Dia dos Pais
domingo, 09/08/09 - 10h12
Felizes são aqueles que ainda podem ter ao seu
lado esse ser tão importante na vida do ser humano,
o PAI. Quanto a história do Dia dos Pais ela
data de mais de 4 mil anos e teve origem na antiga Babilônia,
quando um jovem chamado Elmesu, que desejava saúde
e longa vida a seu pai, moldou em argila o primeiro
cartão e deu-lhe de presente. No entanto, a data
é comemorada no mundo em dias diferentes. No
Brasil, é comemorado no segundo domingo de Agosto,
cuja criação dessa data é atribuída
ao publicitário Sylvio Bhering.
"Quando um pai de família morre, mas deixa
um filho, é como se ele não tivesse morrido,
pois este filho o perpetua, o continuará. `Este
homem morre, mas é como se não tivesse
morrido, pois ele deixa em seu filho um outro ele mesmo
depois dele' (Ecl. 30, 4)"
Embora todo e qualquer ser humano precise de um PAI,
seja biológico ou não, eu tive o meu como
todos, e não foi só biológico,
não, foi de criação também,
e que criação, pois foi educado em colégio
americano como eu, porém em minha vida existiram
dois homens de verdade, o primeiro meu pai, chamado
Edilson, homem de gênio forte, mas muito afável,
apesar de ríspido nas coisas necessárias
à sua posição, por outro lado também
tive outro homem muito interessante em minha vida e
que muito me ensinou, com suas qualidades e defeitos,
era o Manoel Cecim. Que por sinal era e será
sempre meu sogro, pai da mãe de meus filhos e
avô dos meus três filhos Vanessa, Ingrid
(in memorian) e Glenthon, e que ainda chegou a conhecer
a coisa mais preciosa para nós, família,
seu bisneto, o Caio César, que se diz índio
e me chama de cacique, ou seja, tive dois que partiram,
e agora minha tribo só tem dois, meu filho e
meu neto, minhas alegrias insubstituíveis, incontestes
e imensuráveis...
Meu pai, casado com minha mãe no papel e na
Igreja, como um bom interiorano parauara, do Baixo-Amazonas,
constituiu e amava extremamente sua família em
especial sua mulher e por ela sempre foi correspondido.
Viveram juntos uma vida. E empenhando em agradar não
somente minha mãe, mas seus filhos, Acelina,
eu, e Wagner. Um dia, aconteceu, como acontecerá
com todos nós. Ele partiu, partiu desta vida
sem poder realizar um dos seus maiores sonhos, mas deixou
um legado solidificado no amor, um de seus ensinamentos.
Todos os que perdem os que amam caem em desconsolo,
mas seja onde for que ele esteja, tenho certeza que,
saberá que, enquanto eu estiver vivo farei o
possível para que nada falte a mulher que ele
mais amou nesta vida, que por sinal é minha mãe.
Meu pai, como sempre fazendo as suas viagens, era Armador
Naval e Comandante, e o que mais gostavas de fazer era
navegar, singrar os rios, furos e igarapés, mas
desta vez está a navegar no oceano divino, por
isso te peço, continua e descansa em paz ...
Quanto ao meu sogro, apesar de todos seus defeitos
e suas virtudes como realmente tinha, era uma pessoa
extraordinária. Alguém que me apoiou nos
momentos mais difíceis de minha vida, que me
passou o braço pelos ombros, muitas vezes no
silêncio e quando sempre falando o que queria
e podia, não media as palavras mesmo que essas
fossem árduas, mas a colocação
era inerente a personalidade dele.
Foi envelhecendo como todos nós, mas é
isso que a vida nos oferece. Perdeu parte da visão,
mas nunca as faculdades. Era exímio conhecedor
da necessidade alheia mesmo que tivesse sua opinião
formada e ninguém poderia ir contra suas ideias.
Sabedor de tudo o que acontecia ao seu redor, sempre
estava atualizado nos acontecimentos do Pará
e do Brasil através do noticiário. Seu
raciocínio sempre esteve dentro dos atributos
que habitou ao longo dos anos.
A primeira tristeza foi ao longo de sua vida perder
seu irmão Miguel Cecim, e como a vida prega cada
peça na vida da gente, perdeu seu filho, Paulo
Marcelo Cecim, em um acidente fatal, mas nunca se esqueceu
que a despedida foi em receber um beijo e ter sido inquirido
o por quê de não ter raspado sua barba.
Naquele mesmo dia, Marcelo beijou os pés de sua
mãe Haydée, e disse que logo estaria de
volta, após acariciar os dois como sempre fazia,
mesmo que não estivesse interessado em algo,
partiu... Partiu para a eternidade. Meses depois perdeu
sua irmã Adelaide. Nove meses depois, de perder
seu filho, em tempo de uma gestação, perde
sua esposa Haydée. E mais recentemente seu sobrinho
Paulo Ricardo Cecim em um terrível acidente em
Mosqueiro.
Sofremos juntos na doença que acometeu minha
sogra, que tanto queria ter um filho chamado Jorge,
mas nunca foi homenageada, pois ele, o Manoel, sempre
se apressava e registrava todos como Paulo, um vício
ou quem sabe uma homenagem, a quem? Sandra por exemplo
deveria ser chamada Linda Suely, mas deve ter ouvido
a voz maior de sua Haydée e realmente registrou-a
como Sandra Suely. Agora fico a pensar e me alegrar
quando recordo que surgi e partilhei desses momentos
inesquecíveis em nossas vidas, e de qualquer
maneira faço parte dessa história.
De repente, Cecim é internado em um hospital
para um simples procedimento. Nada grave, algumas pedras
na vesícula, e o problema ficaria resolvido,
eis que ‘aparece’ um aneurisma na aorta
e tem que ser operado. Ao sair do apartamento para procedimento,
beijei-lhe a mão e pedi como católico
sua benção, ele apertou minha mão
como se fosse a sua despedida, não contive e
me reservei. Aí pensei, está difícil,
mas fica tudo nas mãos de Deus. Torci para que
tudo corresse bem. Não tive coragem de visitá-lo
na UTI até porque não me sentia em condição
física confortável e emocionalmente de
vê-lo naquele estado. Mas sempre estive ao lado
da família dando força, palavras de conforto
e coragem.
Após os procedimentos e operações,
tudo tinha corrido perfeito. Depois, as notícias
do “boletim médico da UTI” começaram
a ser sempre desencontradas. Eis que o quadro clínico
começa a mudar, aparecem as infecções,
coisas que a medicina sempre atribui às pessoas
com mais idade. E, às pressas somos informados
que o quadro tinha se agravado. Mas, como a vida nos
reserva muitas surpresas desagradáveis, e nem
tudo acaba bem, eis o veredicto. Um momento funesto.
Perdemos o velho Manoel...
Mas a vida continua, e é nestas alturas que
mais necessitamos pensar nos nossos que já partiram
para nos dar estímulos a viver. As formas de
amor e admiração se revelam em pequenos
gestos. Em palavras simples. Este texto confirma isso
mesmo. Esta é a afirmação de um
pacto fechado e isso será nossa esperança!
E não será uma esperança em vão,
pois como te aceitamos, te entregamos a Deus e continuaremos
a te amar.
Talvez tenha sido por um olhar, um sorriso, ou aquelas
palavras que sempre trocava com vocês dois. Sei
lá, mas, de onde estiverem podem nos escutar,
ou talvez um dia estejamos juntos e tudo será
vivido novamente.
Edilson, meu pai, e Cecim, meu sogro, tenham certeza
que teus filhos, noras, netos e até o teu bisneto
vão sempre se orgulhar de tuas passagens aqui
na terra e farão de tudo para levar bem mais
além o nome de nossas famílias que vocês
honraram com dignidade e respeito. Esta mensagem é
para dizer que na realidade apesar de suas ausências
físicas continuaremos a respeitá-los,
honrarmos e amarmos vocês para sempre. Pois, a
vida é eterna...
Então quero desejar a todos os que ainda possuem
PAIS vivos, um feliz Dia dos Pais, e aproveitem com
respeito, pois como é boa a vida quando bem vivida...
Amém!