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Jorge Calderaro

Jornalista, Escritor e Historiador
jc@acordapara.com.br
Belém - Pará - Amazônia - Brasil

 

Barcarena virou uma ‘barcaça - arena’ de poluição e mentiras

sexta-feira, 08/05/09 - 10h45

Mentir faz bem à saúde, mas assim é demais!

Li a nota paga que a Alunorte divulgou nos jornais, mas aqui no Acorda Pará não vão pagar, ninguém quer receber esse tipo de 'gorjeta', ainda mais para acobertar as ‘sacanagens’ que estão fazendo com o nosso Pará, e, em especial, com a nossa vizinha cidade de Barcarena, pois o futuro dessa cidade, como já publicado neste veículo independente, será a nova ‘Cubatão do Brasil’, desta vez implantada em plena selva Amazônica, simplesmente por falta de gestão governamental.

Mesmo as águas do rio Murucupi estando em 'condições normais de pH', a empresa continua 'fazendo monitoramento', como afirma a nota da Alunorte. E também admitiram o transbordamento de rejeitos de bauxita, mas alegaram que irão comprovar, através de laudos, que o rio já era poluído. Mitomania completa ou mais uma mentira verdadeira ou 'true-lie' desenfreada que pode ser frequentemente encoberta, mas nunca extinta?... A verdade é que a Alunorte é a pioneiríssima naquele distrito industrial, e se as águas já estavam poluidas... Tire suas próprias conclusões, aquelas águas já vem sendo poluídas há longas datas!

Tenho certeza que o problema é a inexistência de uma rede de monitoramento eficiente por parte do Estado, e ‘cuidado!’ Pois essa informação eles vão usar como argumento de defesa para qualquer ação jurídica contra a empresa poluidora, posto que não se possa determinar a quantidade, a qualidade e a origem dos elementos tóxicos prejudiciais à saúde humana. É difícil, ou impossível, determinar os teores? E como cada empresa lá estabelecida já contribuiu ou lançou em termos de poluição na rede hidrográfica e no próprio ar, até o presente momento, será que ninguém sabe e ninguém viu também? Só sabemos que a poluição existe e ninguém pode negar.

O que explica a falta de interesse político em colocar em prática uma rede de monitoramento ambiental como a reconhecida tecnologia existente preconiza? Essa é uma pergunta que fica no ar, pois nos últimos anos, o que temos visto e vivido no Pará ‘Terra de Direitos’ é tudo o que é de mais imoral, ilegal, ilícitos entre outros adjetivos, que não caberia e seria impróprio citar.

Olá governadora! Olha as notícias contra o Pará, será que ainda temos chances de ser uma das cidades sede da Copa do Mundo em 2014? Veja bem, existem vários países interessados na Amazônia. Lembra do discurso no presidente Barack Hussein Obama quando se referiu ao Brasil em especial à Amazônia?

Na realidade, aqui no Pará a Lei do Poluidor Pagador não funciona mesmo, e ela vem sendo discutida no plano político há muito tempo, e o princípio foi formalmente incorporado pela OCDE, ainda em 1972, sendo assumido, em 1973, pela CEE, que o incluiu no seu "Primeiro Programa de Ação”, fazendo parte hoje, por força do Ato Único, dos ordenamentos de todos os países comunitários. Pasme governadora! Desde 1972 (preste atenção na data), foi ha três décadas passadas, no segundo milênio, e não no quarto, viu... Diga para seus assessores não confundirem quando assinarem os documentos de liberação de licenças ambientais entre outras...

É válido lembrar que participei da primeira reunião da Comissão de Meio Ambiente da OAB-PA, representando a ONG - Amazônia Nossa Terra, logo após aquela outra tragédia em Barcarena, o penúltimo vazamento daquela empresa francesa que explora caulim, que apesar de ter entregue ofício e um estudo sobre meio ambiente à presidenta da OAB-PA, Dra. Ângela Sales, e ao presidente da Comissão de Meio Ambiente, Dr. Sérgio Victor Saraiva, até hoje, ninguém sabe quais providências foram tomadas, se houve assinatura do TAC pela Imerys RCC quando do rompimento da Bacia de Rejeitos nº 3, no dia 11 de junho de 2007, que contaminou o meio ambiente, e, se foram aplicadas multas, quais foram os valores?

E, só para conhecimento de V.Exa., Imagine só! Princípio pollueur-payeur, em francês significa, princípio "quien contamina paga" ou "contaminador-pagador", em espanhol. E por aqui não se vê isso, somente sabemos que o IBAMA aplica multas quase que diariamente, de valores altíssimos, então o erário deve estar bem ‘polpudo’... Será que eles estão pagando ou foram 'anistiados', ou, caso contrário, onde está sendo aplicado o valor arrecadado com essas multas?

Agora o governo fica publicando notas inverídicas no intuito de ‘enganar’ a população. Agora, me enganar está muito difícil, sabe por que não conseguem? Porque a terra, os rios e o ar – fazem parte da mãe natureza, e disso eu entendo por ser ribeirinho do Baixo Amazonas, e disso eu entendo muito bem, melhor que vários de seus assessores.

E, se a senhora entender que deve tomar conhecimento do estudo que enviei à OAB, também posso enviar-lhe uma cópia, pelo menos, ficará mais bem assessorada e ao par do que significa o meio ambiente no contexto em debate.

Pará – A ‘Nação’ mais rica do mundo

E tenho dito.

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