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Jorge Calderaro

Jornalista, Escritor e Historiador
jc@acordapara.com.br
Belém - Pará - Amazônia - Brasil
 

Amazônia! Uma ameaça que aflige a todos

 

segunda-feira, 06/12/2004
Especial para o Caderno D - Diário do Pará
Belém - Pará - Amazônia - Brasil

 

NAZARENO TOURINHO

Convite à reflexão

 

“Existem poetas que não têm capacidade para ler a própria língua e estudiosos e sábios que nada pescam da poesia”.
Ezra Pound

Foto: Rufino Almeida


O escritor Nazareno Tourinho lança hoje o livro Versos para os Pobres e Oprimidos, considerado pelo crítico Acyr Castro um “retrato literário de intensa indignação moral e política” capaz de produzir “inquietante reflexão”.

Na próxima segunda-feira, dia 6 de dezembro, Nazareno Tourinho lança seu mais novo livro intitulado “VERSOS PARA OS POBRES E OPRIMIDOS”, no Bar do Parque, na Praça da Republica às 18:00h.

Mas quem é Nazareno Tourinho? Um intelectual esguio de semblante calmo, de fala firme e forte, com sotaque preciso e às vezes áspero em suas colocações que alguns podem até não entender, mas faz parte de sua índole que assumiu quando criança, posição indubitável, conhecedor profundo da história do Pará, escritor, poeta, teatrólogo, imortal pertencente à Academia Paraense de Letras, que veio a ocupar a cadeira de nº 02, que tem como patrono Álvares da Costa, antes de ter completado seus 35 anos de idade.

Nazareno Tourinho sempre esteve preocupado com a doutrina que preconiza a propriedade coletiva dos meios de produção e a organização de uma sociedade sem classes, ou porque não dizer um dos remanescentes do comunismo de fato. Para isso, basta que adentremos um pouco em sua vida ou talvez conheçamos somente suas feituras não literárias como, por exemplo: a Casa Pão dos Pobres, situada na Praça da Bandeira ou a Casa Espírita do Nazareno, na Campos Sales, casas estas mantidas com recursos próprios sem que seja cobrado um vintém de alguma pessoa que lá seja beneficiada pelo trabalhos sociais que desenvolve.

Para quem não o conhece, agora fica muito mais fácil de saber quem é esse escritor paraense até então desconhecido da grande maioria da juventude de nossa terra, mas que detém uma grande influência no mundo literário local e nacional e que geralmente é aclamado pela platéia quando da realização da Semana Cultural realizada anualmente na Academia Paraense de Letras.

Mas quem é esse senhor enveredado pelo comunismo utópico não partidário e, que na literatura foi citado por Zora Seljan ao lado de Dias Gomes, Ariano Suassuna entre outros, que na época eram novos autores teatrais brasileiros. Quem é esse intelectual que teve um de seus livros, intitulado “Dr. Méd. Edson Queiroz – Der Wunderchirurg aus Brasilien”, publicado na Alemanha e que aborda fenômenos paranormais, quem é esse teatrólogo que teve duas de suas peças teatrais publicadas em livros, Nó de 4 Pernas e Fogo Cruel em Lua de Mel e que foram encenadas por companhias profissionais do Rio de Janeiro e de São Paulo, dirigidas pro nomes respeitáveis como Cláudio Corrêa e Castro e Wolf Maia.

Embora escreva há muito tempo, nunca havia ousado apresentar um livro com poesias que marcam passagens de líderes políticos da esquerda na historia do Pará e que tem fundamental valor histórico para nossa cultura. Poesias estas dedicadas aos camaradas da mesma militância ideológica.

Desde o limiar de sua carreira destacamos um volume com mais de quatrocentas páginas, contendo textos cênicos de sua autoria editado em 1976; em 1968 fundou em sociedade com Cláudio Barradas o TABA – Teatro Adulto de Belém Adulta, grupo de arte cênica que depois dirigiu sozinho durante alguns anos; em 1971 teve uma de suas peças teatrais, LEI É ESTA E ESTÁ ACABADO, proibida pelo Ministério da Justiça da ditadura militar, que determinou a apreensão dos exemplares pela Policia Federal; em 1985 publicou o poema CANTO-PRANTO PARA UM GATILHEIRO, em homenagem ao líder dos sem terra Quintino. Poema que na época obteve grande repercussão, sendo reproduzido nas paginas do Jornal do Partido Comunista de São Paulo, além de peças teatrais de sua autoria como: NÓ DE 4 PERNAS, SEVERA ROMANA, O HEROI DO SERINGAL, AMOR DE LOUCO NUNCA É POUCO, FOGO CRUEL EM LUA DE MEL, PAI ANTONIO, A GREVE DO AMOR, LEI É LEI E ESTÁ ACABADO, A ESTARNHA LOUCURA DE LORENA MARTIEZ, CAPRICHOS LIÇÃO DOS ESPIRITOS E ALÔ-ALÔ BELÉM DO PARÁ.

Reflexão e indignação

Em um olhar mais atento, o mestre Acyr Castro ao prefaciar o livro diz que “... o autor e dramaturgo de ressonância latino-americana, pesa a poesia à moda dos gregos quanto ao ato de criar para muito além de deleitar e de comover quem o leia. Aliás, não quer saber de divertir nem de manipular emoções, apenas por fazê-lo; pelo contrário, o que deseja, o que quer, o de que carece é sacudir o leitor, tirá-lo da letargia, instigá-lo. Acredita que a sociedade “justa e fraterna”, prometida pelos messiânicos de vocação religiosa ou partidária, não passa de um engodo que um mundo tornado doente pelo egoísmo e avareza dos homens busca, ao menor preço do mercado, manter militantemente desativada.

“... a postura histórica, ideológica, cultural o transforma em um poeta das massa-para-as-massas, resgatando a tradição critica (“a arte é uma consciência do pensar” – Jean-Paul Sartre) da poesia. Na sua cosmovisão, ele se distancia da idéia de que a diatribe é mero passatempo que o vento leva a dura enquanto durar o fato que a acionou.

“... o tempo, o melhor dos críticos, transformou tudo em uma piada sem nenhuma graça e sem nenhum sentido. O artesanato nada ortodoxo do artista nocauteou, com a seqüência de textos dados à luz com a fúria (do desejo e) da paixão, quantos intentaram, insanos, desestabilizá-lo. A insanidade só tem força de fé se bela (“o amanhã é dos loucos de hoje”, dizia Fernando Pessoa) e, nisso, lembro a significação que devem ter as palavras; por exemplo: o Mercado do Ver-o-Peso é o símbolo maior, atual, de Belém; e “as leis do mercado”, o que querem dizer afora o fato de que são a selvageria em si da ditadura capitalista e nada mais?

Vejam este trecho de um poema seu contra o racismo, ELEGIA Á NEGRITUDE.

“ A cor
A pele
Curtida na dor
Transpirando amor
É emblema
Salgada ao relento
Esticada no evento
É poema.”

Por este e por outros motivos é que também afirmo boicotar Nazareno Tourinho é burrice!

 

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