Belém, Belém será que está tudo
bem?
segunda-feira, 12/01/09 – 08h10
Ontem pela manhã, eu e outro jornalista estivemos fazendo
uma incursão pela Praça da República, um
dos maiores patrimônios culturais de nossa cidade, que
há muito, ostenta beleza imponente com seus coretos,
estátuas, entre outros monumentos.
A governadora estava sendo aguardada para dar início
à programação do aniversário da
cidade de Belém, que acontece hoje, dia 12, quando nossa
cidade completa 393 anos de existência.
Porém, o que realmente chamava a atenção
de todos era que a Praça estava tão guarnecida
de policiais, que até parecia que estávamos em
local de guerra. Eram vários policiais militares portando
metralhadoras entre outras armas pesadas. Porque somente ali?
Por que não se faziam presente noutros bairros da cidade?
Será que somente a governadora precisa de segurança?
Algo pairava no ar!
E, exatamente à frente do palanque uma manifestação
contra a impunidade que assola nosso Estado, pessoas clamando
por justiça pelos fatos acontecidos com seus entes queridos,
pois a insegurança está em nível máximo,
onde o cidadão não possui mais o direito de ir
e vir, pois se assim o fizer, não possui nenhum tipo
de segurança, um Estado entregue às ‘baratas’...
Numa INsegurança total, é só conferir nesses
primeiros 12 dias do ano e ver quantos assassinatos por aqui
aconteceram... Violência Total!
Como diria um grande político de nosso Estado, ‘lamentavelmente’,
outra surpresa vergonhosa não muito rara em nossa cidade.
Um garoto de aproximadamente 9 anos de idade, aparentemente
drogado, deitado em cima de um pedaço de papelão,
na grama. Não me contive e chamei uma pedagoga que fazia
parte da manifestação para que avisasse algum
militar ali presente para que o conduzisse a algum centro de
reabilitação, se é que existe em nosso
Estado? Pois desconheço, somente sei da existência
da DATA.
Algum tempo mais tarde o garoto foi conduzido por policiais
militares que o levaram até uma Kombi, até ai,
tudo correto e em pleno dever de ofício. Porém
fotografei a escolta do menor sem que ninguém pudesse
observar. Quando chegaram à Kombi, mais ou menos oito
policiais militares, entre homens e mulheres, colocaram o garoto
dentro do veículo. E um deles com toda a educação
que lhe é peculiar, fez uma grande observação
ao garoto “vai logo deitando no chão porque isso
aqui não é táxi”, o que demonstra
o total desrespeito e despreparo por parte daquele militar.
Fecharam a porta do veículo, e partiram levando o garoto,
não sei para onde, e esse não é um fato
isolado, não. O que na realidade falta é que os
governos se conscientizem que se faz necessário políticas
públicas para gerir essa inconteste situação
não só na cidade das mangueiras, mas como todo
o estado do Pará.
Como bem escrito na poesia ‘Menino de Rua’ de autoria
de Elaine Calderaro!
“Lá vem o menino triste - Tão sozinho e
sem ninguém - Como sempre esfarrapado - Sem destino e
sem vintém - Lá vem o menino triste - E como esfaimado
está - Os lábios pedem alimento - Os olhos uma
canção de ninar - Sozinho pelo mundo - Nenhum
lar para morar - Um jornal é sua cama - Qualquer lugar
serve para deitar - Sob ponte ou sobre ela - Um banco, uma calçada
- Quem sabe um patamar? Pra seu corpinho repousar - Tão
desnudo de esperanças - Conspurcante é seu olhar
- Somente com um passadio - Se deixa maravilhar - Ao romper
da aurora - Desperta e fica a esperar - Passa um, dois, três
pedestres - E a ele nem mesmo um olhar - Triste e desluzido
- Segue sem destinação - Mas sempre destimido
- Com a esperança o coração - Quem sabe
um dia alguém perceba - Que triste não é
apenas ele - Mas dez, mil um milhão - Que pedem um socorro
mudo - P'ra escapar deste turbilhão - Turbilhão
da cidade - Turbilhão da povoação - Turbilhão
da fome e miséria - Turbilhão da sedução
- Sedução das coisas más - Dos homens inúteis
e indolentes - Que prevalecem-se dos menores - De maneira vil
e inconseqüente - Meninos - filhos adotivos da rua - Onde
estarão seus pais? - Onde andarão seus irmãos?
- Onde estará o governo? - Que vos promete proteção”.