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Jorge Calderaro

Jornalista, Escritor, Historiador e Ambientalista
jc@acordapara.com.br
Belém - Pará - Amazônia - Brasil
 

Precioso líquido só em garrafa, garrafão ou de poço

sábado, 04/07/09 - 08h40

Desde a quarta-feira, dia 1º, no início das férias escolares, a população da cidade de Belém sofre com a falta do precioso líquido, porém, somente no dia 2, quinta-feira, foi anunciada a explosão do transformador da Estação de Tratamento de Água do Bolonha. E a falta d’água já estava ocorrendo, coincidências à parte.

O fornecimento d´água no Estado do Pará é de responsabilidade da Companhia de Saneamento do Pará, e é uma vergonha. A empresa é contumaz em fazer desaparecer o precioso líquido, e quando fornece geralmente a água está contaminada, que o diga a população, é só ‘ferrugem’. Mais um órgão que enlameia o executivo estadual. Nem as ações ingressadas no MPE fizeram prosperar um serviço mais digno para a população que paga por isso. Paga em dois sentidos, um por não ter em suas torneiras o precioso líquido, e por pagar a fatura mensal de um serviço que não é fornecido à altura do desejado. E se o consumidor não pagar a conta, terá o serviço cortado. Mas que serviço?

Água tratada só chega para 49,2% da população, um avanço pífio, segundo informou à época uma Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, essa informação é do ano passado, quando metade do Pará ficou sem água. Naquela ocasião metade dos paraenses não tinham água encanada, uma triste realidade, pois o Pará naquele momento era o segundo pior em abastecimento. Será que agora não somos o primeiro no ranking?

Quem sofre geralmente é a população. Porém, de vez em quando o ‘staff’ da companhia está em voga divulgando os investimentos efetuados pela companhia. Ano passado o presidente da companhia em entrevista concedida a um jornal local informou que no Pará a meta exigia R$ 8 bilhões em investimentos. E afirmou que naquele momento já existiam R$ 400 milhões para investimentos, esperando muito mais dinheiro do PAC.

Conheço bem o sistema de tratamento inclusive o da Cosanpa, pois já estive por lá fazendo um documentário sobre o tratamento da água, porém não conheço o administrativo e o financeiro. Mas fico pensando onde estará sendo aplicado esses investimentos? Pois um simples curto-circuito seguido de uma explosão queimou o transformador da estação que bombeia água do Bolonha, e a população ficou sem água. Cadê os investimentos?

Antes de o Governo ter efetuado a encomenda e a compra dos Kits escolares que hoje é alvo de investigação pelo MPF e MPE, e com decisão do TJE para bloqueios dos bens de todos os envolvidos, não seria melhor terem investido noutras áreas, em especial no saneamento básico, pois solucionaria os problemas não somente de alguns moradores, e sim da população. Pois deveriam pensar que os kits escolares foram distribuídos para crianças e jovens que ainda não votam, e o resultado com certeza será esperado nas urnas em 2011.

Em ‘O Liberal’ de hoje, a manchete é - ‘Meia Belém de novo sem um pingo d´água amanhã’ -, porém com bastante petulância o presidente da Cosanpa esclarece que: “... Um bairro que tem cota mais baixa tem uma condição hidráulica de abastecimento melhor do que um bairro que está situado em cotas mais altas. Além disso, a população estava sem água, então isso gera uma demanda acima da qualidade normal. Muita gente sai de casa deixa a torneira aberta ou fica esperando a água voltar com a torneira aberta. À medida que a população começar a acreditar de novo que a água chega, há uma tendência de reduzir este consumo, por isso, é preciso neste momento evitar o desperdiço”.

Que desperdiço se não existe água nas torneiras? Como vemos, a culpa sempre cai no mais fraco, desta vez a população é a principal culpada pela falta d´água nas torneiras, e a Cosanpa onde fica nesse jogo? Mas até amanhã grande parte da região metropolitana continua sem água. Longe de fazer qualquer insinuação mais séria, mas assim só resta pensar à quem estão beneficiando? Aos distribuidores de água mineral estabelecidos na capital paraense? Como sempre a pergunta fica no ar. Ou quem quiser pensar de outra maneira que fique a vontade, pois eu já tenho minha opinião formada quanto aos investimentos.

Pará terra de grandes rios, o que não falta neste estado é água doce, salobra e salgada, mas mesmo assim a empresa de abastecimento não possui capacidade para gerar esse problema que aflige a todos os belenenses.

E tenho dito!

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