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Jorge Calderaro

Escritor, Historiador e Ambientalista
jc@acordapara.com.br
Belém - Pará - Amazônia - Brasil
 

Pará Terra de Direitos! Totalmente sem Lei...

sábado, 27/12/08 - 20h00

Desde 2007 o Estado do Pará está sendo noticiado, virou manchete local e nacional sobre a (in)segurança pública, com assaltos a bancos, seqüestros relâmpagos com reféns e a desordem nas cidades do interior, a exemplo Igarapé Miri, um município da região guajarina onde a população revoltada com um assassinato ocorrido naquela cidade ateou fogo e destruiu por completo o Fórum da cidade, porém não ficamos somente com essa moldura espelhada na imprensa nacional, existem ainda os crimes como o da grilagem de terra, e o desmatamento inconteste do meio ambiente, outros cernes das questões.

E viva! A falta de segurança pública no Pará, e a fiscalização em nossas florestas... Como diz nosso hino ‘Salve o terra de lindas florestas... ’, ‘E a deixar de manter esse brilho, preferimos, mil vezes, a morte!’, profetizado por Arthur Porto, quando da escrita de nosso hino.

Não que seja luxo, não, mas no computador que trabalho, tenho instalada uma placa de captura de vídeo, onde escuto as estações de Rádio, bem como assisto programas Televisivos, principalmente os jornalísticos. Como acesso rápido qualquer emissora de TV, seja local ou nacional, tenho acompanhado os noticiários que não poupam informações que denigrem nosso Estado, no que diz respeito à segurança, pois já está assustador o índice de violência, seja contra o cidadão, ou crimes contra o meio ambiente. O que está faltando é colocar em prática o que dita nossas leis, e aplicá-las, para termos o direito de ir e vir, com tranquilidade como acontece em outras partes do planeta.

Quero falar sim, da falta de segurança, da falta de capacidade do governo gerir a situação caótica instalada. Sabemos que não é somente aqui no Pará. Porém, o governo estadual deverá implantar ações de pronto que venha ao encontro do anseio da população, o de dar segurança ao seu povo, e minimizar a insegurança que atualmente vivemos, ou quem sabe seremos realmente uma terra sem lei. Pois o sul do Pará já é conhecido como uma terra de ‘faroeste’. Cadê a aplicação da Lei...

A Lei, da qual me refiro, não é só o cumprimento pelo judiciário, não. Apesar de ter sido recentemente realizada uma audiência pública, em Belém do Pará, pela Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com a presença do ministro Gilson Dipp, para que a sociedade paraense tivesse a oportunidade de expor suas reclamações e fazer sugestões. O evento na realidade também foi uma inspeção da Corregedoria no Judiciário do Pará, motivada por reclamações relacionadas à morosidade processual, entre outras irregularidades administrativas.

Todos os dias, ao abrimos os jornais, deparamos com fatos de violência que substanciam esses informativos, o que não é diferente nos jornais televisivos. Porém, como bem colocado no documentário Armagedom: ‘Ler o jornal, hoje em dia, atualmente, não é a maneira mais animadora de se começar o dia, os problemas mundiais ficam cada vez mais desesperadores e insuperáveis’. Sim, e os nossos problemas onde ficam nessa cadeia sucessória?

Após a inserção da palavra Globalização parece que viramos outro estado, realmente estamos vivendo um momento de barbárie, com os esses acontecimentos. Recentemente a morte de um conceituado médico, aqui na capital, no centro da cidade, deu ensejo a ser criado um movimento sob o slogan ‘Violência – Chega de violência!’. Claro que a vida desse profissional ninguém poderá devolver. E como fica essa família? Cobrar de quem? Do Estado? Sabemos por óbvio que a dor é difícil de comutar, afinal, é de quem a sente. Neste caso é inconteste a dor dessa família enlutada. Sofrer o ‘nunca mais’ é a coisa mais dolorida que o ser humano pode sentir.

Recentemente, recebi um e-mail de uma amiga com a seguinte mensagem: ‘BASTA! Chega! Chega de tanta insegurança. Quantos amigos, cidadãos de bem, pais e mães de família perdemos este ano fruto da violência que tomou conta da nossa cidade? Quantas mães estão chorando a perda de seus filhos?’, o que demonstra a preocupação não somente dela, mas de toda uma sociedade... E enfatiza, ‘Estamos vivendo em nossa cidade um estado de sítio. “Estamos sitiados, encurralados pela violência, em um Estado sem Governo”.

E, somente para mudarmos de assunto, só que faltava... Que luxo! Até CPI da Pedofilia instalada na Assembléia Legislativa do Estado do Pará, para inquirir nada mais nada menos que um deputado estadual. Autoridade! Homem público! Membro dessa mesma casa... Agora imagina só, se viesse à tona os casos do interior do estado, se denunciassem realmente, o que aconteceria com nossa Nação Pará...

Entretanto, às vésperas de sediar o 9º Fórum Social Mundial, um evento de âmbito internacional, qual a segurança que se pode oferecer aos visitantes e turistas por passagem à nossa capital? Se bem que, no evento, serão discutidos temas relevantes por movimentos sociais que objetivam celebrar a diversidade, buscando alternativas que julgam ser adequadas a todas as questões sociais.

E o nosso contingente da Polícia Militar, bem como da Polícia Civil, como está quantitativamente em relação à população paraense? Se bem que, em alguns casos, temos visto que um determinado número de militares briosos no desempenho de suas atividades, evitando que em seqüestros relâmpagos as vítimas sejam mortas, como não foi o caso da adolescente Elóa, em Santo André, São Paulo. Segundo um jornal local a polícia chegou a informar que os registros este ano são menores comparados à mesma época do ano passado...

Devemos sim, cobrar energicamente das autoridades constituídas um ‘basta’ para esse caos instalado. A segurança não se faz só com uma frota de veículos ou motos novas, e sim com profissionais treinados e bem qualificados. Penso que, seja de bom grado o governo do Estado contratar novos policiais para dar segurança à nossa população, e aumentar também o contingente de fiscais do Ibama e Sema/Pa, para que possam fiscalizar com mais precisão a retirada ilegal de madeira de nossas florestas. Pois se não houver política pública para os problemas que vem se acumulando, o Pará notoriamente não sairá da mídia nacional e quiçá internacional. Realmente é muito lamentável ler, ouvir e ver os acontecimentos... Parece que tudo isso já tinha sido profetizado!

Como escrevi num prefácio de um livro; A alegria de saber, o prazer de conhecer, a beleza de encontrar, a grandeza de ser, de continuar a viver, de existir, compensa qualquer luta, qualquer esforço para acordar para a realidade, pois só a Deus, uno e trino cabe, em todos os sentidos, direcionar a vida de cada ser humano. Como é bom a Vida quando bem vivida.

E tenho dito...

 

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