O adeus à Yara Cecim
segunda-feira, 26/10/09 –13h48
O Pará volta ao cenário da saudade, pois
acaba de perder uma de suas ilustres filhas, Yara Cecim,
escritora nascida no dia 13 de maio de 1916, no sitio
Caxambu, às margens do rio Tapajós, no
município de Santarém, faleceu hoje às
07h30. Porém somente com sessenta anos de idade
veio a estrear como escritora e contadora de histórias,
valorizando os mistérios emaranhados no imaginário
amazônico. Mulher simples, mas de grande valor,
nunca se deixou envolver pela tola vaidade das fugazes
glórias humanas, pois sabia que a maior virtude
de um sábio é a humildade, e como ribeirinha
do Baixo-Amazonas nunca sofreu um arranhão em
sua vida literária.
Mas,
foi no ambiente que permeava, entre rios, cidades ribeirinhas
e em sua própria casa, ouvia as mais diversas
historias e ‘causos’. A partir daí
Yara Cecim em seu rico imaginário criou suas
historias e seus contos. Infelizmente pouco se conhecia
sobre a vida dessa escritora. O conteúdo de suas
obras traz contos com diversos personagens onde registra
narrativas dos seres encantados, como o curupira, jurupari,
iara, e a cobra grande, somando ao folclore de nossa
região.
Yara Cecim sempre participou de grandes eventos literários
e seus escritos estão simplificados em cinco
livros. Só que uma boa escritora jamais deverá
ser medida pela quantidade, mas sim pela qualidade dos
seus textos. E nesse particular Yara era inconteste.
Os prêmios abiscoitados que o digam. Em 2004,
lançou pela editora Cejup, ‘Lendário
‘Contos Fantásticos da Amazônia’
(obra reeditada com este nome, mas que em 1989 foi nomeada?
Taú-Taú e Outros contos Fantásticos
da Amazônia’), uma coletânea com uma
narratividade singular aos misticismos da região,
e Arabescos, Historias Daqui e Dali, Folhas de Outono,
Lendário – Coletânea de contos Amazônicos,
o que lhe rendeu os prêmios de literatura ‘Samuel
MacDowell’ e ‘Terêncio Porto’,
promovidas pela Academia Paraense de Letras.
Yara Cecim foi casada com Miguel Cecim. O casal teve
três filhos, Vicente, Beth, Paulo Ricardo, dos
quais lhes legaram vários netos. Enfim, foi um
exemplo de vida entre nós família e os
grandes literários da Amazônia.
E, eis a minha homenagem à tia Yara Cecim, que
nos deixa, mas tenho certeza que somente os que preferem
manter-se na obscuridade, cultivando a árdua
e profícua caminhada dos simples e humildes,
mas que só os sábios ousam palmilhar chegar
a Gloria do Pai.
Vai tia Yara Cecim, descansa em paz, deixarás
saudade a todos os que conviveram contigo, em especial
à tua família...