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Jorge Calderaro

Jornalista, Escritor e Historiador
jc@acordapara.com.br
Belém - Pará - Amazônia - Brasil
 

Círio de Nazareth 2007 - A História

sábado, 13/10/07 - 20h54

A mais importante tradição religiosa do povo paraense tem suas origens em Portugal. Conta à lenda que a imagem de Nossa Senhora de Nazareth, hoje venerada naquele país, teria saído de Belém, da Judéia, no século IV, indo, posteriormente, parar nas mãos de Santo Agostinho, quando este ainda se encontrava peregrinando pela África. Considerada como relíquia, a imagem de Nossa Senhora foi remetida para um convento espanhol, e lá permaneceu durante muito tempo, até surgir o monge Romano que fugia da perseguição muçulmana.

Na Amazônia, o culto à Virgem de Nazareth foi trazido pelos jesuítas no começo da colonização. Na vila de Vigia, onde era inicialmente venerada, a imagem de madeira que representava Nossa Senhora era considerada pelo povo humilde como milagrosa já no ano de 1697, conforme relata o padre João Felipe Bettendorf, da Companhia de Jesus.

Na capital do Estado do Grão Pará, a descoberta de outra imagem aumentou ainda mais a devoção na colônia portuguesa. No ano de 1700, o caboclo Plácido José de Souza andando pela floresta do Utinga, encontrou à beira do igarapé, uma pequena imagem de madeira com aproximadamente 30 cm de altura, ainda coberta com seu manto branco de seda. Surpreendido com o achado, Plácido levou a imagem de Nossa Senhora para sua casa, e lhe dedicou, na ocasião, um santuário improvisado.

Mas a grande surpresa estava por vir no dia seguinte. Ao visitar o santuário, o devoto não encontrou no local a escultura que ele próprio havia guardado na noite anterior. Após intensa procura, juntamente com os vizinhos, Plácido constatou que, misteriosamente, a imagem tinha retornado para a floresta, reaparecendo no mesmo local de origem.

O fato ainda se repetiu várias vezes, e fez com que a lenda se espalhasse rapidamente pela cidade. O Governador da época, cujo nome a lenda popular não identifica, quis então constatar os fenômenos envolvendo a imagem de Nossa Senhora de Nazareth. Com esse propósito, mandou trancar a escultura na Capela do Palácio do Governo, e colocou dezenas de guardas em volta do prédio para evitar qualquer tipo de fuga. No dia seguinte, porém, a Imagem reaparecia novamente à beira do igarapé. O fenômeno confirmou assim, mais uma vez, que o lugar sagrado para Nossa Senhora de Nazareth estava mesmo localizado na Estrada do Utinga. A vontade da Santa teria com isso que ser cumprida. E logo trataram as autoridades civis e religiosas, juntamente com o povo, de erguer a primeira igreja em honra de Nossa Senhora de Nazareth.

A grande festa dos paraenses sempre é comemorada no segundo domingo do mês de outubro e teve seu início em 1793. Mas, hoje, tudo começa na sexta-feira que antecede o Círio, com a Trasladação da imagem do Colégio Gentil Bittencourt (próximo a Basílica de Nazareth) até a vizinha cidade de Ananindeua, onde a imagem pernoita, e no dia seguinte após a missa, inícia a procissão rodoviária (Policia Rodoviária Federal) até Icoraci, uma distrito de Belém, onde é realizada outra missa para a população local. Em seguida é colocada em uma embarcação, que seguida por centenas de outras embarcações de todos os portes segue em direção a escadinha do porto de Belém (Docas do Pará), onde está instalado um dos pontos turísticos mais importantes da cidade, a Estação das Docas.

A recepção da Santa é feita por motoqueiros que num grande cortejo a conduzem até o colégio Gentil Bittencourt, para na noite desse mesmo dia (sábado) sair em direção a Igreja da Sé, -sentido inverso a procissão principal que acontecerá no dia seguinte. No percurso, várias homenagens são prestadas por moradores e devotos da Santa, inclusive com a queima de fogos de artifício.

No domingo pela manhã, após missa realizada na Igreja da Sé, (na cidade velha – herança dos colonizares portugueses), inicia-se a grande procissão. O Círio propriamente dito. São dezenas, centenas, milhares de pessoas fazendo um rio de gente, pelas ruas e avenidas por onde passa a procissão, segundo dados estatísticos, são mais de dois milhões de pessoas que participam da festa. Na procissão, a Corda, sem dúvida é um dos principais elementos do Círio onde os devotos seguram-na a fim de pagar promessas alcançadas, o enorme sacrifício só é pago pela fé à Santa. Durante o cortejo existem várias homenagens; no Ver-o-Peso, no Sindicato dos Estivadores, em frente ao Banco do Brasil e em quase todos os Colégios ao longo do percurso, etc., este ano vários cantores (as) estarão em Belém para louvar a Santa.

Enfim, após várias horas de romaria a imagem da Santa chega à Basílica de Nazareth, onde novamente é realizada outra missa para assim ter início às festividades da paróquia de Nazareth.

Neste glorioso dia toda a população independentemente do poder aquisitivo, serve farta iguaria da culinária paraense em suas mesas para o tradicional almoço do Círio, onde sem dúvida não falta o famoso pato-no-tucupi, a maniçoba a entre outras comidas típicamente paraenses.

Nos quinze dias da festa vários são os eventos religiosos bem como atrações ao longo do largo da praça no complexo denominado de CAN e no parque de diversões anexo a praça, onde existem vários brinquedos e barracas que vendem as mais diversas bebidas e comidas típicas, o lado profano do evento.

Então, no último domingo da festa acontece o Círio das Crianças, o percurso é bem menor, fazendo com que desde a infância os futuros ‘promesseiros’ acompanhem a grande procissão do Círio de Nazareth.

De noite, a Basílica torna-se um monumento iluminado peculiar à esta data, e de dia podemos observar toda sua suntuosidade construída em arquitetura romana, com traços da Basílica de São Pedro em Roma.

 

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