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Luiz Alho
Jornalista, Escritor e Ambientalista
alhoparauara@gmail.com

 
 

Amazônia sangrada

quinta-feira, 19/02/09 – 12h15

A realização do Fórum Social Mundial 2009, na Amazônia, em Belém, capital do Estado do Pará, fez com que os olhos do mundo se voltassem para a região mais rica do planeta e transformou a metrópole da Amazônia em capital do mundo. Um laboratório de experiências que só darão resultados se entre as fórmulas encontradas, estejam contidos ingredientes genuinamente da ‘floresta’ (que não sejam ervas), mas, saberes, pensares, conhecimento científico, cientistas atuantes e qualificados, amparados por projetos sérios e investimentos financeiros à altura do que se busca.

Não adianta vivermos na região mais rica do planeta se em contrapartida, enfrentamos gigantescos problemas que fazem o Pará e a Amazônia crescerem como rabo de cavalo: para baixo, como afirma o jornalista Lúcio Flávio Pinto.

A exploração desenfreada de nossas riquezas suplanta imensuravelmente os benefícios gerados, (migalhas do que nos é levado), e emperra o desenvolvimento da região, que é sugada e sufocada pela força do capital dominante que arrasta a Amazônia para um buraco cada vez mais fundo...

Lúcio Flávio Pinto lançou em meio à realização do Fórum Social Mundial, o livro, Amazônia Sangrada, uma coletânea de seus artigos publicados no jornal Pessoal, quinzenário mantido por Lúcio Flávio, há 21 anos, em Belém, sobrevivente a pororocas, tempestades e arbitrariedades, mas, que segue conduzido por ‘caboclo – guerreiro – amazônida’, armado como uma de suas mais poderosas armas: (‘o conhecimento íntimo da realidade amazônica’), com ela, enfrenta uma guerra contra o imperialismo e o colonialismo que subjugam a Amazônia e em particular, o Pará, sufocando o homem e sangrando a Amazônia.

O livro Amazônia Sangrada é uma verdadeira ‘tomografia computadorizada’ ou até mesmo uma ‘ressonância magnética’ do Pará e da Amazônia, cujos resultados deixam quaisquer pacientes de cabelos em pé, isso, enquanto ainda restam cabelos, salvo qualquer exagero de minha parte.

Lúcio Flávio nos convida à reflexão e seus artigos nos empurram a uma reação e no mesmo empurrão nos chamam para uma ação, ação conjunta, pois essa ‘guerra’ não pode e nem deve ser de poucos e mesmo que assim o seja, os poucos devem estar preparados para travar o bom combate.

É fundamental que se abandone o casulo da resistência e se parta definitivamente da critica à apresentação de alternativas concretas à construção de um Pará e uma Amazônia mais dignos de seus filhos, (nativos e adotados), sair urgentemente do discurso vazio e buscar incansavelmente as mudanças necessárias à essa construção...

Amazônia sangrada é acima de tudo um convite à formação de um grupo pensante, fundamentalmente, que através de diversas ações, participe como instrumento na construção de um pensamento amazônico, contemporâneo, racional, instrumentalizado por ‘idéias nativas’, mas de forma universal. Um grupo de pensadores e fazedores formado por cientistas, professores, jornalistas, escritores, intelectuais, artistas, estudantes, profissionais liberais e quem mais quiser comungar deste grande e verdadeiro projeto amazônico. Amazônia Sangrada, o livro de Lúcio Flávio Pinto, deve ser leitura obrigatória para quem deseja conhecer a Amazônia alem da floresta; é uma viagem pela entranhas de uma terra que sangra, expõe suas feridas, pede socorro e precisa urgentemente ter suas chagas cicatrizadas. Quem se habilita?

Capa do livro postada em 26/02/09 às 13h50

 
 
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