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Jorge Calderaro

Jornalista, Escritor e Historiador
jc@acordapara.com.br
Belém - Pará - Amazônia - Brasil
 

Belém será palco do Fórum Social Mundial

terça-feira, 02/12/08 - 20h45

FSM a vez de Belém e da Amazônia

No próximo ano, de 27 de Janeiro a 1º de Fevereiro, Belém será a sede do Fórum Social Mundial, evento de âmbito internacional, organizado por movimentos sociais que objetivam celebrar a diversidade, discutindo temas relevantes, sempre buscando alternativas que julgam ser adequadas para todas as questões sociais. A decisão para a realização do evento em Belém foi tomada pelo Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, em reunião realizada em Berlim, na Alemanha, no final de Maio de 2007.

Com o lema "Um outro mundo é possível", o FSM é realizado desde 2001, e as datas em que o encontro é realizado são escolhidas para coincidir com o Fórum Econômico Mundial, que ocorre na cidade suíça de Davos. O objetivo do evento é criar um espaço de encontro que favoreça a construção internacional de alternativas ao que seus organizadores consideram como "pensamento único neoliberal". Os debates, mesas-redondas e exposições dessa edição do FSM irão girar em torno dez blocos de objetivos, com 2400 atividades propostas, 4 mil organizações e 43 mil delegados já inscritos.

Dez objetivos orientam as ações do 9º FSM
1. Pela construção de um mundo de paz, justiça, ética e respeito pelas espiritualidades diversas, livre de armas, especialmente as nucleares;
2. Pela libertação do mundo do domínio do capital, das multinacionais, da dominação imperialista patriarcal, colonial e neo-colonial e de sistemas desiguais de comércio, com cancelamento da dívida dos países empobrecidos;
3. Pelo acesso universal e sustentável aos bens comuns da humanidade e da natureza, pela preservação de nosso planeta e seus recursos, especialmente da água, das florestas e fontes renováveis de energia;
4. Pela democratização e descolonização do conhecimento, da cultura e da comunicação, pela criação de um sistema compartilhado de conhecimento e saberes, com o desmantelamento dos Direitos de Propriedade Intelectual;
5. Pela dignidade, diversidade, garantia da igualdade de gênero, raça, etnia, geração, orientação sexual e eliminação de todas as formas de discriminação e castas (discriminação baseada na descendência);
6. Pela garantia (ao longo da vida de todas as pessoas) dos direitos econômicos, sociais, humanos, culturais e ambientais, especialmente os direitos à alimentação (com garantia de segurança e soberania alimentar), saúde, educação, habitação, emprego, trabalho digno e comunicação;
7. Pela construção de uma ordem mundial baseada na soberania, na autodeterminação e nos direitos dos povos, inclusive das minorias e dos migrantes;
8. Pela construção de uma economia democratizada, emancipatória, sustentável e solidária, com comércio ético e justo, centrada em todos os povos;
9. Pela construção e ampliação de estruturas e instituições políticas e econômicas (locais, nacionais e globais) realmente democráticas, com a participação da população nas decisões e controle dos assuntos e recursos públicos.
10. Pela defesa da natureza (Amazônia e outros ecossistemas) como fonte de vida para o Planeta Terra e aos povos originários do mundo (indígenas, afro-descendentes, tribais, ribeirinhos) que exigem seus territórios, línguas, culturas, identidades, justiça ambiental, espiritualidade e bom viver.
Outras informações sobre o Fórum Social Mundial/Belém - deverão ser obtidas no site do FSM

Eventos já realizados:
O FSM foi realizado pela primeira vez em janeiro de 2001, na cidade de Porto Alegre – RS. As segunda e terceira edições também foram realizadas na cidade dos Pampas, em 2002 e 2003, respectivamente. A quarta edição do FSM aconteceu em Mumbai, na Índia, em janeiro de 2004. Já em 2005 o Fórum voltou a ser realizado na capital gaúcha.

Porém a edição do FSM de 2006, que foi programada para ser realizada simultaneamente, em três continentes: África, Ásia e América Latina tiveram um de seus eventos adiado por causa do terremoto ocorrido na cidade de Karachi, no Paquistão, em 2005. Mas os outros dois eventos foram realizados na cidade de Bamako, em Mali, e em Caracas, na Venezuela.

Em 2007, a vez foi de Nairóbi, no Quênia, sediar o evento, onde os movimentos de sociedade civil africana foram os grandes protagonistas. A cerimônia teve encerramento realizado no Parque Uhuru, aonde os participantes chegaram vindos de uma maratona iniciado no bairro de favelas de Korogocho.

No ano de 2008, não houve um evento centralizado do FSM, mas sim uma Semana Mobilização Global que culminou num Dia de Ação Global, em 26 de Janeiro de 2008. Nessa data, entidades, movimentos e pessoas participantes do processo do FSM fizeram ações, atividades, eventos, performances e convergências sobre temas e em formatos que escolheram nos quatros cantos do planeta.

A vez do Pará! Um outro mundo é possível?
Com a (des)ordem instalada mundialmente onde se observa as maiores atrocidades cometidas pelo ser humano, no Brasil e especialmente no Pará, não é raro estarmos na mídia nacional e internacional, com crimes cometidos contra a natureza em especial ao meio ambiente, mas felizmente o governo tanto Federal quanto o Estadual tem oprimido essa força econômica que está instalada destruindo o meio ambiente. O que se observa é que o mundo está em desordem pelo simples fato de que os homens que criam as regras e ditames se vêem livres do que eles mesmos impõem ao mundo globalizado.

Não queremos ser críticos, até porque é louvável a iniciativa de Belém abrigar um evento desse porte e dessa magnitude social, e que deixará de certo nossa capital em vantagens em vários segmentos em relação às outras da nação. Sabemos, no entanto, que o FSM será de grande valia em todos os sentidos, aguçando o turismo de um modo geral, gerando empregos e trazendo divisas para nossa nação Pará.

A realização do evento em território paraense deve mostrar ao mundo a grandeza deste chão abençoado por Deus e pela natureza. Deverá despertar o sentimento pelo amor a terra em muitas pessoas e que realmente busquem soluções que venham a contribuir para o desenvolvimento da região e a melhoria de vida de nossos habitantes.

Devemos sim, sermos pragmáticos não somente durante a realização do evento, mas que a seqüência de todos os debates, independente dos temas que forem abordados, seja colocada em prática, pois, nossa região é de grande extensão territorial, rica por natureza, cuja diversidade é inigualável comparada a outras regiões do país, nossa cultura, nossa fauna, nossa floresta e nosso minério. Sabendo que nunca é tarde para construirmos algo que venha ao encontro da ansiedade de um povo ávido para que realmente o estado do Pará seja reconhecido de fato como um dos mais importantes do Brasil, seja na história ou na riqueza que é peculiar, pelos motivos já citados. Sempre haverá tempo de construir algo novo, basta acreditar no potencial turístico, agroindustrial, florestal, mineral e histórico que o Pará oferece e sua importância para a nação e o mundo.

Por outro lado, sabemos que não faltarão críticos com ‘cipós’ de motivos para desqualificar o evento. Mas terão que concordar que o FSM, sem sombra de dúvidas, será muito importante para a cidade de Belém como para todo o estado do Pará, pois teremos oportunidade em hospedar e ouvir pessoas com grande conhecimento de causa, como alguns dos conferencistas e debatedores já confirmados, pois será muito edificante.

Esperamos também que grupos radicais, sejam eles da esquerda, da direita, do centro ou de qualquer outra posição - se é que ainda podemos confiar nessas definições - não usem esse momento ímpar para manifestações violentas, tentando assim denegrir nosso Estado bem como nossas autoridades constituídas, até porque o momento não será oportuno e quem o fizer, com certeza será reprimida a altura. E para que o brilho do evento não seja ofuscado por algum motivo alheio a organização, os responsáveis terão que redobrar a atenção e a segurança.

Em síntese, esperamos que durante o evento as discussões sejam salutares e proveitosas, e que no encerramento do FSM sejam divulgadas ‘receitas’ bem acabadas e consideradas concretas e possíveis de implementação a tudo o que abespinha nossos habitantes. Como disse uma vez Victor Hugo, "Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem. Agora é necessário civilizar o homem em relação à natureza e aos animais". Então é de grande valia que o governo e a sociedade reconheçam que no vasto e rico universo amazônico, como em qualquer outro ponto do planeta, o homem e a natureza são elementos importantes. Resta preservar a Amazônia, pois, ela sempre continuará sendo necessária. O pulmão do mundo!

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