quarta-feira, 28/07/2004
Belém - Pará - Amazônia - Brasil
Especial para o Caderno D – Diário
do Pará
O Pará acaba de perder uma das maiores expressões
literárias da atualidade. Ímpar nos gêneros
“conto” e “crônica”. Estamos nos
referindo a Ildefonso Guimarães, falecido ontem, dia 27,
aos 84 anos de idade. Suas obras são incomparáveis.
Dono de um estilo único e invulgar.
Revolucionou a língua portuguesa, tal qual Guimarães
Rosa. E só não é um escritor de renome nacional
pelo simples fato de ser paraense. Não fosse nortista figuraria,
ombro a ombro, entre as grandes celebridades da literatura nacional.
Sua obra não é extensa. Só que o bom escritor
não é medido pela quantidade, mas pela qualidade
dos seus textos. E nesse particular Ildefonso é incontestavelmente
um mestre. Os prêmios abiscoitados que o digam.
Se não é um escritor amplamente lido e comentado
deve-se à sua excessiva humildade. Sua maneira recolhida
de viver, sua origem modesta de ribeirinho dos barrancos de Óbidos
–Cidade Presépio, não sofreu o mínimo
arranhão ao alçar os elevados vôos literários.
Ildefonso Guimarães continuou o mesmo caboclo do nascimento
à morte. Se a maior virtude de um sábio é
a humildade, o nosso ilustre escritor em momento algum deixou-se
envolver pela tola vaidade das fugazes glórias humanas,
preferindo manter-se na obscuridade, cultivando a árdua
e profícua caminhada dos simples e humildes, mas que só
os sábios ousam palmilhar.
Dentre suas obras, destacam-se Os Dias Recurvos (romance), Senda
Bruta (contos) e Memórias do Entardecer (crônicas).
Ildefonso Guimarães era Vice-Presidente
da Academia Paraense de Letras.
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