Ética... Uma questão
de honra!
segunda-feira, 09/06/08 - 17h55
A Metodologia de qualquer curso superior
está acoplada ao currículo básico
de seus acadêmicos. Mas é, sobretudo, um
desafio para educadores e até mesmo para profissionais
já habilitados especialmente que ocupem o cargo
de magistrado(a), em no mínimo dar atenção
devida a quem os solicita, sobretudo quando o assunto
está ligado diretamente a esse profissional em
vista dos objetivos a que se propõe.
Segundo esse ensinamento, o que não pode acontecer
é o fato que ocasionou revolta a alguns futuros
profissionais do Direito em um curso da IES –
FACI, e sem que ninguém possa reclamar ou procurar
seus direitos, pois se assim o fizerem serão
‘marcados’ como profissionais.
Vejamos, em recente trabalho acadêmico, um professor
de Direito do Trabalho propôs aos seus alunos
do 6º período do curso de direito da FACI
uma atividade extra classe: Deveriam comparecer à
duas audiências e duas reuniões de qualquer
uma das turmas que compõem o Tribunal Regional
do Trabalho. O que ocorreu de fato por interesse desses
futuros profissionais. Uma iniciativa louvável
e de bom grado aceita pelos alunos, inclusive, e principalmente,
por aqueles que não têm familiaridade com
o Direito Trabalhista.
Após o feito, deveriam preencher um formulário
padronizado, criado pelo mestre, com informações
do tipo, número do processo, valor da causa,
nome das partes e de seus advogados, contestação,
exceção e etc., cuja ficha deveria ser
assinada pelo Juiz (ou Desembargador) que presidisse
a audiência (ou sessão).
Porém, eis que um grupo de acadêmicos
teve a infeliz idéia, e por que não dizer
a ‘péssima pontaria’, em escolher
a 4ª Vara do Trabalho para iniciar a pesquisa.
Finda a audiência sem conciliação
das partes, os advogados e as partes se retiram da sala.
Mas, com a devida vênia, os alunos apresentaram-se
à Juíza do feito e solicitaram cordialmente
que a magistrada assinasse a ficha resumo elaborada
por seu colega de instância superior (diga-se
de passagem). No entanto, a ilustre magistrada se negou,
visto que alguns dos campos do formulário estavam
em branco; o que foi acatado pelos alunos.
Numa tentativa de não perder o trabalho acadêmico,
e por terem perdido todo o período da manhã,
pois não compareceram ao fizeram ausente ao estágio,
os acadêmicos, ‘ingenuamente’, solicitaram
uma cópia do termo para complementação
das informações, já que o advogado
do requerido pedira vistas dos autos. Deparou-se com
a trágica e cômica explicação
da magistrada de que ‘duas folhas de papel fariam
falta no orçamento do poder judiciário
que está em contenção de despesas’.
Será verdade?
Quando um dos alunos insistiu em oferecer o pen drive
para armazenar os dados, a resposta foi pior ainda!
De posse do mais soberbo ar de superioridade, a juíza
lhe respondeu que um órgão de justiça
não se presta à serviços de "recorte
e cole", e que tais acadêmicos anotassem
o que tinham apreendido e que depois solicitassem ao
secretário de audiência a assinatura do
formulário. Muito lamentável!
Longe de qualquer insinuação mais séria.
Pensamos que o rigor vise realmente preservar os mais
elevados interesses financeiros do tribunal de justiça,
o que consideramos correto, com a convicção
de que esses futuros profissionais, serão também,
sem dúvida nenhuma, de reconhecida capacidade,
não podendo ainda como acadêmicos, serem
tratados fora dos padrões éticos e morais,
e diga-se de passagem dentro da mesma profissão
da magistrada, que também é advogada.
Recolhidos à insignificância de seres
desprezíveis, atônitos com tamanha falta
de educação proveniente de um ser tão
‘iluminado’, os alunos voltaram os olhos
para o secretário que se limitou a dizer com
voz trêmula e inaudível, que o termo estaria
na internet ainda naquele dia.
Para o desfecho apoteótico, a ‘soberana’
magistrada limitou-se a balbuciar um comentário
frívolo, do tipo: "... espero que vocês
tenham aprendido algo, e que se tornem profissionais
‘menos piores’ do que os que estiveram aqui
há pouco". Pasmem, se não por muito,
mas pelo puro e simples julgamento dos profissionais
que se fizeram presentes à audiência. Como
pode uma juíza fazer deferência dessa natureza
a quem não conhece. Muito estranho e é
no mínimo falta de ética e profissionalismo.
Sabemos que, no entanto o estereótipo de qualquer
cidadão nunca está à altura de
sua capacidade profissional.
Ora, pensamos que isso sempre existiu. A inexperiência
dos alunos não é uma causa suficiente
para ensejar um artigo, mas foram julgados ‘como
desprezíveis’, os destinatários
do feito e na condição de aprendizes é
repreensível.
O mais cômico é que depararem-se com outros
funcionários que já conheciam o comportamento
‘peculiar’ da magistrada e aduziram que
a inércia de todos por ela tratados reforçava
tal comportamento. Uma maravilha, que denegri parte
do judiciário.
Ah! Uma ressalva... Todos os acadêmicos que cursam
Direito almejam serem juizes, promotores ou, no mínimo
advogados muito bem sucedidos. No entanto, muitos desses
profissionais vão compor o ‘back ground’
do poder judiciário: Secretários de Vara,
Auxiliares de Secretaria, Oficiais de Justiça,
Delegados e entre outras funções que necessitem
de profissionais do Direito, pois sem eles a máquina
jurídica simplesmente não funciona!
De fato, que antes de formados e durante a vida profissional,
cabe-lhes vencer um mal terrível, que contamina,
não só os juízes e promotores,
mas alguns que compõem a engrenagem desta máquina
judiciária! Este mal, "carinhosamente"
apelidado de juizíte chama-se soberba. Ela vive
escondidinha (ou bem à mostra), enseja atitudes
mais egocêntricas, limita impulso em favor do
próximo e vai, aos poucos, moldando um perfil
vergonhoso daqueles que compõem o poder.
Feita a ressalva, lançamos um desafio: Faça
a diferença! Use o aparato jurídico para
sua real finalidade e reforce o grupo minoritário
dos simplesmente juizes, simplesmente promotores, simplesmente
advogados bem sucedidos, delegados ou secretários.
Um terno caro e uma bela pasta não valem mais
do que o sorriso e a satisfação dos que
trabalham num ambiente agravavelmente criado por você!
Será que o Brasil continuará merecedor
dessa estirpe de profissionais?
A pergunta fica no ar...!