Amazônia! Uma ameaça que aflige a todos
sábado, 14/01/06 - 08h00
Lendo a edição do dia 9 de janeiro de “O
Liberal”, na coluna “Voz do Leitor” –
sob o título principal “Vez do Leitor” tive
a grata satisfação de degustar os artigos intitulados,
“A internacionalização da Amazônia”,
de Benedito Wilson Sá, membro da Academia Paraense de
Letras – Belém; “Panorama Latino-Americano”,
de Jarbas Passarinho, ex-governador do Pará, ex-senador
e ex-ministro do Trabalho, da Educação, da Previdência
e da Justiça; “É mais quem quer a Amazônia!”,
de Hugo Antônio Ferrari - Óbidos – Pará
e “Amazônia: do desmatamento à exploração
sustentável”, de Marcus Barros, presidente do Ibama
– Brasília.
Então, tomei por base que as
matérias e artigos publicados aqui no saite Acorda
Pará - www.acordapara.com.br
-, o qual não possui fins econômicos, não
se constituem denúncia em vão. O Acorda
Pará, oportunamente, recebe visitas de leitores
de países como: Estados Unidos, Suécia,
Portugal, Japão, França, Polônia,
Canadá, Alemanha, Austrália, Inglaterra,
Suíça, Argentina, Espanha, Noruega, Panamá,
Costa Rica, Áustria, União Européia,
Bélgica e Brasil, e, que alcança lugar de
destaque internacional ao ter matérias publicadas
nos Estados Unidos através do site PlanetSave www.planetsave.com
– Independent News. O alerta já havia sido
feito! Sabemos que nossas autoridades fingem desconhecer,
ou ignorar sobre as denúncias publicadas, mas têm
conhecimento substancial do que ocorre em nosso território,
como é exemplificado nos textos publicados nessa
edição.
Na realidade, a equipe de jornalismo do Acorda
Pará tem sim, de verdade, se empenhado e clamado para que
as autoridades constituídas, pelo menos no Estado do Pará,
iniciassem um processo para que possamos salvar a Amazônia
dos aventureiros alienígenas (diversas empresas de extrativismo
mineral e vegetal sediadas no Estado) que na realidade estão
a devastar um dos últimos refúgios da natureza.
Na maioria das vezes sem pagar os impostos necessários
ao nosso erário, indo beneficiar outros Estados. E a nossa
população como fica? Mas, é como bem aduz
em sua matéria Benedito Wilson de Sá “...lugares
onde comunitários costumavam usar barcos e canoas como
único meio de transporte puderam simplesmente ser percorridos
caminhando ou de bicicleta. Grandes barcos ficaram presos no barro
seco - que costumava ser o leito dos rios: milhares de peixes
mortos atraíram urubus, transformando a paisagem em um
grande cemitério a céu aberto; cidades e comunidades
completamente dependentes dos rios ficaram totalmente isoladas,
padecendo com a falta de remédios, combustível,
água potável e comida”; somente essa afirmação
tipifica o que se pode observar na Amazônia Paraense. E
a quem interessa tanta pobreza, aos nobres políticos brasileiros
ou a grupos estrangeiros que “financiam o país”?
Ademais, não podemos deixar que
um grupo de poucos, mas muito poucos empresários,
se beneficiem de tais produtos e matérias primas
somente para ostentarem a luxuria, sem, no entanto, corroborar
com um mínimo possível para o engrandecimento
de nosso Estado. E, sem nenhum sentimento de culpa, deixar
como herança às atrocidades perpetradas
contra a natureza para nossa geração futura.
A natureza que sempre foi muita pródiga nesta extensa
faixa do território paraense começa a dar
sinal de exaustão, devido à exploração
predatória dos recursos naturais ao longo do tempo.
Disse uma vez Victor Hugo, "Primeiro foi
necessário civilizar o homem em relação ao
próprio homem. Agora é necessário civilizar
o homem em relação à natureza e aos animais".
E nosso hino o que diz? “Salve, ó terra de rios gigantes,
da Amazônia - Princesa louçã, tudo em ti são
encantos vibrantes, desde a indústria à rudeza pagã”,
e, Hugo Ferrari afirma em sua matéria: “É
mais quem quer a Amazônia! Pelo desinteresse com que as
nossas autoridades tratam a Amazônia, é mais quem
a quer! Todos sabem - e não é de hoje - que existem
países de “olho gordo” na maior reserva de
biodiversidade do planeta. Para o Brasil, essa riqueza parece
não representar nada diante da devastação
impressionante que a floresta vem sofrendo há anos seguidos.
O governo, infelizmente, tem provado não ser capaz de preservar
a Amazônia como deveria, a fim de evitar que o pior de todos
os predadores - o próprio homem - destrua de vez esse verdadeiro
santuário. Ninguém respeita mais as nossas leis
ambientais! A cada agressão que a Amazônia sofre,
é menos vida - não somente no Brasil, mas no resto
do mundo, também, pois abala o ecossistema como um todo”.
Quando falamos da Amazônia, temos
todo cuidado, quando citamos e afirmamos como denúncia
o que por aqui se passa, inclusive algumas ações
“sub-judice”, pois, se não o fizermos,
ainda proclamarão nossas matérias como dúbias
ou quem sabe apologia. Vemos que se faz urgente e necessária
a criação de uma política que venha
ao encontro não somente ao interesse da Nação,
do Estado ou de cada Município, mas, que tenha
em seu bojo uma realidade de minimizar os problemas sofridos
por todos os paraenses no que diz respeito à preservação
do meio-ambiente, e que isso realmente ultrapasse as fronteiras
do papel ou da mídia e que venha a ser executado
de verdade, já que vivemos e necessitamos do solo
onde moramos. Não devemos esquecer que a verdadeira
razão de manter o meio ambiente ecologicamente
equilibrado é o próprio homem, o ser humano.
Devemos sim, estar preocupados com o futuro
da região, principalmente no que diz respeito ao interior
da floresta. O Governo precisa na realidade alocar recursos humanos
e financeiros para atividades básicas, que vão desde
a fiscalização à limitação
da floresta e projetos de pesquisa e exploração
racional. Já que as poucas famílias que habitam
a região mantêm-se atentas contra o invasor, mas
sem voz nem vez, e pouco, muito pouco mesmo podem fazer, pois
só possuem direito a voto nas urnas das eleições.
O silêncio das matas e rios denuncia os
invasores com os ruídos dos motores dos empurradores (pequenas
embarcações com grande propulsão) que empurram
jangadas com centenas de metros cúbicos de toras de madeiras
nobres da região, ou quem sabe mesmo aquele barulho estarrecedor
das motos-serras demolindo parte de nossas florestas sem que,
no entanto, o barulho chegue aos ouvidos das autoridades mais
próximas na ocasião da agressão à
nossa flora.
Quando escutamos a cantata do hino do Pará,
que emoção! Mas emoção de quê?
Se voltarmos um pouco no tempo, quando da composição
dos versos de Arthur Porto, “Salve, ó terra de ricas
florestas, fecundadas ao sol do Equador, teu destino é
viver entre festas, do progresso, da Paz e do Amor”, temos
certeza que, quando da criação, a palavra “Salve”
que se perpetua, foi escrita como uma expressão de saudação,
hoje, porém, quem sabe o verbo salvar - literalmente –
tenha sido uma visão do autor, bradando à época,
para Salvarmos a Amazônia dos “crápulas”
instalados sob as barbas de nossas autoridades municipais, estaduais
e federais.
Então, os autores das matérias
publicadas que me desculpem, mas, pergunto sem sentimento
de culpa. Teremos ainda que acreditar na letra de nosso
hino, ou teremos que ver o desfecho que o mesmo proclama...
“Ó Pará, quanto orgulha ser filho,
de um colosso tão belo e tão forte, juncaremos
de flores teu trilho, do Brasil - Sentinela do Norte.
E a deixar de manter esse brilho, preferimos, mil vezes,
a morte!”. Será que teremos que cumprir o
dito de nosso hino, ou teremos que perecer sem oxigênio,
pois já foi provado cientificamente que regiões
áridas já abrigaram uma rica vegetação
e biodiversidade no passado?
Por que não olhar com profissionalismo
toda a situação como se apresenta. A gradativa
mudança de temperatura que ocorre no Pará,
ou quem sabe a escassez das águas fluviais, como
já ocorreu ano passado. Aí fica a pergunta.
Seremos o próximo deserto do mundo? O temor é
muito grande. A ameaça atinge a todos. A realidade
está cada vez mais próxima. Até que
os governos e a sociedade reconheçam que no vasto
e rico universo amazônico, como em qualquer outro
ponto do planeta, a natureza é o elemento mais
importante. Resta preservar a Amazônia. Pois, ela
sempre continuará sendo necessária. O pulmão
do mundo!
Para não me alongar muito no
texto, e para que a população não
só paraense, mas a nortista, e quiçá
a brasileira num todo, tome conhecimento do que ocorre
em nossa região é que existem matérias
exemplarmente divulgadas sem nenhuma censura prévia,
ou fins comerciais, mas com toda ética peculiar
às nossas atitudes no saite Acorda Pará.
Então Viva a Amazônia!
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