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Coração! O órgão mais falado e que dá o que falar...

quinta-feira, 30/08/07 – 21h01

Por Jorge Calderaro

Há muito, em um linguajar bem coloquial, sempre escutamos: Eu te amo dentro do meu coração. Meu coração te ama. Meu coração está apaixonado. Meus pais moram no meu coração. Como sempre está ligado a natureza ou a parte emocional do individuo, por oposição à natureza, ou à parte intelectual, à cabeça. Sede suposta da sensibilidade moral, das paixões e sentimentos.

Enfim, a palavra coração cabe em muitos significados como; “Coração de ouro”, para pessoa extremamente bondosa, generosa. “Coração de pedra”, para pessoa insensível, desalmada, cruel. “Abrir o coração”, fazer confidências; desabafar(-se), abrir-se. “Com o coração na mão” geralmente para quem se assusta. “De todo o coração”, sinceramente, afetuosamente, ou quem sabe “Falar do coração” como é o caso do texto a seguir.

Mas, o que é mesmo um coração? Coração, segundo os mais variados dicionários diz que é um órgão muscular situado na cavidade torácica que, nos vertebrados superiores, é constituído de dois átrios e dois ventrículos, e que recebe o sangue e o bombeia por meio dos movimentos ritmados de sístole e diástole. Entretanto, o que devemos saber sobre o coração da anatomia humana? É importante saber sobre doenças do coração, porque estas doenças são as que mais matam as pessoas no mundo.

Assim, abordaremos agora a principal delas que é a Doença Arterial Coronária, que determina os infartos cardíacos. E o que é isso? A doença coronária ocorre porque as artérias (chamadas coronárias porque se encaixam no órgão como uma coroa) que nutrem o coração de sangue e, por conseguinte de oxigênio, sofrem um processo de agressão em suas paredes do lado de dentro, o que determina o aparecimento de uma placa (que parece com um pouco de pasta de dente quando se derrama na pia) chamada ateroma (a doença chama aterosclerose). Esta placa impede o livre fluxo do sangue por dentro dos vasos e, um dia qualquer, se quebra, e o contato do sangue com a gordura em seu interior determina a formação da um trombo que entope de vez a coronária causando o infarto cardíaco e/ou a morte.

E o que determina a formação da placa ateroma? Bem! Aí existe uma série de fatores muito importantes, uns modificáveis e outros sobre os quais ainda não podemos interferir, estes são a idade, homens acima de 35 e mulheres acima de 45 anos e a herança genética de nossos pais e antepassados. Vejamos, sobre os que podemos interferir a partir de agora e que são basicamente sete seus derivados: o fumo, a pressão alta, a diabete, o colesterol elevado, a obesidade, a vida sem exercícios e a preocupação de todo dia. Este último é o que em medicina se chama de estresse.

Uma só condição destas pode ser responsável pelo aparecimento da aterosclerose. Imaginem quando associadas: elevam o risco para até 20 vezes mais de se ter um infarto e/ou morte súbita. Iniciamos pelo cigarro porque hoje é letal fumar, devido a nicotina inalada lesar inexoravelmente o endotélio (parede de dentro das artérias). Porém, antigamente todos nós fumávamos, pois víamos os grandes atores dos filmes clássicos (Casablanca, por exemplo) fumarem e os imitávamos. Bem, todos eles já morreram, a maioria em conseqüência do fumo, que hoje preocupa muito menos pelo câncer do que pelas doenças do coração que acomete, pois o tabaco lesa a parede de dentro das artérias e ocasiona o início da formação da placa, iniciando todo um processo que vai terminar no infarto.

A pressão alta ou hipertensão é o fator mais freqüente, pois existe sem uma causa determinada em 30% a 40% das pessoas adultas do mundo, ou seja, de um a dois adultos em cada cinco é hipertenso, a partir dos 35 anos de idade nos homens e dos 45 anos nas mulheres, e é responsável pela maioria dos casos de pessoas com Acidente Vascular Cerebral, que conhecemos pela sigla de AVC, que outrora foi chamado de “congestão” ou de “derrame cerebral”, infarto do miocárdio e insuficiências cardíaca e renal. É uma doença que ainda não tem cura, mas é controlada desde a década de 50. Apesar disso, devido à desinformação geral, e de somente um número reduzido de pessoas apresentarem sintomas, poucos se tratam de maneira correta. É bom saber que a pressão máxima superior a 24 mmHg e /ou a pressão mínima superior a 140 mmHg são os níveis onde começa haver o risco de acidente vascular cerebral ou morte súbita. Já na diabete do tipo adulto, que existe em aproximadamente 7% a 10% dos humanos, o excesso de glicose no sangue, quando a diabete não está controlada, também lesiona na parede interna das artérias e inicia a formação das placas ateromatosas. O colesterol, quando aumentado, principalmente uma de suas frações chamado de LDL (ou mau colesterol) é que penetra da parede do lado de dentro das artérias para iniciar a formação do ateroma. Basta ele estar aumentado e a parede da artéria lesionada para tudo iniciar. Quanto à obesidade, é necessário saber que 30% das pessoas estão hoje com o peso acima do normal.

A vida sedentária também colabora para o sofrimento da parede das artérias, principalmente pelo fato de que a maioria dos hipertensos e dos diabéticos serem obesos. Finalmente o estresse, que nada mais é do que a preocupação diária que temos, principalmente devido à instabilidade social do mundo, que nos leva, a nos preocupar com trânsito, salários, família, “companheiros” de trabalho e de profissão, violência, drogas, discriminações humanas, etc., que nos deixam com o estado emocional alterado, e que provocam a liberação de substâncias no nosso corpo que vão alterar o endotélio (parede interna) de nossas artérias e desencadear o começo da aterosclerose.

Então, o que devemos fazer para evitar esta doença, que hoje mata aproximadamente 46% da humanidade, praticamente uma em cada duas pessoas? Evitar, ou melhor, eliminar todos estes fatores de risco, todos mesmo, porque um só deles, quando não evitado por nós, pode ser suficiente para determinar nossa morte antes do tempo previsto; pois, como dizia Paul White, “Se morrermos do coração antes dos 80 anos, a culpa foi somente nossa; após esta idade pode ser desígnio do universo”. Assim, parar de fumar é fundamental, e hoje existe além de diversas alternativas tipo acupuntura, adesivos com nicotina para uso temporário; drogas de uso oral, que determinam o abandono do vício com sucesso e sem depressão e desespero. Quanto à hipertensão, o ato de tomar remédio para manter a pressão normal, e assim levar uma vida normal, deve ser acrescentado ao nosso dia-a-dia como o ato de beber água ou de escovar os dentes, não dá para não fazer, pois a hipertensão não controlada corresponde a risco de vida diário. Os diabéticos devem fazer parte dos grupos de diabetes, que a cada dia atualizam os costumes e condutas para os mesmos. Em relação ao colesterol, este quando aumentado não tem sintomas, então o ideal é dosá-lo a cada seis meses, pois as drogas atuais além de manter o controle, evitam a evolução da doença aterosclerótica, assim como o fato de caminhar 40 minutos por dia, que cientificamente bloqueia a doença e suas conseqüências, como também ajuda os obesos a emagrecerem, pois não existe gordo sadio, devido à sobrecarga de trabalho que o obeso tem em seu sistema circulatório.

Enfim, esta doença que deveria nos acontecer após a oitava década de vida, esta acontecendo hoje em pessoas com vinte e poucos anos, e esta prevalência tem aumentado consideravelmente nos últimos quarenta anos, e o que aconteceu no mundo nestes anos. No final dos anos sessenta, quase todo mundo fumava, a doença hipertensão era desconhecida do público, o exercício diário não era comum, não havia o controle que hoje existe para a diabete, a obesidade não era sinônimo de doença e nem se falava em colesterol, mesmo assim a aterosclerose era pouco incidente. E o que a fez aumentar no mundo se todos os fatores citados neste parágrafo desde o início da década de setenta são combatidos. A resposta é o estresse, palavra originalmente latina que era usada em engenharia para definir o desgaste dos materiais com o uso, que um psicólogo passou a fazer uso em saúde para definir a situação de preocupação de todo dia porque passamos, ou seja, a instabilidade social aumentada porque a medida que o mundo evoluiu cientificamente, involuiu moralmente com diminuição e desaparecimento gradual do amor e respeito ao próximo, tornando os indivíduos máquinas competitivas de bens materiais, que determina liberação em nosso organismo de substâncias que lesam as artérias e provocam a aterosclerose, e esta condição de estresse é difícil de combater, apenas dizer para as pessoas ficarem menos tensas e relaxarem é pouco, orientamos a prática de esportes, caminhadas, e se necessário o ócio de vez em quando.

Por tudo que as doenças do coração causam e a preocupação contínua com a saúde da população, entre governantes, médicos e cientistas, é que deve ser criada uma série de Programas de Ações de Saúde juntamente com o Ministério da Saúde e das Secretarias de Saúde dos Estados, para que numa intensa ação conjunta possam diagnosticar qualquer doença que venha a prejudicar este órgão tão importante do corpo no ser humano, pois, como diz um velho ditado, é melhor prevenir do que remediar.

 
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