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Luiz Alho
Jornalista, Escritor e Ambientalista
alhoparauara@gmail.com

 
 

A cidade dos mortos vivos!

segunda-feira, 20/01/09 - 10h50

O índice de criminalidade crescente é um dos maiores problemas dessa grande cidade. O número de assaltos, furtos e roubos é assustador. Há registros de estrupos e centenas de agressões. Suas ruas e suas avenidas precisam constantemente de reparos, que nem sempre são realizados. A iluminação precária é outro absurdo. À noite dizem que é mal assombrada...

Trabalhadores e trabalhadoras circulam cuidando das ‘eternas moradas’, construídas nos mais diversos estilos, onde as mais bonitas indicam a classe social de seus proprietários. Algumas delas são adornadas com o mais puro mármore de carrara. Enfeitas por mangueiras e muitas flores, à noite, a cidade exala um perfume envolvente, um aroma enigmático. Possui uma população fixa e outra flutuante que só a visita em determinadas datas do ano. Ambulantes trabalham durante o dia, e ao cair da noite retornam às suas casas fora da cidade.

Os verdadeiros habitantes da cidade dos mortos vivos, não sorriem, não choram, não tem sentimos, não sentem o vento bater em seus rostos, não sentem o perfume das rosas... não sentem nada.

À noite, sombras se movimenta, e homens e mulheres, homens e homens, mulheres e mulheres, fazem sexo sob o mármore frio, fumam maconha em becos sombrios. Pela manhã, a sujeira é retirada, as flores são regadas, as paredes são caiadas; meninos e meninas apanham mangas ou empinam papagaios em cima dos muros. A vida parece continuar... Vendedores de pasteis, coxinhas, refrigerantes, água mineral, sanduíche e outras guloseimas, circulam em busca de fregueses e de alguns trocados que lhes garantam a alimentação do dia. Uma tigela com açaí e peixe frito já é o bastante.

‘Meninas’ em saias ou shortes minúsculos perambulam oferecendo seus ‘serviços’ ou reúnem-se em grupos para comentar suas últimas aventuras sexuais, ou os fortíssimos babados da última festa do ‘Pop Som’...

Na cidade dos mortos vivos, tem de tudo: choro, lágrimas, ódio, paixão, silêncio, saudade e paz; nessa cidade todos são iguais... Os sinos dobram; o cortejo caminha silencioso. É a chegada de mais um habitante no cemitério de Santa Isabel. Que sua alma descanse em paz...

Texto extraído do livro Tracuá, a ser lançado em breve.

 
 
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