Deixa a TiTiTi de lado
sexta-feira, 23/02/06 - 22h22
Diferentemente do que publicou a revista nacional TiTiTi,
situando o nosso carimbó como ritmo tipicamente nordestino
numa matéria sobre o Casamento dos atores Adriana Esteves
e Vladimir Brichta, o Carimbó é uma das mais populares
expressões da cultura paraense. A dança tem origem
na cultura Tupinambá, sendo o nome tirado da palavra
de origem Tupi-Guarani "Curimbó", de curi (pau
ôco) e m'bó (escavado). O curimbó é
na verdade o instrumento musical utilizado para dar a marcação
da dança. O contato com a cultura dos negros africanos
inseriu o batuque vibrante dos atabaques e os requebros dos
quadris das mulheres. Há ainda muitos traços da
cultura Portuguesa como palmas e estalar de dedos em algumas
partes da dança, além de alguns passos muito parecidos
com danças folclóricas lusitanas. Portanto, pode-se
dizer que o Carimbó é realmente um retrato da
miscigenação das 3 raças principais que
formaram a cultura Brasileira. A dança originou-se na
ilha do Marajó, no Pará, mas tornou-se tradição
em vários municípios paraenses como, por exemplo,
Cametá e Marapanim.
Para fazer a marcação do Carimbó são
usados dois tambores (curimbós), um grande e um pequeno,
ganzá, banjo, pandeiro, dois maracás, e uma flauta.
A dança começa com os pares dispostos em fileiras
de mulheres e homens de frente uns para os outros. Com palmas,
os homens convidam as mulheres a formar a roda. Os casais de
dançarinos fazem então um grande círculo
com sua dança, onde as mulheres rodam segurando as saias
rodadas e jogando-as em direção ao homem, que
onde a se esquivar da saia da parceira.
Ao final da apresentação, tem uma parte que
é chamada de "dança do peru", onde homens
e mulheres ficam agachados em volta do centro batendo palmas.
Uma mulher sai dançando até o meio e deixa um
lenço no chão em forma de pirâmide para
que seu parceiro apanhe o pano apenas com a boca, sem usar nenhuma
das mãos e sem cair. Se tiver equilíbrio, força
e elasticidade nos músculos das pernas para conseguir
pegar o lenço, o dançarino é aplaudido
com entusiasmo pelos bailarinos e pelo público. Mas se
cai ou se desiste, é alegremente vaiado por todos na
grande brincadeira.
A vestimenta das mulheres inclui conjuntos de saias longas
(rodadas e muito coloridas) e blusas que exibem os ombros e
o pescoço, confeccionadas com rendados, em geral de uma
só cor. Costuma-se pregar enfeites como pequenas peneiras
e pedaços de patchouli. Os cabelos são enfeitados
com uma rosa no dos lados. Pode-se abusar de acessórios
como pulseiras e colares coloridos que dão muitas voltas
no pescoço e vão até a altura do umbigo.
Os homens usam um lenço vermelho no pescoço, calças
de uma só cor e camisas de mangas compridas tão
coloridas quanto às saias das parceiras. As camisas são
amarradas na cintura onde homens e mulheres dançam descalços.
Resta-nos lamentar que a Amazônia e particularmente o
Estado do Pará seja realmente a terra do "já
teve": já teve a borracha da seringueira, que foi
levada para as colônias britânicas na Malásia,
as quais se tornaram grandes exportadores e desbancaram o Brasil
que passou a importar borracha; o Pará já teve
o cacau, sendo levado para o Estado da Bahia que também
o desbancou; o Pará ainda tem o açaí, mas
que chegou até a ser patenteado pelos japoneses; o Pará
ainda tem minérios, mas com a velocidade que são
explorados e levados para industrialização em
outros países para depois os importarmos na forma de
produtos industrializados, logo também estarão
exauridos e, por último agora, é só o que
faltava, até uma as nossas mais expressivas manifestações
culturais se tornaram nordestinas.
Não dá para competir! Pará em primeiro
lugar. E espero que todos os brasileiros passem a tomar conhecimento.
Hoje, a maior riqueza do país começa por aqui!
Apesar de sermos a quarta bandeira a ser hasteada em cerimônia
nacional, a Nação tem que aceitar que a nossa
estrela é diferenciada porque fomos o último estado
a aderir a Independência. Por isso manteremos sempre um
lugar de destaque em nossa Nação. Por isso peço
desculpa a todos os incautos que se arvoram o direito de falar
da Amazônia Paraense, seu costumes, sua cultura, sua tradição
sem a conhecê-la.
É muito lamentável que pessoas desse naipe queiram
somar glórias através de matéria dúbias
sem nos conhecer...
Fico a disposição de quem quiser conhecer a Amazônia
Paraense de verdade...