Inicial | Quem somos | Fale conosco | Reclamações | Denúncias | Links | Úteis |

 

Coração! Bate no peito que nem tambor...

sábado, 30/08/08 – 09h10

por Jorge Calderaro

A doença coronária por aterosclerose é a principal causa de mortalidade no Brasil. Com a ajuda do médico, o paciente pode modificar o seu perfil e tomar-se menos suscetível a sofrer um infarto do miocárdio. Por exemplo, pacientes hipertensos associados a diabetes mellitus ou com distúrbio do colesterol e, tendo uma carga hereditária considerável para doença coronária, é considerado de alto risco. Se for fumante o risco dobra. Se for sedentário e tiver a medida da cintura acima de 102 cm, a luz vermelha está acesa, e é bom cuidar-se com urgência.

 

E como se prevenir?

É simples, primeiro, com uma alimentação balanceada (pobre em gorduras animais), manter o peso sob controle, praticar exercícios físicos, mas com bastante cautela, pois os exames de prevenção, avaliação médica periódica, hemograma, colesterol, triglicérides, glicose, teste de esforço, bem como um eletrocardiograma de repouso são necessários para uma boa saúde.

O importante é que esses fatores podem ser modificados, ou seja, trazidos aos parâmetros normais pelo paciente com a ajuda de seu médico e para que isso ocorra basta um pouco de boa vontade. No entanto, a idade avançada, o sexo masculino que é predominante para o infarto e a hereditariedade não pode ser modificado, pois são fatores inerentes à natureza humana, mas o restante sim. Comer pouco e dar boas caminhadas ou fazer exercícios diários, são primordiais para uma vida longa e saudável. Mas, existem divergências entre os especialistas sobre o tipo ideal de exercícios para quem tem hipertensão arterial essencial.

As caminhadas e as corridas leves são sempre apontadas como condutas básicas, nem sempre com aderência pelo paciente em face de sua monotonia e pouca diversificação. A vigilância médica é essencial e uma avaliação prévia clínica é imperativa. Os esportes aeróbicos como a caminhada, a hidroginástica e o ciclismo no plano são salutares, desde que não haja competição. Os exercícios isométricos como a musculação, as flexões abdominais e dos braços não são recomendáveis. Pacientes que associam a hipertensão com a insuficiência cardíaca, a diabetes não controladas, as arritmias cardíacas ou o infarto do miocárdio, nos últimos três meses, devem ser poupados da prática convencional do exercício. O paciente pode aprender a avaliar sua condição física verificando a pulsação cardíaca antes, durante e após a atividade física, com orientação médica. E vem a grande pergunta que todos gostariam de fazer.

 

É necessário mesmo consultar um médico antes de fazer exercícios?

A pergunta que dá título a este texto, na maioria das vezes, não é sequer conhecida por aqueles que abruptamente, nos dias de hoje, resolvem correr ou fazer grandes caminhadas nas ruas ou praças, ou o que é pior, jogar futebol ou praticar quaisquer outros esportes competitivos e violentos, seja no clube, no sítio ou na praia no final de semana, principalmente os indivíduos adultos, com mais de 30 anos, que normalmente nem sequer andam diariamente distâncias equivalentes a duas ou três quadras.

E é aí que mora o grande perigo, pois, hoje no mundo, 46% das mortes são causadas por uma doença chamada aterosclerose, que provoca obstrução nas artérias, principalmente do coração (Infarto Agudo do Miocárdio) e do cérebro (Acidente Vascular Cerebral), e, todos que apresentamos alguns fatores de risco, provavelmente já temos nossas pequenas placas ateroscleróticas determinando pequenas obstruções. Os fatores de risco que citamos são: o fumo, a pressão alta, a diabete, o colesterol elevado, a obesidade, a vida sem exercícios e a preocupação de todo dia. Este último é chamado na medicina de estresse ou estafa. Existem mais dois fatores em que ainda a medicina não pode interferir: a idade (no homem, acima de 35 e na mulher acima de 45 anos), e a herança genética, pois, se nossos antepassados tiveram, ou apresentam aterosclerose, com certeza herdamos o DNA para a doença.

 

Qual a relação de tudo isso com fazer exercícios sem consultar o médico?

Simplesmente porque os fenômenos agudos (Infarto Agudo do Miocárdio e Acidente Vascular Cerebral), são determinados pela quebra das placas ateroscleróticas de dentro das nossas artérias com a formação de um trombo (um coágulo de sangue) que as obstrui, podendo causar morte súbita. E o mais importante: um exercício abrupto pode desencadear o gatilho que aciona os fatores todos que determinam a quebra da placa e a formação do trombo com morte súbita.

 

E quanto à bebida alcoólica?

Nos estudos baseados em evidência demonstram que consumir um pouco de bebida alcoólica protege o coração de doença coronária como a angina do peito e o infarto do miocárdio, em virtude do aumento do bom colesterol (HDL) no sangue, e por tornarem o sangue menos viscoso por menor agregação das plaquetas. Os dados epidemiológicos mostram um fator de proteção um pouco maior para o consumo moderado de vinho, mais que a cerveja ou as bebidas destiladas, pois os efeitos protetores do vinho tinto estão relacionados com a ação antioxidante e com as atividades antiplaquetárias de seus flavonoides, que podem ser obtidos, também com a ingestão diária de dois copos de suco de uva. Desta forma, os indivíduos que consomem mais os flavonoides da uva têm uma menor incidência de ataques cardíacos.

 

Novo procedimento...

Mas, a cada ano que passa, e durante os vários congressos internacionais, em especial no Brasil, por ocasião do Congresso Anual da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista são expostos trabalhos e novas tecnologias de uma área da medicina que há duas décadas era usada apenas para exames diagnósticos, a exemplo a cinecoronariografia, ou vulgarmente cateterismo cardíaco, que era um exame para diagnosticar a doença nas artérias coronárias, que quando presente no individuo era tratada geralmente por cirurgia de pontes de safena ou mamárias, então o médico cateterista só fazia o diagnóstico e o cirurgião resolvia.

Entretanto, na década de 70, na Europa, houve o começo de tratamentos de doenças com um pequeno tubo chamado cateter, que desencadearam o tratamento da doença coronária percutânea, ou seja, o paciente é tratado via um cateter que penetra por uma artéria do braço, do punho ou da perna, alcançando o coração e desobstruindo a artéria doente com um balão inflável na ponta do cateter, seguido do implante, pelo balão, de uma mola parecida com uma mola de caneta, que tenta impedir que a obstrução retorne. Esta molinha se chama “Stent”, em homenagem a um dentista inglês. A grande vantagem dessa intervenção é que, após três dias, os pacientes poderão estar trabalhando normalmente, sem ter sido necessário uma cirurgia de grande porte, nem dois ou três meses de repouso (tempo necessário para recuperação após cirurgia cardíaca). E fica uma pergunta no ar. Será que a ‘famosa’ ponte de safena está mesmo na UTI?

Então, esta é uma parte da cardiologia intervencionista, a mais importante, porque a doença coronária é a que mais mata as pessoas no mundo. Hoje, porém, as cardiopatias pediátricas e doenças de válvulas cardíacas são tratadas com a mesma técnica, e espera-se que em breve, esteja disponível para todas as pessoas em nosso país. Só depende de nossas autoridades...

Jorge Calderaro é escritor, historiador, ambientalista e editor chefe do site www.acordapara.com.br

 

Voltar
 
© 2002-2011 - Acorda, Pará! Todos os direitos reservados.