Belém será palco do Fórum Social Mundial
terça-feira, 02/12/08 - 20h45
FSM a vez de Belém e da Amazônia
No próximo ano, de 27 de Janeiro a 1º
de Fevereiro, Belém será a sede do Fórum
Social Mundial, evento de âmbito internacional, organizado
por movimentos sociais que objetivam celebrar a diversidade, discutindo
temas relevantes, sempre buscando alternativas que julgam ser
adequadas para todas as questões sociais. A decisão
para a realização do evento em Belém foi
tomada pelo Conselho Internacional do Fórum Social Mundial,
em reunião realizada em Berlim, na Alemanha, no final de
Maio de 2007.
Com o lema "Um outro mundo é possível",
o FSM é realizado desde 2001, e as datas em que o encontro
é realizado são escolhidas para coincidir com o
Fórum Econômico Mundial, que ocorre na cidade suíça
de Davos. O objetivo do evento é criar um espaço
de encontro que favoreça a construção internacional
de alternativas ao que seus organizadores consideram como "pensamento
único neoliberal". Os debates, mesas-redondas e exposições
dessa edição do FSM irão girar em torno dez
blocos de objetivos, com 2400 atividades propostas, 4 mil organizações
e 43 mil delegados já inscritos.
Dez objetivos orientam as ações
do 9º FSM
1. Pela construção de um mundo de paz, justiça,
ética e respeito pelas espiritualidades diversas, livre
de armas, especialmente as nucleares;
2. Pela libertação do mundo do domínio do
capital, das multinacionais, da dominação imperialista
patriarcal, colonial e neo-colonial e de sistemas desiguais de
comércio, com cancelamento da dívida dos países
empobrecidos;
3. Pelo acesso universal e sustentável aos bens comuns
da humanidade e da natureza, pela preservação de
nosso planeta e seus recursos, especialmente da água, das
florestas e fontes renováveis de energia;
4. Pela democratização e descolonização
do conhecimento, da cultura e da comunicação, pela
criação de um sistema compartilhado de conhecimento
e saberes, com o desmantelamento dos Direitos de Propriedade Intelectual;
5. Pela dignidade, diversidade, garantia da igualdade de gênero,
raça, etnia, geração, orientação
sexual e eliminação de todas as formas de discriminação
e castas (discriminação baseada na descendência);
6. Pela garantia (ao longo da vida de todas as pessoas) dos direitos
econômicos, sociais, humanos, culturais e ambientais, especialmente
os direitos à alimentação (com garantia de
segurança e soberania alimentar), saúde, educação,
habitação, emprego, trabalho digno e comunicação;
7. Pela construção de uma ordem mundial baseada
na soberania, na autodeterminação e nos direitos
dos povos, inclusive das minorias e dos migrantes;
8. Pela construção de uma economia democratizada,
emancipatória, sustentável e solidária, com
comércio ético e justo, centrada em todos os povos;
9. Pela construção e ampliação de
estruturas e instituições políticas e econômicas
(locais, nacionais e globais) realmente democráticas, com
a participação da população nas decisões
e controle dos assuntos e recursos públicos.
10. Pela defesa da natureza (Amazônia e outros ecossistemas)
como fonte de vida para o Planeta Terra e aos povos originários
do mundo (indígenas, afro-descendentes, tribais, ribeirinhos)
que exigem seus territórios, línguas, culturas,
identidades, justiça ambiental, espiritualidade e bom viver.
Outras informações sobre o Fórum Social Mundial/Belém
- deverão ser obtidas no site do FSM
Eventos já realizados:
O FSM foi realizado pela primeira vez em janeiro de 2001, na cidade
de Porto Alegre – RS. As segunda e terceira edições
também foram realizadas na cidade dos Pampas, em 2002 e
2003, respectivamente. A quarta edição do FSM aconteceu
em Mumbai, na Índia, em janeiro de 2004. Já em 2005
o Fórum voltou a ser realizado na capital gaúcha.
Porém a edição do FSM de
2006, que foi programada para ser realizada simultaneamente, em
três continentes: África, Ásia e América
Latina tiveram um de seus eventos adiado por causa do terremoto
ocorrido na cidade de Karachi, no Paquistão, em 2005. Mas
os outros dois eventos foram realizados na cidade de Bamako, em
Mali, e em Caracas, na Venezuela.
Em 2007, a vez foi de Nairóbi, no Quênia,
sediar o evento, onde os movimentos de sociedade civil africana
foram os grandes protagonistas. A cerimônia teve encerramento
realizado no Parque Uhuru, aonde os participantes chegaram vindos
de uma maratona iniciado no bairro de favelas de Korogocho.
No ano de 2008, não houve um evento centralizado
do FSM, mas sim uma Semana Mobilização Global que
culminou num Dia de Ação Global, em 26 de Janeiro
de 2008. Nessa data, entidades, movimentos e pessoas participantes
do processo do FSM fizeram ações, atividades, eventos,
performances e convergências sobre temas e em formatos que
escolheram nos quatros cantos do planeta.
A vez do Pará! Um outro mundo é
possível?
Com a (des)ordem instalada mundialmente onde se observa as maiores
atrocidades cometidas pelo ser humano, no Brasil e especialmente
no Pará, não é raro estarmos na mídia
nacional e internacional, com crimes cometidos contra a natureza
em especial ao meio ambiente, mas felizmente o governo tanto Federal
quanto o Estadual tem oprimido essa força econômica
que está instalada destruindo o meio ambiente. O que se
observa é que o mundo está em desordem pelo simples
fato de que os homens que criam as regras e ditames se vêem
livres do que eles mesmos impõem ao mundo globalizado.
Não queremos ser críticos, até
porque é louvável a iniciativa de Belém abrigar
um evento desse porte e dessa magnitude social, e que deixará
de certo nossa capital em vantagens em vários segmentos
em relação às outras da nação.
Sabemos, no entanto, que o FSM será de grande valia em
todos os sentidos, aguçando o turismo de um modo geral,
gerando empregos e trazendo divisas para nossa nação
Pará.
A realização do evento em território
paraense deve mostrar ao mundo a grandeza deste chão abençoado
por Deus e pela natureza. Deverá despertar o sentimento
pelo amor a terra em muitas pessoas e que realmente busquem soluções
que venham a contribuir para o desenvolvimento da região
e a melhoria de vida de nossos habitantes.
Devemos sim, sermos pragmáticos não
somente durante a realização do evento, mas que
a seqüência de todos os debates, independente dos temas
que forem abordados, seja colocada em prática, pois, nossa
região é de grande extensão territorial,
rica por natureza, cuja diversidade é inigualável
comparada a outras regiões do país, nossa cultura,
nossa fauna, nossa floresta e nosso minério. Sabendo que
nunca é tarde para construirmos algo que venha ao encontro
da ansiedade de um povo ávido para que realmente o estado
do Pará seja reconhecido de fato como um dos mais importantes
do Brasil, seja na história ou na riqueza que é
peculiar, pelos motivos já citados. Sempre haverá
tempo de construir algo novo, basta acreditar no potencial turístico,
agroindustrial, florestal, mineral e histórico que o Pará
oferece e sua importância para a nação e o
mundo.
Por outro lado, sabemos que não faltarão
críticos com ‘cipós’ de motivos para
desqualificar o evento. Mas terão que concordar que o FSM,
sem sombra de dúvidas, será muito importante para
a cidade de Belém como para todo o estado do Pará,
pois teremos oportunidade em hospedar e ouvir pessoas com grande
conhecimento de causa, como alguns dos conferencistas e debatedores
já confirmados, pois será muito edificante.
Esperamos também que grupos radicais,
sejam eles da esquerda, da direita, do centro ou de qualquer outra
posição - se é que ainda podemos confiar
nessas definições - não usem esse momento
ímpar para manifestações violentas, tentando
assim denegrir nosso Estado bem como nossas autoridades constituídas,
até porque o momento não será oportuno e
quem o fizer, com certeza será reprimida a altura. E para
que o brilho do evento não seja ofuscado por algum motivo
alheio a organização, os responsáveis terão
que redobrar a atenção e a segurança.
Em síntese, esperamos que durante o evento
as discussões sejam salutares e proveitosas, e que no encerramento
do FSM sejam divulgadas ‘receitas’ bem acabadas e
consideradas concretas e possíveis de implementação
a tudo o que abespinha nossos habitantes. Como disse uma vez Victor
Hugo, "Primeiro foi necessário civilizar o homem em
relação ao próprio homem. Agora é
necessário civilizar o homem em relação à
natureza e aos animais". Então é de grande
valia que o governo e a sociedade reconheçam que no vasto
e rico universo amazônico, como em qualquer outro ponto
do planeta, o homem e a natureza são elementos importantes.
Resta preservar a Amazônia, pois, ela sempre continuará
sendo necessária. O pulmão do mundo!
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