Adeus ao Mensestrel Benedicto Monteiro
sábado, 14/06/08 - 21h46
Foto arquivo: Calderaro, Bené
e Luis Alho
O
Pará acaba de perder uma das maiores expressões
literárias da atualidade que recentemente foi
em vida homenageado pela agremiação carnavalesca
Império do Samba ‘Quem São Eles’
no carnaval de 2008, cujo enredo foi cuidadosamente
elaborado por Jamil Mouzinho, com o tema “Bem
Dito Seja Benedicto – O Homem da Amazônia”.
O tema nada mais, nada menos, foi direcionado à
uma das mais ilustres personalidades da literatura do
Pará, Benedicto Monteiro, conhecido nacional
e internacionalmente.
Falar de Benedicto Monteiro é quase impossível,
dado as suas façanhas como escritor, político
e até mesmo como um árduo defensor da
Amazônia que foi.
Nascido em Alenquer, em 1924, lançou seu primeiro
livro 'Bandeira Branca', prefaciado por Dalcidio Jurandir
em 1945, no Rio de Janeiro e compôs seu primeiro
romance, 'Verde Vago Mundo' no interior de uma prisão
militar depois de caçado em 1964. Uma das marcas
do perfeccionismo do autor foi a desarticulação
calculada de seu romances; portanto, a tetralogia não
têm início nem fim, como na realidade amazônica,
tão profundamente unida apesar de sua aparente
caótica desagregação. Suas obras
em tetralogia são: 'Verde Vago Mundo', 'O Minossauro',
a 'Terceira Dimensão', 'Aquele Um', e 'Como Se
faz Um Guerrilheiro' que há muito lançou.
Por conhecermos sua vida em todos os sentidos, esse
ilustre conterrâneo nos deus a oportunidade de
também concorremos na disputa do samba enredo
do carnaval em 2008, da qual não fomos os vencedores,
mas orgulhosamente ficamos em segundo lugar, com a letra
do samba sendo escrita por mim e pelo jornalista e escritor
Luis Alho, com o tema “Bem dito seja o Benedicto,
História viva do Pará, e que em nossa
letra não deixamos de exaltar ‘Quem São
Eles te consagra, neste mar de poesias, nos dá
asas pra voar”, e “Alenquer sua terra natal,
Verde Vagomundo de ilusões, viajar nessa magia
eu e todas as Marias, nas águas de todos os rios.
Mas, são os designos de DEUS que nos remetem
à essa transição entre a vida e
a morte, Benedicto Monteiro, faleceu hoje às
20h00, com 84 anos de idade, e deixa um legado inerente
à sua carreira, e por que não dizer que
suas obras são incomparáveis, se é
realmente, dentro do padrão ético que
sempre possuiu, e continuou sendo incomparável,
único e invulgar.
Revolucionou a história do Pará em vários
textos e livros que escreveu, considerado uma das celebridades
nacionais, ele na realidade foi um mestre, os prêmios
abiscoitados que o digam, e que não foram poucos.
Contudo, sofreu, sofreu sim, um arranhão muito
grande quando foi preso pela Aeronáutica em plena
ditadura militar, o que fez com ele fosse CAÇADO
e após ser eleito como deputado novamente CASSADO.
Dois momentos inoportunos em sua vida em defesa da Amazônia
Alcançou os mais nobres e elevados vôos
literários, mesmo assim continuou sendo o mesmo
caboclo de sempre, ximango, nunca negou suas origens,
e nunca se deixou envolver pela tola vaidade das fugazes
glórias humanas, preferindo manter-se na obscuridade,
cultivando a árdua e profícua caminhada
dos simples e humildes, mas que só os sábios
ousam palmilhar.
Nossa homenagem foi e será eterna a esse amazônida
que muito orgulha não só o Pará
como também o Brasil e o mundo.
ASSOCIAÇÃO CULTURAL RECREATIVA E CARNAVALESCA
IMPÉRIO DO SAMBA “QUEM SÃO ELES”
Letra para o festival de Samba Enredo Carnaval 2008
ENREDO: “BEM DITO SEJA BENEDICTO - O HOMEM DA
AMAZÔNIA”
Compositores: Jorge Calderaro e Luiz Alho
Interpretes: Ney Fera e Silvinho da Beija Flor
BEM DITO SEJA BENEDICTO
Abençoado fruto da floresta
Anjo rebelde regado de amor e paixão
Homem da Amazônia, com sonhos de reformas alto
preço pagou
Nem com todos os arbítrios, sua voz emudeceu!
Na Justiça e na Política, sempre foi um
lutador
Segue firme em seus anseios, conquistando corações.
No mundo da literatura, um menestrel a navegar
E no Carro dos Milagres, as graças alcançadas
no Círio de Nazaré
É Corda trançada de gente, é gente
grudada na fé.
Alenquer, sua terra natal
Verde Vagomundo de ilusões
Viajar nessa magia, eu e todas as Marias,
nas águas de Todos os Rios. (BIS)
Acene a Bandeira Branca, num gesto de amor e paz
Sem medo da Cobra Grande a Aldeia está em festa
Um Ximango a cantar.
Bem dito seja o Benedicto
História Viva do Pará
Quem São Eles te consagra
neste mar de poesias
nos dá asas pra voar. (BIS)