Não a Divisão do Pará. Não
mesmo! O que é bom não se divide, se administra...
sexta-feira, 05/03/10 - 20h55
Em visita ao 'Blog do Espalha Brasa', eis que me deparo
com o comentário medícore e irônico
sobre o artigo que escrevi, intitulado 'A
Divisão do Pará', publicado
no sábado, dia 20/02/10, às 11h40. Como
não poderia deixar de ser, eis que onça
cutucada com vara curta, pega. E eu, como Mocorongo
nato da gema não deixaria de responder o questionamento.

Senhora Marisa, causa-me espécie que aparentemente
a senhora não conheça a história
do Estado do Pará, outrora a ‘Província
do Grão Pará’, o último a
aderir a Independência, talvez no seu entendimento
seja melhor a dilaceração do Estado por
parte de alguns grupos interessados em somar mais as
suas receitas (U$) e aos bolsos de seus executivos (R$)
somados a alguns novos parlamentares que seriam escolhidos
nas urnas pelo povo para a futura governança
dos novos Estados.
Solicito estudar mais um pouco a história do
Pará e ver que o problema não é
a separação que vai avantajar qualquer
um dos novos Estados, ou quiçá o ‘Estado
Mãe’, no caso, o do Pará. O que
falta realmente é o que cito em meu artigo, falta
de uma administração séria e concisa
do governo Estadual que por ordem de ofício deveria
no mínimo implantar ações de pronto
que viessem ao encontro do anseio da população
do Pará, independentemente da região.
Porém, o que temos visto e acompanhado, e eu
ao longo dos meus mais de cinquenta anos não
é isso... São coisas totalmente politiqueiras
e que denigrem nossa nação Pará,
em todos os segmentos.
Retornar os investimentos gerados por todas as grandes
mineradoras instaladas no oeste do Pará deveria
ser obrigação, porém parece que
não existem políticos à altura
para efetuarem essa cobrança energicamente. Novamente
temos Maria do Carmo Martins como prefeita de Santarém,
maior município do oeste do Pará. Atualmente
um de seus irmãos está como Deputado Estadual
na Assembleia Legislativa, e ou outro irmão assumiu
recentemente a Chefia da Casa Civil do Governo do Estado
do Pará, e, diga-se de passagem, essa é
a segunda família que possui três membros
atualmente no mesmo governo, ao mesmo tempo, então
é o momento deles aproveitarem a oportunidade
ímpar e efetuarem cobrança à governadora
e seus discípulos, e à Assembléia
Legislativa do retorno dos impostos arrecadados e que
voltem como investimento aos municípios de origem
principalmente na área de educação,
saúde e segurança. Um alerta aos políticos,
eles deveriam abrir as fronteiras do Estado do Pará
para que grandes empresas pudessem se instalar no território
paraense o que com certeza gerariam empregos e riquezas
ao Estado. Sabes por que perdemos o lugar de subsede
da Copa do Mundo? Não! Por falta de entrosamento
e representatividade política. Sabes quem ganhou?
Manaus! Sabes quem é o governador do Amazonas?
Não! Eduardo Braga. Sabes onde ele nasceu? Não!
Em Santarém, ele também é Mocorongo
como nós. Aí chegam os importados por
aqui e querem dilacerar nosso Estado. É por esse
e outros motivos que o Pará não cresce
e hoje vive esse momento em que querem dilacerar e dilapidar
a grande riqueza do Estado mais rico da Nação.
Por que ainda não elegemos um governador que
tenha nascido no oeste do Pará? Somente exportamos
intelectuais? Temos força ou não? Será
que o sul e sudeste do Pará com seus ‘importados’
que migram para o nosso Estado e pouco se ‘lixam’
para nós, e que somente tem em mente o poder
de nos subtrair em termos de riqueza? Eles também
estão a bradar querendo a área mais rica
do Pará, para dela fazerem o estado do Carajás.
Se eles nem por aqui nasceram e ainda não conhecem
nem nossa cultura, isso é muito lamentável.
Será que teremos que morrer à míngua...?
Lembre-se que a Amazônia é o pulmão
do mundo... E nós juntos temos muitas riquezas,
e se dilacerarmos, pensa nisso!
O que não podemos é fatiar o Pará
e criar mais políticos inescrupulosos que não
pensem na população, pois como sempre
a generalidade desses atos condenáveis a todos
nós navegantes ficaremos como bem dizes no comentário
do Blog do Espalha Brasa – ‘a ver navios’...
A ‘ver navios’ estamos nós no Pará
inteiro por falta de competência de nossos governantes
e não são os de hoje, não, desde
outrora, talvez não seja do teu conhecimento,
mas nossa Nação Pará é a
terra do “já teve”: já teve
a borracha da seringueira, que foi levada para as colônias
britânicas na Malásia, as quais se tornaram
grandes exportadores e desbancaram o Brasil que passou
a importar borracha; o Pará já teve o
cacau, sendo levado para o Estado da Bahia que também
o desbancou; o Pará ainda tem minérios,
mas com a velocidade que são explorados e levados
para industrialização em outros países
para depois os importarmos na forma de produtos industrializados,
logo também estarão exauridos, e por último
agora, é só o que faltava, até
um dos nossos mais extraordinários alimentos,
o açaí, que até chegou a ser patenteado
pelos japoneses está sendo exportado e vendido
em Euros. A quem interessa essa separação?
Quem perderá com isso realmente será o
Pará por inteiro.
Sou contra e por isso não serei prolixo. Sou
Mocorongo de alma e paixão, me orgulho de ter
nascido às margens do rio Tapajós, ser
ribeirinho do Baixo Amazonas, ter tido um pai nascido
entre Santarém e Alenquer, nas Barreiras do Tapará
e de uma mãe que nasceu na Cidade Presépio,
Óbidos, de onde me questionas. Só para
vivar mais tua memória. Isso é Pai D’
égua! ‘Parente’, ‘Maninha’,
‘Cumadre’, e por aí vai o nosso vocabulário
parauara. E eu vou ficar nesse emaranhado dessa terra
abençoada, 'Não à Divisão'.
Tomar banho? Tomei muito aí e sempre que visito
minha cidade natal, disso tenha certeza volto ao passado
e mergulho nas águas verdes do Tapajós,
às vezes, em Alter-do-Chão. Agora, 'vergonha
na cara' como citas devem tomar os políticos
que governam o Estado, e os que defendem a bandeira
da separação. Égua! Como exclama
o caboclo parauara. Diga Não a Separação!
Porém, só para teu conhecimento
uma passagem bíblica do Rei Salomão, onde
ele foi muito sábio em sua decisão!
1 Reis 3
Salomão pede sabedoria
16 Então, vieram duas
mulheres prostitutas ao rei e se puseram perante
ele.
17 E disse-lhe uma das mulheres: Ah! Senhor
meu, eu e esta mulher moramos numa casa; e tive
um filho, morando com ela naquela casa.
18 E sucedeu que, ao terceiro dia depois do
meu parto, também esta mulher teve um
filho; estávamos juntas, estranho nenhum
estava conosco na casa, senão nós
ambas naquela casa.
19 E de noite morreu o filho desta mulher, porquanto
se deitara sobre ele.
20 E levantou-se à meia-noite, e me tirou
a meu filho do meu lado, dormindo a tua serva,
e o deitou no seu seio, e a seu filho morto
deitou no meu seio.
21 E, levantando-me eu pela manhã, para
dar de mamar a meu filho, eis que estava morto;
mas, atentando pela manhã para ele, eis
que não era o filho que eu havia tido.
22 Então, disse a outra mulher: Não,
mas o vivo é meu filho, e teu filho,
o morto. Porém esta disse: Não,
por certo, o morto é teu filho, e meu
filho, o vivo. Assim falaram perante o rei.
23 Então, disse o rei: Esta diz: Este
que vive é meu filho, e teu filho, o
morto; e esta outra diz: Não, por certo;
o morto é teu filho, e meu filho, o vivo.
24 Disse mais o rei: Trazei-me uma espada. E
trouxeram uma espada diante do rei.
25 E disse o rei: Dividi em duas partes o menino
vivo: e dai metade a uma e metade a outra.
26 Mas a mulher cujo filho era o vivo falou
ao rei (porque o seu coração se
lhe enterneceu por seu filho) e disse: Ah! Senhor
meu, dai-lhe o menino vivo e por modo nenhum
o mateis. Porém a outra dizia: Nem teu
nem meu seja; dividi-o antes.
27 Então, respondeu o rei e disse: Dai
a esta o menino vivo e de maneira nenhuma o
mateis, porque esta é sua mãe.
28 E todo o Israel ouviu a sentença que
dera o rei e temeu ao rei, porque viram que
havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça”. |
Espero ter esclarecido o fato de ser contra a dilaceração
do Pará, que ainda litiga com o Mato Grosso por
nossas terras que foram tomadas por eles, um estado
que foi divido e o que vemos por lá além
da politicagem, a devastação do meio ambiente,
isso quem diz não sou eu, são as notícias
da mídia nacional, são os fatos que por
lá acontecem, o que não podemos deixar
que aconteçam por aqui... Raposa não se
coloca para tomar conta de galinheiros, certo?
Ponto final! E tenho dito...