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Jorge Calderaro

Jornalista, Escritor e Historiador
jc@acordapara.com.br
Belém - Pará - Amazônia - Brasil
 

Analfabetismo pode ser moda...?

sábado, 20/06/09 - 21h45

Quando demos oportunidade para que o cacique Tô Cunsca Alho, e o Aji na Moita, o único japonês de olhos grandes, criassem a coluna Horrível, foi simplesmente para mostrar aos cibernautas que acessam o Acorda Pará, site particular sem auspícios do governo ou de empresas particulares, que sobrevive, e vem crescendo vertiginosamente nesses sete anos de existência, sendo visitado em 25 países, e feito nos moldes do Pará de outrora, que foi terra de notórios e intelectuais, porém, hoje, as mudanças têm sido radicais, especialmente na área da educação, do saber e da intelectualidade.

Recentemente o STJ decidiu pela não exigência do diploma de jornalismo o que de um lado achamos correto e do outro não, vejamos. Ninguém nasce sabendo, falando ou escrevendo, certo?

Porém existem alguns jornalistas com diplomas que são verdadeiros ‘analfabetos’, pois, por mais que tenham frequentado uma IES, muitos não aprenderam a forma de redigir, informar, e nem a de falar corretamente (sem vícios de linguagem) etc. e tal. Isso é um dom que tem que ser somado ao curso de jornalismo. A verve vem de berço, e não se aprende em nenhuma universidade. Que o diga meu amigo e acadêmico da APL Nazareno Tourinho.

Como a Lei de Imprensa caiu 'morro abaixo', cada qual responda no cível e no crime por seus escritos, suas informações e suas palavras na mídia. Agora o que não podemos é ficar assistindo de 'camarote' como leitor, ouvinte ou telespectador tamanhas asneiras e burrices que são proferidas por 'jornalistas' dos grandes grupos de comunicações do Estado do Pará, e muitos do Brasil afora, que trazem a notícia com tamanha desinformação, e um detalhe, segundo consta, todos com diploma universitário. Uma verdadeira aberração, com erros grosseiros, como os que são aproveitados e publicados na Coluna Horrível, em forma de sátira, para que, pelo menos, diminuam a intensidade e frequência dos erros. Não que não possamos errar também, mas se faz necessário maior cautela quando se trata de informação. Erramos sim, mas temos o dever de levar ao conhecimento do público ávido por informações algo que some à cultura, e que não venham a fazer o famoso ‘brainwashing’ (lavagem cerebral) na cabeça do povo, como vemos, lemos e escutamos diariamente em várias notícias e informes publicitários na capital paraense.

Acabo de receber e ler o jornal, edição de domingo, de ‘O Liberal’ que veicula a notícia que o ‘Maior índice de analfabetismo é do Pará’, Cenário Ruim, do montante nacional, 4,1% são oriundos do Estado. Situação analisada pelo MEC. Matéria enviada da sucursal de Brasília com autoria de Thiago Vilarins.

Na realidade, essa informação não é absurda não, pois lembro que uma vez, a convite do presidente da Academia Paraense de Letras, estive naquela Casa, e por ocasião da cantata do hino do Pará chegou uma equipe de imprensa local, onde uma jornalista com tamanho desconhecimento de causa perguntou que hino era aquele em execução. É por esse e outros motivos que digo: O ‘Diploma’ nem sempre está à altura da capacidade intelectual do profissional de comunicação.

Outro caso fatídico, ano passado, por ocasião da XII Feira Pan-Amazônica do Livro, evento do Governo do Estado do Pará coordenado pela Secretaria de Cultura – SECULT, uma docente de uma IES local, no Estande dos Escritores Paraenses perguntou à que horas poderia entrevistar Eneida de Morais (pode?), e noutra ocasião perguntei 'graciosamente' à uma fotógrafa de um grande jornal que operava no estande por ocasião do lançamento de um livro, aonde poderia falar e pedir um autógrafo do escritor Dalcídio Jurandir e ela com tamanha prudência e sabedoria, respondeu: - 'ele está ali autografando, passei por lá ainda há pouco' (pode?). Como vemos o desconhecimento de nossa história é total, por parte desses profissionais, pois neste ano - 2009 - comemoramos o centenário de nascimento desse ilustre caboclo, escritor e jornalista marajoara. E não pensem que é mentira, pois tenho várias testemunhas que me ladeavam.

A educação no Pará é uma lacuna que deverá ser preenchida com agilidade, pois além de educar os jovens, tira-os das ruas, da pedofilia, do trabalho escravo, dos vícios entre outros ilícitos. E que os ‘diplomados’ sejam mais eficazes em seus afazeres, deixando de lado a informação ‘politiqueira’ e que não fiquem somente cumprindo suas missões de ‘empregados’ dos grandes grupos de comunicação, mas que criem mecanismo para opinarem buscando o crescimento de nossa Nação Pará. A realidade está explicitada na matéria de ‘O Liberal’.

Devemos sim, cobrar com eficácia dos governos ações que venham ao encontro do anseio da população para que coloquem em marcha escolas estaduais e municipais para que maximizem a cultura e a sociabilidade desses jovens, e que no futuro possam ter um pouco de cultura, e o tal 'diploma' que muitos acham que só podem sobreviver com ele. Como no caso de alguns jornalistas. No vasto universo paraense ou amazônico como em qualquer outro ponto do planeta o homem ainda é o elemento mais importante, desde que educado para tanto.

Então, não estamos errados em ter criado a coluna Horrível, e os dois correspondentes estão orgulhosos de ter idealizado o espaço para o site Acorda Pará, pois ela está com repercussão nacional. Não queremos dar deméritos a ninguém, somente pedimos que os ‘jornalistas’, ‘apresentadores’ e ‘locutores’ não passem informações erradas sobre o Pará, sem querer e já plagiando Boris Casoi, isso é uma vergonha...

Diga não ao analfabetismo, inclusive aos dos ‘jornalistas’ graduados também...

E Viva o Pará! Verde e Viva a Amazônia...

 

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