Belém do Pará 390 anos
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Na foto vemos o complexo que
deu origem a cidade de Belém.
Em primeiro plano visualizamos
construções antigas e ao lado
direito
o primeiro necrotério
do estado do Pará, ao fundo o Forte do
Castelo
e Casa das Onze Janelas,
pontos turísticos restaurados
no atual governo.
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Belém a Capital
da Amazônia
12/01/06– 00:00h
por Jorge Calderaro
Preocupado em assegurar o domínio
português na Região, o Rei D. João
IV, ordenou a organização de uma expedição
que deveria vir ao Norte e fundar um forte para combater
invasores que ousassem adentrar à região,
demonstrando assim, que naquela época já
havia interesse de outros povos e outras nações
pela Amazônia.
Tudo começou na metade do século
XVI por ocasião das primeiras viagens à
região, fato que motivou o colonizador português
partir de São Luiz, no Maranhão, transportados
em um patacho, um caravelão e uma lancha grande
– “Santa Maria da Candelária",
"Santa Maria da Graça" e "Assunção",
onde Francisco Caldeira Castelo Branco, era acompanhado
por 150 soldados em três Companhias e índios
Tupinambás do Maranhão, que vinham aliciar
outros grupos nativos, aportando no local originalmente
chamado de terras do Mairi.
A expedição era guiada
pelo francês Charles De Vaux, tendo como condutor
o piloto Vicente Cochado. Após vencerem os baixos
da Tijioca, chegaram defronte da Barreta, próximo
à Vigia e prosseguiram até a Ilha de Colares,
onde pretendiam construir uma cidade.
Mas foi em uma quinta-feira, dia 07 de
janeiro de 1616 que a esquadra aportou no local onde fundaram
o município, hoje conhecido como Vigia de Nazareth.
Em seguida adentraram e ocuparam a foz do rio Amazonas
e construíram o forte do Presépio, que originou
a cidade de Nossa Senhora do Belém. O nome Presépio
é em deferência à data da partida
da expedição de São Luiz, em uma
sexta-feira, 25 de dezembro de 1615.
A chegada foi em uma terça-feira,
12 de janeiro de 1616, marcando definitivamente a presença
portuguesa em solo amazônico, fazendo assim nascer
o Pará. Na época da fundação
foi criado um vilarejo com 300 habitantes que deu origem
a principal entrada da Amazônia, seja aérea,
terrestre ou marítima, firme e forte nos seus 389
anos de existência, possui vários patrimônios
históricos, e novos pontos turísticos que
surgem resgatando a história e preservando a cultura,
além das recentes obras idealizadas e realizadas
pelo atual Governo do Estado.
Belém reflete o que se pode chamar
de cidade tipicamente amazônica com uma população
hospitaleira e um calor humano inigualável somente
comparável ao eterno verão no qual vive
a região, entretanto não se pode esquecer
daquela chuvinha que periodicamente cai pela parte da
tarde.
A capital do Estado do Pará é
considerada uma das principais do país, e apresenta
uma arquitetura marcada por um passado rico e glorioso,
exemplificado nas construções das seculares
igrejas como a do Carmo, das Mercês, de Santana,
Basílica de Nazaré, Catedral Metropolitana
da Sé no bairro da Cidade Velha.
O itinerário do turista começa
pela feira do Ver-o-Peso, originado Porto Fiscal, onde
em 1688, os portugueses tinham que ver o peso das mercadorias
que saiam e chegavam à Amazônia para cobrarem
os impostos correspondentes. Hoje tombado pelo patrimônio
histórico é o cartão postal da capital
paraense, o local é um dos mercados que abastece
a cidade.
E, o maior presente deixado pela cultura portuguesa e
pelos jesuítas que aqui catequizaram os índios
e nossos ancestrais, teve inicio após o achado
da pequena imagem de uma Santa, que deu origem ao Círio
de Nossa Senhora Nazaré, que teve sua primeira
procissão realizada no segundo domingo do mês
de outubro de 1793 e continua até os dias de hoje.
UM POUCO DA BELÉM DE 1900
Texto extraído do livro sobre
a vida de Severa Romana - "Santa Popular e Heroina
da Honra" de minha autoria.
Entre 1880 e 1912, a cidade de Belém
vivia o ciclo da borracha, período áureo
da economia seringueira na Amazônia. O monopólio
mundial do látex, mantido pela região nesse
período, permitia investimentos, públicos
e privados, e qualquer extravagância financeira
à modernidade era fácil e as influências
vinham mundo afora, pois, tudo acontecia na Europa, e
muito de lá era assimilado pela população
paraense. Segundo esses princípios Belém
ergue-se altiva com prosperidade ainda que vivesse a época
extrativista e monocultura.
Belém vivia os primeiros meses
do século passado. Ainda se ouvia pelas avenidas
e praças, ruas e travessas, becos e estradas secundárias,
o rumor, o atrôo dos gritos de alegria, dos brados
de satisfação com que o paraense, filho
da terra, assistira à passagem do século
XIX para o XX.
Estávamos em julho de 1900. Governava
o Estado o Dr. José Paes de Carvalho, para uma
população de cento e vinte mil almas. Belém
tinha como intendente, o velho Antonio José Lemos,
que era tal qual um céu aberto, segundo alguns
historiadores. Uma personalidade de grande importância
para o desenvolvimento da cidade, considerada a Metrópole
da Amazônia, pois já administrava a capital
por três anos, que perdurou até 1911, privilegiando
Belém com o estilo da Art Nouveau.
Antonio Lemos foi sem dúvida um
visionário, pois, pela grande sensibilidade e gosto
refinado que tinha estava anos-luz à frente do
seu tempo, motivando os mais diversos projetos arquitetônicos
e paisagísticos, a maioria, hoje, tombados pelo
patrimônio histórico. Tempos áureos
da borracha que lhe legaram em melhoramentos e progresso
a Belém neoclássica, a Belém das
Mangueiras com seus vendedores de jasmim nas ruas e praças
outrora construídas e que hoje continuam imponentes
embelezando a cidade.
Nessa época era constante, as
viagens de pessoas da sociedade paraense à Europa.
Vivia-se a famosa época denominada de Belle Époque.
Dentre os viajantes, Antonio Lemos enviava também
seus assessores para estudar na Europa, os quais traziam
muitas novidades do primeiro mundo para cá.
Tudo do bom e do melhor vinha da Europa,
adornos, revistas, quadros, chapéus, vestidos,
mobiliário tudo o que você pensar era transportado
em longas viagens, onde os navios atravessavam o Atlântico,
em direção a Belém, pois é
o porto mais próximo da Europa, o que aumentou
o potencial econômico do Pará. A fartura
era grande, tudo além de barato era fácil.
O preço da borracha ficava entre 5$500 e 6$500
o quilo, ilhas e sertão. O cambio estava 11 1/8,
dando a libra 25$263 e o dólar 5$920. E com esta
posição econômica, a Amazônia
acenava a todos com a verdínea exuberante de sua
opulência e de seu fastígio.
Era constante a procura de grupos heterogêneos
em busca da porta do El-Dorado. Exploradores, intelectuais,
cientistas, artistas, aventureiros homens do trabalho
bruto e até cortesãos. Rindo a socapa, a
febre amarela escolhia, dentre os adventícios,
dos recém-chegados, seus eleitos para o abraço
fatal da morte.
Assentada em uma área de 40.156.568
m2, o município de Belém, já em 1905,
contava com 24.103.972 m2 de área edificada, o
que compreendia 53 ruas e avenidas, 52 travessas, um número
incalculável de “corredores" e pequenos
caminhos secundários, 22 largos, 790 construções
assobradadas, inclusive os palacetes, 9.152 prédios,
2.600 pequenas casas e onze grandes trapiches nos portos.
Ao centro da cidade o bairro de Nazareth,
onde foi erguida uma ermida para adoração
à imagem achada pelo caboclo Plácido em
um igarapé. No mesmo local foi construída
a Basílica de Nazareth, onde devotos religiosos
prestam as mais diversas homenagens a Padroeira dos paraenses.
Isso é um dos motivos que você
tem para conhecer Belém “A Capital da Amazônia”.
E a partir deste enfoque você poderá acompanhar
semanalmente as matérias que iremos divulgar sobre
Belém e as cidades que fazem o Pará. O maior
espetáculo da terra! Tenho orgulho de ser paraense...
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