Inicial | Quem somos | Fale conosco | Reclamações | Denúncias | Links | Úteis |

 



Jorge Calderaro

Jornalista, Escritor e Historiador
jc@acordapara.com.br
Belém - Pará - Amazônia - Brasil
 

Dia dos Pais

domingo, 09/08/09 - 10h12

Felizes são aqueles que ainda podem ter ao seu lado esse ser tão importante na vida do ser humano, o PAI. Quanto a história do Dia dos Pais ela data de mais de 4 mil anos e teve origem na antiga Babilônia, quando um jovem chamado Elmesu, que desejava saúde e longa vida a seu pai, moldou em argila o primeiro cartão e deu-lhe de presente. No entanto, a data é comemorada no mundo em dias diferentes. No Brasil, é comemorado no segundo domingo de Agosto, cuja criação dessa data é atribuída ao publicitário Sylvio Bhering.

"Quando um pai de família morre, mas deixa um filho, é como se ele não tivesse morrido, pois este filho o perpetua, o continuará. `Este homem morre, mas é como se não tivesse morrido, pois ele deixa em seu filho um outro ele mesmo depois dele' (Ecl. 30, 4)"

Embora todo e qualquer ser humano precise de um PAI, seja biológico ou não, eu tive o meu como todos, e não foi só biológico, não, foi de criação também, e que criação, pois foi educado em colégio americano como eu, porém em minha vida existiram dois homens de verdade, o primeiro meu pai, chamado Edilson, homem de gênio forte, mas muito afável, apesar de ríspido nas coisas necessárias à sua posição, por outro lado também tive outro homem muito interessante em minha vida e que muito me ensinou, com suas qualidades e defeitos, era o Manoel Cecim. Que por sinal era e será sempre meu sogro, pai da mãe de meus filhos e avô dos meus três filhos Vanessa, Ingrid (in memorian) e Glenthon, e que ainda chegou a conhecer a coisa mais preciosa para nós, família, seu bisneto, o Caio César, que se diz índio e me chama de cacique, ou seja, tive dois que partiram, e agora minha tribo só tem dois, meu filho e meu neto, minhas alegrias insubstituíveis, incontestes e imensuráveis...

Meu pai, casado com minha mãe no papel e na Igreja, como um bom interiorano parauara, do Baixo-Amazonas, constituiu e amava extremamente sua família em especial sua mulher e por ela sempre foi correspondido. Viveram juntos uma vida. E empenhando em agradar não somente minha mãe, mas seus filhos, Acelina, eu, e Wagner. Um dia, aconteceu, como acontecerá com todos nós. Ele partiu, partiu desta vida sem poder realizar um dos seus maiores sonhos, mas deixou um legado solidificado no amor, um de seus ensinamentos.

Todos os que perdem os que amam caem em desconsolo, mas seja onde for que ele esteja, tenho certeza que, saberá que, enquanto eu estiver vivo farei o possível para que nada falte a mulher que ele mais amou nesta vida, que por sinal é minha mãe.

Meu pai, como sempre fazendo as suas viagens, era Armador Naval e Comandante, e o que mais gostavas de fazer era navegar, singrar os rios, furos e igarapés, mas desta vez está a navegar no oceano divino, por isso te peço, continua e descansa em paz ...

Quanto ao meu sogro, apesar de todos seus defeitos e suas virtudes como realmente tinha, era uma pessoa extraordinária. Alguém que me apoiou nos momentos mais difíceis de minha vida, que me passou o braço pelos ombros, muitas vezes no silêncio e quando sempre falando o que queria e podia, não media as palavras mesmo que essas fossem árduas, mas a colocação era inerente a personalidade dele.

Foi envelhecendo como todos nós, mas é isso que a vida nos oferece. Perdeu parte da visão, mas nunca as faculdades. Era exímio conhecedor da necessidade alheia mesmo que tivesse sua opinião formada e ninguém poderia ir contra suas ideias. Sabedor de tudo o que acontecia ao seu redor, sempre estava atualizado nos acontecimentos do Pará e do Brasil através do noticiário. Seu raciocínio sempre esteve dentro dos atributos que habitou ao longo dos anos.

A primeira tristeza foi ao longo de sua vida perder seu irmão Miguel Cecim, e como a vida prega cada peça na vida da gente, perdeu seu filho, Paulo Marcelo Cecim, em um acidente fatal, mas nunca se esqueceu que a despedida foi em receber um beijo e ter sido inquirido o por quê de não ter raspado sua barba. Naquele mesmo dia, Marcelo beijou os pés de sua mãe Haydée, e disse que logo estaria de volta, após acariciar os dois como sempre fazia, mesmo que não estivesse interessado em algo, partiu... Partiu para a eternidade. Meses depois perdeu sua irmã Adelaide. Nove meses depois, de perder seu filho, em tempo de uma gestação, perde sua esposa Haydée. E mais recentemente seu sobrinho Paulo Ricardo Cecim em um terrível acidente em Mosqueiro.

Sofremos juntos na doença que acometeu minha sogra, que tanto queria ter um filho chamado Jorge, mas nunca foi homenageada, pois ele, o Manoel, sempre se apressava e registrava todos como Paulo, um vício ou quem sabe uma homenagem, a quem? Sandra por exemplo deveria ser chamada Linda Suely, mas deve ter ouvido a voz maior de sua Haydée e realmente registrou-a como Sandra Suely. Agora fico a pensar e me alegrar quando recordo que surgi e partilhei desses momentos inesquecíveis em nossas vidas, e de qualquer maneira faço parte dessa história.

De repente, Cecim é internado em um hospital para um simples procedimento. Nada grave, algumas pedras na vesícula, e o problema ficaria resolvido, eis que ‘aparece’ um aneurisma na aorta e tem que ser operado. Ao sair do apartamento para procedimento, beijei-lhe a mão e pedi como católico sua benção, ele apertou minha mão como se fosse a sua despedida, não contive e me reservei. Aí pensei, está difícil, mas fica tudo nas mãos de Deus. Torci para que tudo corresse bem. Não tive coragem de visitá-lo na UTI até porque não me sentia em condição física confortável e emocionalmente de vê-lo naquele estado. Mas sempre estive ao lado da família dando força, palavras de conforto e coragem.

Após os procedimentos e operações, tudo tinha corrido perfeito. Depois, as notícias do “boletim médico da UTI” começaram a ser sempre desencontradas. Eis que o quadro clínico começa a mudar, aparecem as infecções, coisas que a medicina sempre atribui às pessoas com mais idade. E, às pressas somos informados que o quadro tinha se agravado. Mas, como a vida nos reserva muitas surpresas desagradáveis, e nem tudo acaba bem, eis o veredicto. Um momento funesto. Perdemos o velho Manoel...

Mas a vida continua, e é nestas alturas que mais necessitamos pensar nos nossos que já partiram para nos dar estímulos a viver. As formas de amor e admiração se revelam em pequenos gestos. Em palavras simples. Este texto confirma isso mesmo. Esta é a afirmação de um pacto fechado e isso será nossa esperança! E não será uma esperança em vão, pois como te aceitamos, te entregamos a Deus e continuaremos a te amar.

Talvez tenha sido por um olhar, um sorriso, ou aquelas palavras que sempre trocava com vocês dois. Sei lá, mas, de onde estiverem podem nos escutar, ou talvez um dia estejamos juntos e tudo será vivido novamente.

Edilson, meu pai, e Cecim, meu sogro, tenham certeza que teus filhos, noras, netos e até o teu bisneto vão sempre se orgulhar de tuas passagens aqui na terra e farão de tudo para levar bem mais além o nome de nossas famílias que vocês honraram com dignidade e respeito. Esta mensagem é para dizer que na realidade apesar de suas ausências físicas continuaremos a respeitá-los, honrarmos e amarmos vocês para sempre. Pois, a vida é eterna...

Então quero desejar a todos os que ainda possuem PAIS vivos, um feliz Dia dos Pais, e aproveitem com respeito, pois como é boa a vida quando bem vivida...

Amém!

Voltar
 
Conheça nossa Política de Privacidade
<<< © 2002-2011 - Acorda, Pará! >>>