ROBERTO DE FARO: UM IMORTAL
quinta-feira - 05/08/2004
Belém - Pará - Amazônia - Brasil
Especial para o Caderno D - Diário do Pará
Roberto
Monteiro de Carvalho, quem diria, hoje candidato a cadeira
de nº. 34 da Academia Paraense de Letras. Mas para
conhecer melhor o escritor Roberto de Faro, basta que
leia as opiniões de Ildefonso Guimarães,
Leonam Cruz, Santana Pereira e Luiz Peixoto Ramos.
Não foi em vão esperar por mais de sessenta anos
para ouvir, ainda incrédulo, palavras tão amáveis,
não obstante começarei a narrar até então
pelo meu mestre maior, ribeirinho do rio amazonas, filho de Óbidos,
conhecida no torrão como Cidade Presépio.
Ildefonso Guimarães (in memorian): “Positivamente,
Roberto de Faro (no Registro Civil, Roberto Monteiro de Carvalho)
é sobretudo incrível”... “Escritor que
surge já maduro no cenário das letras paraenses,
Roberto por certo marcará sua presença em nosso
cenário literário no decorrer do milênio que
se inicia”.
Leonam Cruz (sem saber quem era o autor, pois usava pseudônimo).“Ele,
aliás, pelo estilo apresentado, não me parece simples
contista, mas é fácil encontrar nele o algo mais
do autor de bom merecimento”.
Sant´Ana Pereira: “Você é um escritor
pronto”... “Esses depoimentos sintetizam a verve do
autor para fábulas, como se foro Esopo, ou as parábolas,
como de fora Cristo. Criativo. Irônico. Profundo. Após
a leitura, o tema permanece martelando a mente”...
“ Roberto de Faro ainda dará o que falar no restrito
mundo literário”.
Luiz Peixoto Ramos: “Roberto de Faro não é
um estreante qualquer e sim um escritor de estilo seguro e arrojado,
e que nos entretém como exímio contador de histórias”.
Dizer mais o quê? Que é caboclo de Faro? Isso se
sabe. Está no nome. Que é simples e humilde? Ora,
ora, até sua mesa é testemunha disso. Que tem altas
ambições literárias? Nem pensar.
A candidatura à Academia de Letras foi acidente de percurso.
Que é feio? Bem, isso é. Mas nem por isso é
menos simpático e, às vezes, até agradável.
É o que dizem.
Gosto por leitura?
Isso teve desde quando aprendeu as primeiras letras nas manchetes
de “ A Folha do Norte” aos 4 anos de idade, imitando
o pai ao pegar o jornal e cruzar as pernas, como o “velho”
fazia.
Gosto por escrever?
Veio com as leituras dos bons autores na adolescência e
juventude, ainda como aluno interno nos colégios salesianos
de Belém e Recife. Aprendeu as primeiras declinações
do Latim e interessou-se tanto por essa língua “morta”
que até chegou a ler e traduzir “De Bello Gallico”,
do Imperador Romano Julius Cesare (“Gallia este omnis divisa
in partes três, quarum unam incolunt Belgae, aliam Aquitani,
tertiam qui ipsorum língua Celtae, nostra Galli appellantur”).
As fabulas de Fedro (Lupus et agnus – o lobo e o cordeiro
– “Ad rivum eundem lupus et agnus venerant...”).
Ovídio Cícero (“Quousque tandem abutere, Catilina,
patientia nostra? – Até quando enfim abusarás,
Catilina, da nossa paciencia?). Horácio, Virgilio, Publírio
Siro e outros mestres
da língua.
Depois desse empurrão e incentivado por
bons mestre na escola e fora dela o seu grande “ hobby”
foi ler. Ler muito. Gustavo Corção, Jorge de Lima,
Michel Quoist, Émile Zola, Ernest Hemingway, Somerset Maughan,
Machado de Assis, Antoine de Saint-Éxupery, É rico
Veríssimo, Simone de Beauvoir, Fiador Dostoievski, Graciliano
Ramos, Guimarães Rosa e tantos outros que perdeu conta.
Acredito que se o “De Faro” tem alguma familiaridade
com a língua portuguesa foi de ter estudado e gostado do
latim e, mais tarde, também conhecido um pouco do grego.
No entanto, só o gosto pelo vernáculo não
seria suficiente para torná-lo escritor. Ai entrou um outro
ingrediente que nem mesmo ele sabe explicar, pois nada que escreveu
até agora foi planejado. Seus escritos começam e
terminam sempre de maneira casual e espontânea. E ele só
sabe que terminou no momento em que tenta acrescentar mais alguns
trechos e soa falso. Isso vale para um conto ou um romance. Parece
que a fonte seca completamente. Aí, o jeito é aguardar
outra oportunidade que nunca sabe quando será. Às
vezes o intervalo entre um trabalho e outro não passa de
dias, mas também pode chegar até mais de ano. Não
tem o menor domínio sobre o ato de escrever ficção.
Mas também quando jorra não há como interromper
a vazão. Começa e termina numa arrancada só.
Minutos, dia ou meses, dependendo do gênero.
Embora já escreva há muito tempo (desde a juventude),
nunca havia ousado apresentar seus textos ao público até
aos 59 anos, época em que concorreu com duas obras no concurso
literário da Academia Paraense de Letras. Inscreveu um
romance (“Arrastado pela Correnteza”) e uma coletânea
de 21 contos (“Quase Esquecidos”), tendo sido premiado
nos dois gêneros.
Em 2002 foi novamente premiado pela Academia ao inscrever o romance
“Depois da Tempestade”.
Afora esses, estão prontos e aguardando oportunidade outros
três (dois de contos e um romance) que não podem
ser revelados por estarem participando de concursos literários
ainda em andamento.
Sucesso ao candidato a uma cadeira de imortal na Academia Paraense
de Letras.
Siga em frente Roberto de Faro. Sucesso!...
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