CNJ promoveu audiência pública
ontem em Belém ouvindo reclamações sobre
a Justiça do Pará
quinta-feira, 18/12/08 - 14h15
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promoveu ontem
audiência pública em Belém, ocasião
em que a sociedade paraense teve a oportunidade de expor suas
reclamações e fazer sugestões sobre o Judiciário
do Pará. A reunião foi aberta pelo corregedor
nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp. O evento faz
parte de uma inspeção da Corregedoria no Judiciário
do Pará, motivada por reclamações apresentadas
ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), relacionadas à
morosidade processual entre outras irregularidades administrativas
do judiciário paraense.
Estiveram presentes entidades de classes e pessoas que possuem
ações que ‘dormitam’ em gabinetes
de juizes, esperando somente sentença. Porém,
até amanhã, ficará uma equipe do CNJ em
Belém responsável para vistoria em algumas comarcas
da capital e do interior.
O representante do Ministério Público Estadual,
procurador Cláudio Melo em tom de crítica informou
que existem 600 prefeitos denunciados no Estado e somente um
condenado. Enfatizou que o MPE tem sido exemplar no que diz
respeito às denúncias efetuadas contra prefeitos
a partir dos tribunais de contas bem como da população.
A audiência ocorreu no auditório do Fórum
Cível, onde não faltaram reclamações
contra o judiciário do Pará. A Comissão
Pastoral da Terra (CPT) relatou a dificuldade que enfrenta em
proteção de terras indígenas, na região
do Alto Rio Guamá.
Armando Zurita reclamou ao corregedor sobre a violência
que marca os conflitos agrários, a exemplo, citou que
a Justiça não fez cumprir os mandados de reintegração
de posse determinado ano passado, para uma reserva ambiental
em Tailândia. Nessa área constantemente são
vistos caminhões retirando madeira ilegalmente. Zurita
demonstrou preocupação na celeridade do cumprimento
do mandado, pois o estrago poderá não ser reparado
porque a floresta ainda é nativa. Disse ainda que os
mandados na Vara Agrária de Castanhal estão acumulados,
pois está sobrecarregada de processos em todos os níveis.
Já o desembargador aposentado e atual ouvidor agrário
estadual, Otávio Maciel informou a existência de
41 mandados pendentes na Comarca de Castanhal, 22 em Marabá,
7 em Redenção e dez em Altamira. O Ouvidor disse
que a Justiça tem feito a sua parte, no entanto a vistoria
exigida, que é de responsabilidade do Comando da Policia
Militar não tem sido cumprida por acúmulo.
A Juíza de Igarapé Miri fez relatos dos acontecimentos
naquele município, citando o recente caso da destruição
da comarca daquela cidade, falou também sobre a insegurança
dos magistrados nas cidades paraenses.
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Na foto, Calderaro -Editor de
Jornalismo, Gilson Dipp -Ministro do CNJ e Nelson Tembra
-Engenheiro Agrônomo |
O engenheiro agrônomo, Nelson Tembra fez questionamentos
a respeito da liberação de licenças ambientais
para a implantação de grandes projetos altamente
impactantes, cujos impactos ou desdobramentos refletem diretamente
na vida de milhares de pessoas, não só do ponto
de vista ambiental, mas principalmente, do ponto de vista sócio-econômico
e dos direitos humanos. Disse que é importante priorizar
ações judiciais que envolvam questões ambientais,
pois muitas vezes, quando chegam às sentenças,
os danos já são irreversíveis, pois essas
organizações gastam bilhões de dólares,
todos os anos, em uma tentativa de convencer os consumidores
de que suas operações têm um impacto mínimo
no ambiente. Mas podemos acreditar nas propagandas? Quanto desse
‘marketing ecológico’ não passa de
‘‘lavagem ambiental’?
E finalizou dizendo que as estatísticas do CNJ revelam
que há 10.858 processos concluídos há mais
de 100 dias à espera de sentença no Tribunal de
Justiça do Pará. O processo que ele move contra
o Projeto Bauxita Paragominas, da Vale, é um deles. Ele
reclamou que o processo já tramita há cinco anos,
sem que se tenha uma sentença de primeiro grau, e já
esperou cerca de dois anos pelo julgamento de recursos procrastinatórios
que, curiosamente, não impediriam o Juízo Cível
de proferir a decisão. Segundo Tembra, já faz
quase seis meses que os recursos Agravo de Instrumento e Embargos
de Declaração foram julgados desfavoravelmente
à Vale, mesmo assim a sentença ainda não
saiu.
Ao final o ministro Gilson Dipp, disse ser sabedor de que
o judiciário tem vários problemas, e que na realidade
está faltando é gestão, concursos para
juizes e servidores, investimentos e vontade política
para minorar todos os problemas que afligem o judiciário
no que diz respeito à morosidade.