Precioso líquido só em garrafa, garrafão
ou de poço
sábado, 04/07/09 - 08h40
Desde a quarta-feira, dia 1º, no início
das férias escolares, a população
da cidade de Belém sofre com a falta do precioso
líquido, porém, somente no dia 2, quinta-feira,
foi anunciada a explosão do transformador da
Estação de Tratamento de Água do
Bolonha. E a falta d’água já estava
ocorrendo, coincidências à parte.
O fornecimento d´água no Estado do Pará
é de responsabilidade da Companhia de Saneamento
do Pará, e é uma vergonha. A empresa é
contumaz em fazer desaparecer o precioso líquido,
e quando fornece geralmente a água está
contaminada, que o diga a população, é
só ‘ferrugem’. Mais um órgão
que enlameia o executivo estadual. Nem as ações
ingressadas no MPE fizeram prosperar um serviço
mais digno para a população que paga por
isso. Paga em dois sentidos, um por não ter em
suas torneiras o precioso líquido, e por pagar
a fatura mensal de um serviço que não
é fornecido à altura do desejado. E se
o consumidor não pagar a conta, terá o
serviço cortado. Mas que serviço?
Água tratada só chega para 49,2% da
população, um avanço pífio,
segundo informou à época uma Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, essa
informação é do ano passado, quando
metade do Pará ficou sem água. Naquela
ocasião metade dos paraenses não tinham
água encanada, uma triste realidade, pois o Pará
naquele momento era o segundo pior em abastecimento.
Será que agora não somos o primeiro no
ranking?
Quem sofre geralmente é a população.
Porém, de vez em quando o ‘staff’
da companhia está em voga divulgando os investimentos
efetuados pela companhia. Ano passado o presidente da
companhia em entrevista concedida a um jornal local
informou que no Pará a meta exigia R$ 8 bilhões
em investimentos. E afirmou que naquele momento já
existiam R$ 400 milhões para investimentos, esperando
muito mais dinheiro do PAC.
Conheço bem o sistema de tratamento inclusive
o da Cosanpa, pois já estive por lá fazendo
um documentário sobre o tratamento da água,
porém não conheço o administrativo
e o financeiro. Mas fico pensando onde estará
sendo aplicado esses investimentos? Pois um simples
curto-circuito seguido de uma explosão queimou
o transformador da estação que bombeia
água do Bolonha, e a população
ficou sem água. Cadê os investimentos?
Antes de o Governo ter efetuado a encomenda e a compra
dos Kits escolares que hoje é alvo de investigação
pelo MPF e MPE, e com decisão do TJE para bloqueios
dos bens de todos os envolvidos, não seria melhor
terem investido noutras áreas, em especial no
saneamento básico, pois solucionaria os problemas
não somente de alguns moradores, e sim da população.
Pois deveriam pensar que os kits escolares foram distribuídos
para crianças e jovens que ainda não votam,
e o resultado com certeza será esperado nas urnas
em 2011.
Em ‘O Liberal’ de hoje, a manchete é
- ‘Meia Belém de novo sem um pingo d´água
amanhã’ -, porém com bastante petulância
o presidente da Cosanpa esclarece que: “... Um
bairro que tem cota mais baixa tem uma condição
hidráulica de abastecimento melhor do que um
bairro que está situado em cotas mais altas.
Além disso, a população estava
sem água, então isso gera uma demanda
acima da qualidade normal. Muita gente sai de casa deixa
a torneira aberta ou fica esperando a água voltar
com a torneira aberta. À medida que a população
começar a acreditar de novo que a água
chega, há uma tendência de reduzir este
consumo, por isso, é preciso neste momento evitar
o desperdiço”.
Que desperdiço se não existe água
nas torneiras? Como vemos, a culpa sempre cai no mais
fraco, desta vez a população é
a principal culpada pela falta d´água nas
torneiras, e a Cosanpa onde fica nesse jogo? Mas até
amanhã grande parte da região metropolitana
continua sem água. Longe de fazer qualquer insinuação
mais séria, mas assim só resta pensar
à quem estão beneficiando? Aos distribuidores
de água mineral estabelecidos na capital paraense?
Como sempre a pergunta fica no ar. Ou quem quiser pensar
de outra maneira que fique a vontade, pois eu já
tenho minha opinião formada quanto aos investimentos.
Pará terra de grandes rios, o que não
falta neste estado é água doce, salobra
e salgada, mas mesmo assim a empresa de abastecimento
não possui capacidade para gerar esse problema
que aflige a todos os belenenses.
E tenho dito!