Madeira ‘legal’, a que preço?
quarta-feira, 04/02/09 – 16h47
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou durante
o Fórum Social Mundial que a Política Nacional
de Manejo Comunitário e Familiar deveria ser assinada
pelo presidente da República, nos próximos dias.
O instrumento faz parte de uma série de ações
do Ministério do Meio Ambiente para proteção
da floresta.
Sobre o Zoneamento na Amazônia, diz que com os projetos
de reflorestamento, o Ministério do Meio Ambiente espera
aumentar para 27% a área de cobertura florestal da Mata
Atlântica – que hoje mantém apenas 7%. Minc
ainda anunciou que o zoneamento ecológico-econômico
dos estados da Amazônia estará pronto no final
do ano. Também ressaltou que o zoneamento da Amazônia
está sendo realizado na faixa de fronteira, com os países
que dividem a Amazônia com o Brasil.
A política é uma das alternativas para garantir
mais “madeira legal” para o comércio, combatendo
a extração ilegal. O objetivo do plano é
assegurar a conservação e uso sustentável
do patrimônio ambiental e cultural brasileiro, valorizando
o conhecimento tradicional das comunidades e das famílias
que vivem de produtos e serviços florestais. Os manejos
deverão estar sob controle e administração
das comunidades tradicionais.
Porém, não concordamos com as colocações
do ministro, pois, com a crise financeira internacional, com
as dificuldades institucionais para a liberação
de madeira ilegal e total desprezo com relação
às necessidades dessas comunidades no afã da solução
através de planos de manejo florestal de rendimento sustentado,
não haveria por que desmatar com fins econômicos,
exceto pela necessidade de limpeza das áreas para plantio
de cultivo das culturas de subsistência.
Haverá de se encontrar caminhos para o desenvolvimento
sustentável, partindo do pré-suposto de que a
floresta em pé vale mais do que no chão e gera
mais dividendos que as derrubadas criminosas, necessárias,
em meio a tanta pobreza, que destroem o meio-ambiente em prol
do lucro fácil.
O que falta são políticas públicas para
reverter o quadro sócio-econômico, há muito
descrito por cientistas de renome internacional, exaustivamente
citados em artigos científicos e publicados do renomado
Museu Emilio Goeldi.
Chega de propagandas subliminares enganosas, que fazem verdadeira
lavagem cerebral naqueles menos privilegiados intelectualmente
ou nutricialmente, que se deixam levar pela falácia,
como bem já colocava o Chefe indígena Seattle
Duwamish, em seu discurso sobre a colonização
dos Estados Unidos, sobre as questões que refletem diretamente
sobre o meio ambiente e a sustentação do homem.