Inicial | Quem somos | Fale conosco | Reclamações | Denúncias | Links | Úteis |

 



Jorge Calderaro

Jornalista, Escritor, Historiador e Ambientalista
jc@acordapara.com.br
Belém - Pará - Amazônia - Brasil
 

Não a Divisão do Pará. Não mesmo! O que é bom não se divide, se administra...

sexta-feira, 05/03/10 - 20h55

Em visita ao 'Blog do Espalha Brasa', eis que me deparo com o comentário medícore e irônico sobre o artigo que escrevi, intitulado 'A Divisão do Pará', publicado no sábado, dia 20/02/10, às 11h40. Como não poderia deixar de ser, eis que onça cutucada com vara curta, pega. E eu, como Mocorongo nato da gema não deixaria de responder o questionamento.

 

Senhora Marisa, causa-me espécie que aparentemente a senhora não conheça a história do Estado do Pará, outrora a ‘Província do Grão Pará’, o último a aderir a Independência, talvez no seu entendimento seja melhor a dilaceração do Estado por parte de alguns grupos interessados em somar mais as suas receitas (U$) e aos bolsos de seus executivos (R$) somados a alguns novos parlamentares que seriam escolhidos nas urnas pelo povo para a futura governança dos novos Estados.

Solicito estudar mais um pouco a história do Pará e ver que o problema não é a separação que vai avantajar qualquer um dos novos Estados, ou quiçá o ‘Estado Mãe’, no caso, o do Pará. O que falta realmente é o que cito em meu artigo, falta de uma administração séria e concisa do governo Estadual que por ordem de ofício deveria no mínimo implantar ações de pronto que viessem ao encontro do anseio da população do Pará, independentemente da região. Porém, o que temos visto e acompanhado, e eu ao longo dos meus mais de cinquenta anos não é isso... São coisas totalmente politiqueiras e que denigrem nossa nação Pará, em todos os segmentos.

Retornar os investimentos gerados por todas as grandes mineradoras instaladas no oeste do Pará deveria ser obrigação, porém parece que não existem políticos à altura para efetuarem essa cobrança energicamente. Novamente temos Maria do Carmo Martins como prefeita de Santarém, maior município do oeste do Pará. Atualmente um de seus irmãos está como Deputado Estadual na Assembleia Legislativa, e ou outro irmão assumiu recentemente a Chefia da Casa Civil do Governo do Estado do Pará, e, diga-se de passagem, essa é a segunda família que possui três membros atualmente no mesmo governo, ao mesmo tempo, então é o momento deles aproveitarem a oportunidade ímpar e efetuarem cobrança à governadora e seus discípulos, e à Assembléia Legislativa do retorno dos impostos arrecadados e que voltem como investimento aos municípios de origem principalmente na área de educação, saúde e segurança. Um alerta aos políticos, eles deveriam abrir as fronteiras do Estado do Pará para que grandes empresas pudessem se instalar no território paraense o que com certeza gerariam empregos e riquezas ao Estado. Sabes por que perdemos o lugar de subsede da Copa do Mundo? Não! Por falta de entrosamento e representatividade política. Sabes quem ganhou? Manaus! Sabes quem é o governador do Amazonas? Não! Eduardo Braga. Sabes onde ele nasceu? Não! Em Santarém, ele também é Mocorongo como nós. Aí chegam os importados por aqui e querem dilacerar nosso Estado. É por esse e outros motivos que o Pará não cresce e hoje vive esse momento em que querem dilacerar e dilapidar a grande riqueza do Estado mais rico da Nação.

Por que ainda não elegemos um governador que tenha nascido no oeste do Pará? Somente exportamos intelectuais? Temos força ou não? Será que o sul e sudeste do Pará com seus ‘importados’ que migram para o nosso Estado e pouco se ‘lixam’ para nós, e que somente tem em mente o poder de nos subtrair em termos de riqueza? Eles também estão a bradar querendo a área mais rica do Pará, para dela fazerem o estado do Carajás. Se eles nem por aqui nasceram e ainda não conhecem nem nossa cultura, isso é muito lamentável. Será que teremos que morrer à míngua...? Lembre-se que a Amazônia é o pulmão do mundo... E nós juntos temos muitas riquezas, e se dilacerarmos, pensa nisso!

O que não podemos é fatiar o Pará e criar mais políticos inescrupulosos que não pensem na população, pois como sempre a generalidade desses atos condenáveis a todos nós navegantes ficaremos como bem dizes no comentário do Blog do Espalha Brasa – ‘a ver navios’... A ‘ver navios’ estamos nós no Pará inteiro por falta de competência de nossos governantes e não são os de hoje, não, desde outrora, talvez não seja do teu conhecimento, mas nossa Nação Pará é a terra do “já teve”: já teve a borracha da seringueira, que foi levada para as colônias britânicas na Malásia, as quais se tornaram grandes exportadores e desbancaram o Brasil que passou a importar borracha; o Pará já teve o cacau, sendo levado para o Estado da Bahia que também o desbancou; o Pará ainda tem minérios, mas com a velocidade que são explorados e levados para industrialização em outros países para depois os importarmos na forma de produtos industrializados, logo também estarão exauridos, e por último agora, é só o que faltava, até um dos nossos mais extraordinários alimentos, o açaí, que até chegou a ser patenteado pelos japoneses está sendo exportado e vendido em Euros. A quem interessa essa separação? Quem perderá com isso realmente será o Pará por inteiro.

Sou contra e por isso não serei prolixo. Sou Mocorongo de alma e paixão, me orgulho de ter nascido às margens do rio Tapajós, ser ribeirinho do Baixo Amazonas, ter tido um pai nascido entre Santarém e Alenquer, nas Barreiras do Tapará e de uma mãe que nasceu na Cidade Presépio, Óbidos, de onde me questionas. Só para vivar mais tua memória. Isso é Pai D’ égua! ‘Parente’, ‘Maninha’, ‘Cumadre’, e por aí vai o nosso vocabulário parauara. E eu vou ficar nesse emaranhado dessa terra abençoada, 'Não à Divisão'. Tomar banho? Tomei muito aí e sempre que visito minha cidade natal, disso tenha certeza volto ao passado e mergulho nas águas verdes do Tapajós, às vezes, em Alter-do-Chão. Agora, 'vergonha na cara' como citas devem tomar os políticos que governam o Estado, e os que defendem a bandeira da separação. Égua! Como exclama o caboclo parauara. Diga Não a Separação!

Porém, só para teu conhecimento uma passagem bíblica do Rei Salomão, onde ele foi muito sábio em sua decisão!

1 Reis 3
Salomão pede sabedoria

16 Então, vieram duas mulheres prostitutas ao rei e se puseram perante ele.
17 E disse-lhe uma das mulheres: Ah! Senhor meu, eu e esta mulher moramos numa casa; e tive um filho, morando com ela naquela casa.
18 E sucedeu que, ao terceiro dia depois do meu parto, também esta mulher teve um filho; estávamos juntas, estranho nenhum estava conosco na casa, senão nós ambas naquela casa.
19 E de noite morreu o filho desta mulher, porquanto se deitara sobre ele.
20 E levantou-se à meia-noite, e me tirou a meu filho do meu lado, dormindo a tua serva, e o deitou no seu seio, e a seu filho morto deitou no meu seio.
21 E, levantando-me eu pela manhã, para dar de mamar a meu filho, eis que estava morto; mas, atentando pela manhã para ele, eis que não era o filho que eu havia tido.
22 Então, disse a outra mulher: Não, mas o vivo é meu filho, e teu filho, o morto. Porém esta disse: Não, por certo, o morto é teu filho, e meu filho, o vivo. Assim falaram perante o rei.
23 Então, disse o rei: Esta diz: Este que vive é meu filho, e teu filho, o morto; e esta outra diz: Não, por certo; o morto é teu filho, e meu filho, o vivo.
24 Disse mais o rei: Trazei-me uma espada. E trouxeram uma espada diante do rei.
25 E disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo: e dai metade a uma e metade a outra.
26 Mas a mulher cujo filho era o vivo falou ao rei (porque o seu coração se lhe enterneceu por seu filho) e disse: Ah! Senhor meu, dai-lhe o menino vivo e por modo nenhum o mateis. Porém a outra dizia: Nem teu nem meu seja; dividi-o antes.
27 Então, respondeu o rei e disse: Dai a esta o menino vivo e de maneira nenhuma o mateis, porque esta é sua mãe.
28 E todo o Israel ouviu a sentença que dera o rei e temeu ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça”.

 

Espero ter esclarecido o fato de ser contra a dilaceração do Pará, que ainda litiga com o Mato Grosso por nossas terras que foram tomadas por eles, um estado que foi divido e o que vemos por lá além da politicagem, a devastação do meio ambiente, isso quem diz não sou eu, são as notícias da mídia nacional, são os fatos que por lá acontecem, o que não podemos deixar que aconteçam por aqui... Raposa não se coloca para tomar conta de galinheiros, certo?

Ponto final! E tenho dito...

 

Voltar
 
Conheça nossa Política de Privacidade
<<< © 2002-2011 - Acorda, Pará! >>>