de Prêmio de Boas Práticas, onde os dados
revelam que ligações efetuadas ao Ligue
180, que só no primeiro semestre de 2009, houve
um aumento de mais de um terço no número
de atendimentos quando comparados ao mesmo período
do ano passado - mais de 45% deles atendimentos são
referentes a informações sobre a Lei Maria
da Penha. Balanço traz, também, perfil
de usuárias, ranking dos estados e regiões.
Prêmio - Prêmio Boas Práticas
na Aplicação, Divulgação
ou Implementação da Lei Maria da Penha.
Criado para estimular a correta aplicação
da legislação, será concedido às
pessoas físicas ou jurídicas indicadas
por terceiros, cujos trabalhos ou ações
merecem especial destaque no enfrentamento à
violência doméstica e familiar contra a
mulher. São cinco as categorias disponíveis:
Implantação de programas e políticas;
Criação e implementação
de serviços; Idealização ou realização
de campanhas; Realização de estudos e
pesquisas e; Realização de matérias
jornalísticas.
Participações: Nilcéa
Freire, ministra da SPM, Tarso Genro, ministro da Justiça,
Andréa Pachá, juíza do Tribunal
de Justiça do Rio de Janeiro, Cecília
Sardenberg, coordenadora do Observatório de Monitoramento
da Implementação da Lei Maria da Penha,
Maria da Penha, farmacêutica que deu nome à
Lei e Maria Iracema Souza dos Santos, beneficiada pela
Lei, na Bahia e integrante da 'Campanha 16 dias de ativismo
pelo fim da violência contra as mulheres'.