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Jorge Calderaro

Jornalista, Escritor e Historiador
jc@acordapara.com.br
Belém - Pará - Amazônia - Brasil
 

Belém, Belém será que está tudo bem?

segunda-feira, 12/01/09 – 08h10

Ontem pela manhã, eu e outro jornalista estivemos fazendo uma incursão pela Praça da República, um dos maiores patrimônios culturais de nossa cidade, que há muito, ostenta beleza imponente com seus coretos, estátuas, entre outros monumentos.

A governadora estava sendo aguardada para dar início à programação do aniversário da cidade de Belém, que acontece hoje, dia 12, quando nossa cidade completa 393 anos de existência.

Porém, o que realmente chamava a atenção de todos era que a Praça estava tão guarnecida de policiais, que até parecia que estávamos em local de guerra. Eram vários policiais militares portando metralhadoras entre outras armas pesadas. Porque somente ali? Por que não se faziam presente noutros bairros da cidade? Será que somente a governadora precisa de segurança? Algo pairava no ar!

E, exatamente à frente do palanque uma manifestação contra a impunidade que assola nosso Estado, pessoas clamando por justiça pelos fatos acontecidos com seus entes queridos, pois a insegurança está em nível máximo, onde o cidadão não possui mais o direito de ir e vir, pois se assim o fizer, não possui nenhum tipo de segurança, um Estado entregue às ‘baratas’... Numa INsegurança total, é só conferir nesses primeiros 12 dias do ano e ver quantos assassinatos por aqui aconteceram... Violência Total!

Como diria um grande político de nosso Estado, ‘lamentavelmente’, outra surpresa vergonhosa não muito rara em nossa cidade. Um garoto de aproximadamente 9 anos de idade, aparentemente drogado, deitado em cima de um pedaço de papelão, na grama. Não me contive e chamei uma pedagoga que fazia parte da manifestação para que avisasse algum militar ali presente para que o conduzisse a algum centro de reabilitação, se é que existe em nosso Estado? Pois desconheço, somente sei da existência da DATA.

Algum tempo mais tarde o garoto foi conduzido por policiais militares que o levaram até uma Kombi, até ai, tudo correto e em pleno dever de ofício. Porém fotografei a escolta do menor sem que ninguém pudesse observar. Quando chegaram à Kombi, mais ou menos oito policiais militares, entre homens e mulheres, colocaram o garoto dentro do veículo. E um deles com toda a educação que lhe é peculiar, fez uma grande observação ao garoto “vai logo deitando no chão porque isso aqui não é táxi”, o que demonstra o total desrespeito e despreparo por parte daquele militar.

Fecharam a porta do veículo, e partiram levando o garoto, não sei para onde, e esse não é um fato isolado, não. O que na realidade falta é que os governos se conscientizem que se faz necessário políticas públicas para gerir essa inconteste situação não só na cidade das mangueiras, mas como todo o estado do Pará.

 

Como bem escrito na poesia ‘Menino de Rua’ de autoria de Elaine Calderaro!

“Lá vem o menino triste - Tão sozinho e sem ninguém - Como sempre esfarrapado - Sem destino e sem vintém - Lá vem o menino triste - E como esfaimado está - Os lábios pedem alimento - Os olhos uma canção de ninar - Sozinho pelo mundo - Nenhum lar para morar - Um jornal é sua cama - Qualquer lugar serve para deitar - Sob ponte ou sobre ela - Um banco, uma calçada - Quem sabe um patamar? Pra seu corpinho repousar - Tão desnudo de esperanças - Conspurcante é seu olhar - Somente com um passadio - Se deixa maravilhar - Ao romper da aurora - Desperta e fica a esperar - Passa um, dois, três pedestres - E a ele nem mesmo um olhar - Triste e desluzido - Segue sem destinação - Mas sempre destimido - Com a esperança o coração - Quem sabe um dia alguém perceba - Que triste não é apenas ele - Mas dez, mil um milhão - Que pedem um socorro mudo - P'ra escapar deste turbilhão - Turbilhão da cidade - Turbilhão da povoação - Turbilhão da fome e miséria - Turbilhão da sedução - Sedução das coisas más - Dos homens inúteis e indolentes - Que prevalecem-se dos menores - De maneira vil e inconseqüente - Meninos - filhos adotivos da rua - Onde estarão seus pais? - Onde andarão seus irmãos? - Onde estará o governo? - Que vos promete proteção”.

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